Webinsider

Design

Objetos, tecnologia, pessoas… e o design

14 de agosto de 2009, 9:59

Seja uma embalagem, um carro, uma maçaneta, uma revista, um blog: é tudo tão abundante que se não me sinto confortável, atendido ou bem informado com um, parto para outro, opções não faltam.

Por Fabio Camargo

Há alguns bons milhares de anos, emergimos como espécie: o homo sapiens. O que permitiu o surgimento da tecnologia e da cultura, por consequência, foi o fato de podermos construir ferramentas e objetos. Como primatas, já tínhamos as mãos livres por andar em pé, mas só quando nosso polegar evoluiu elas passaram a servir para alguma coisa além da sobrevivência diária.

Começamos a dar serventia para nosso cérebro avantajado para observar a natureza e a partir disso modificarmos o mundo à nossa volta, desenvolvermos linguagem e formas de comunicação. Por conta disso, pensamos porque fazemos e vice-versa, é uma coisa meio Tostines.

Sem prática não há teoria. Desenvolvemos nossa capacidade de abstração por causa do fazer, da experiência que vem da habilidade manual e motora que temos. Criando novas tecnologias e novas formas de expressão a partir da observação e experimentação, muda-se o comportamento e consequentemente a forma de se pensar. Nosso mundo se altera.

Só se aprende fazendo, apesar de muitas vezes esquecermos disso. Esquece-se a ponto de repetir fórmulas para novos desafios, esquece-se de observar, experimentar, fazer.

E onde o design entra nisso? Como gerador e difusor de alternativas para novos comportamentos. O design pode e deve ser o principal mediador desse processo. Tornar familiar o que é novo. Proporcionar comunicação mais rica e eficiente. Fácil de usar o gadget do momento. Temos farta informação, mas se não for usada para gerar valor e conhecimento, não tem serventia.

Colocar-se no lugar do outro, que nada mais é do que uma forma de experimentação e obtenção de informação direto da fonte, tanto é o caminho para geração de novas soluções para velhas necessidades quanto para novos problemas que surgem em decorrência de nossa cada vez mais complexa sociedade e assim melhorar o mundo em que vivemos.

Não se trata de simplesmente projetar para um público A, B ou C, baseado em pesquisas emboloradas e estatísticas. Não é entregar um paliativo. É unir o pensamento do engenheiro, programador e fornecedor com o método do designer a partir da necessidade real do usuário e não apenas criar uma desculpa para empurrar um produto ou serviço.

Até há alguns anos, se uma embalagem servisse para conservar, transportar e expor o produto, estava tudo certo para a indústria. Problemas na abertura do pacote? Danos ao produto por estar numa embalagem “inviolável”? Consumidores que se machucam? Bobagem. Se o processo produtivo fosse vantajoso para o fabricante, sem problemas.

A evolução tecnológica e crescimento desse setor nos últimos anos veio da necessidade de se produzir invólucros que facilitem a vida de seus usuários e consumidores. Entender como se consome, não apenas como se fabrica. Não dá mais para ignorar uma parte da experiência de um produto. E o Código de Defesa do Consumidor está aí pra pegar no pé da indústria e também ajudar um pouco a nossa vida.

Seja uma embalagem, um carro, uma maçaneta, uma revista, um blog: é tudo tão abundante que se não me sinto confortável, atendido ou bem informado com um, parto para outro, opções não faltam. Por isso, só dá para reter pessoas conhecendo suas atitudes, comportamentos e idéias, não necessariamente o que ela possui ou recebe no final do mês. Descobrir novas referências por observação é melhorar o processo de fazer design.

As minhas necessidades são diferentes das suas. Assim, e só assim, investigando, experimentando e entendendo como as coisas funcionam para pessoas diferentes é que conseguimos entregar soluções únicas e adequadas, gerando menos frustração e mais satisfação. É imperativo entender o outro nesse mar de novidades para propor soluções inovadoras. E é desejável lembrar de nossos antepassados e nunca esquecer a pergunta: do que as pessoas precisam? [Webinsider]

.

Sobre o autor

Fabio CamargoFabio Camargo (fc@rpressdesign.com.br) é designer gráfico, sócio-diretor de criação da RPress Design.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ formação profissional ] [ briefing ]

Comentários

4 pessoas comentaram o artigo "Objetos, tecnologia, pessoas… e o design"

Alexandre Data: 14/08/2009 às 1:15 pm

Atividade: Webwriter | Publicitário

Cidade: Curitiba

É. Realmente o foco principal da publicidade é a necessidade das pessoas. Quanto mais você se adequar às necessidades do público, mais você terá sucesso na sua marca, produto ou serviço.

Advan Shumiski Data: 14/08/2009 às 1:52 pm

Atividade: Designer

Cidade:

Ótimo artigo!

Renata Claro Data: 15/08/2009 às 11:48 am

Atividade: Artista Plástica

Cidade:

Concordo!Estamos na era da: Beleza, conforto, praticidade e acima de tudo conciência, esse barco não tem volta.

Arquiteta Adriana Ronssani Data: 20/08/2009 às 9:49 am

Atividade: Arquitetura e Design

Cidade: Bento Gonçalves - RS

Eu tbém concordo, estamos falando de design, afinal a imagem é a alma do negócio e quem não é visto não é lembrado!

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

O designer é um pouco tradutor e analistaO trabalho de criação e design passa por investigar para entender o que deve ser transmitido e dizer através de técnicas visuais o que deve ser dito.
Por Caroline Fülep

Especialista ou generalista: faça sua escolhaFazer de tudo um pouco ou focar em um nicho? Normalmente os designers deixam a vida os levar e esta questão nem sempre está na pauta. Vale mais a pena abrir o leque ou é melhor aperfeiçoar o seu quadrado? Por Fabio Camargo

Sobre design, interação e o poder da comunidadeO cliente tem sempre razão? O pessoal do Drupal resolveu fazer um projeto de redesign e aceitou contribuições da comunidade. Pode ter sido meio complicado, mas valeu a pena e deixou algumas lições. Por Amyriz Fernandez

Design, desígnio, designar: dar significadoDiante de uma demanda, o designer pensa: “Como resumir este briefing em uma só frase?” Faça este exercício para criar um conceito. E desse conceito tire o norte a ser seguido por todo o projeto. Por Flavio Vidigal

O cenário atual do design e algumas perspectivasQual o comportamento padrão em relação aos projetos: apagar incêndios, feitos às pressas, a toque de caixa? É o que acontece, não? Será possível sair dessa roda viva? Por Fabio Camargo

Vicente Tardin

O designer humildeÉ ótima leitura para o profissional que se preocupa com o mundo onde vive. Por Vicente Tardin

Webinsider