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Comércio - Negócios

Marketing e vendas… quem manda mais?

04 de agosto de 2009, 13:14

Vendas e marketing são irmãos separados ao nascimento. Melhor seria se fossem realmente uma família - um só organismo a se tornar a principal interface com o cliente.

Por Stivy Malty Soares

O organograma das empresas normalmente determina que, para um bom fluxo de mercado é necessário que se tenha uma área comercial, responsável pelas vendas e retenção, e uma área de marketing, separada, responsável, muitas vezes, apenas por criar campanhas e manter a primeira área abastecida, como se o marketing fosse insumo para as vendas.

A realidade nos mostra que o mais atípico, porém mais coerente e produtivo, é a área comercial aglutinada à área de marketing, num só organismo, como uma das interfaces com o cliente… a principal.

Cenário

O marketing já está anos luz à frente de ser uma área de insumos, da qual a área comercial é cliente, e para a qual ele entrega belas peças, ícones para produtos, campanhas bonitinhas, material para revista, comerciais para TV e coisas do gênero.

As empresas que ainda pensam nessas áreas separadas estão fadadas a dois problemas crônicos.

O primeiro deles é uma área comercial estagnada, com crescimento limitado, que trabalha exclusivamente com o relacionamento que seus executivos têm com o mercado.

O segundo problema é uma área de marketing entupida de processos operacionais como insumo para atividades pontuais do comercial, uma vez que a geração dessas demandas ocorre de forma caótica,  descoordenada, sempre urgente e sem qualquer planejamento, sequer de objetivos.

(O objetivo nesses casos é entregar qualquer coisa para tentar vender, o que  sufoca o desenvolvimento de estratégias consolidadas.)

Mesmo se pensarmos do ponto de vista de empresas mais bem desenvolvidas, nas quais o marketing gera ativamente conceitos e ações, ainda assim acaba gerando campanhas que poucas vezes têm o apoio ou visão comercial, sob o pretexto de que os vendedores conhecem melhor o cliente e o mercado e as campanhas publicitárias ou de vendas não pagam as suas contas.

Que se manifeste quem conhecer cenário diferente deste! É raro!

Inovação

Partindo do princípio de que o marketing desenvolve os produtos, estuda detalhadamente o perfil sócio-demográfico dos clientes e o seu comportamento de consumo, conhece os dados estatísticos que indicam pontos fortes e fracos da companhia, os riscos e oportunidades, regras sazonais e domina a inteligência comercial e a psicologia do consumo, não é de se estranhar que empresas que iniciam o processo de vendas através dele tenham resultados muito mais positivos do que as velhas barcas que mantém o leme na mão de equipes puramente prospectivas.

Não se trata da extinção da área comercial, jamais, e nem afirmo que esse formato de organização não gera resultados, afinal é histórico e praticamente todo o mercado ainda o aplica.

Todavia, prego um relacionamento muito mais intrínseco e carnal entre as atividades de vendas e de marketing, pois no fim das contas são uma coisa só. Se o método tradicional ainda funciona, uma pequena inovação pode gerar diferenciais competitivos sensacionais!

A área de vendas é a que está na ponta, em contato mais importante e constante com o cliente, e é a principal fonte de informações sobre a percepção frente às ações da companhia.

É também o principal canal de relato de necessidades de ajustes, os tradicionais pontos falhos. É a equipe comercial que está em campo. Ela é o ponto focal de toda a entrega tática.

Por essa ótica, a equipe comercial se torna captadora de informações e de insumos para o marketing melhorar produtos e o processo de comunicação e desenvolver campanhas muito mais efetivas.

É ela, a equipe comercial, que faz a ponte entre o cliente e a empresa. Porém, é indispensável que essa ponte leve consigo as definições, estratégias e o alinhamento de mercado, para que o resultado se torne efetivo. Uma equipe em que cada executivo trabalha do seu jeito não traduz a essência da companhia.

Imagine uma equipe de vendas trabalhando junto à equipe de marketing, embebida na aura de criatividade e profundidade de informações, participando do desenvolvimento de produtos, estudando e analisando os indicadores de resposta dos clientes em cada ação, em cada desvio de campanha, ajudando a desenvolver e entendendo de forma ampla a estratégia e o posicionamento comercial da empresa!

É inevitável que tudo flua muito bem e que as vendas se transformem no efetivo momento da verdade com o cliente. O fluxo de informações acontece de forma natural, nas duas mãos, e o conhecimento sobre os processos auxilia na formatação de demandas coerentes e coordenadas… É o supra-sumo do processo de vendas.

Lógica

Se marketing é mercado, é vendas. Se a responsabilidade das vendas é da área comercial, ela deve ser fundida ao marketing num processo de ampla visão e ação.

Este é o futuro… uma única área de mercado, numa tradução ao pé da letra… não duas áreas separadas em constante relação de amor e ódio. [Webinsider]

.

Sobre o autor

Stivy Malty Soares (stivy@malty.com.br) ministra palestras sobre marketing, tecnologia e design, é diretor executivo da DeepMind Marketing Estratégico e atua como consultor de estratégias de vendas e comunicação.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ Vendas ] [ formação profissional ]

Comentários

3 pessoas comentaram o artigo "Marketing e vendas… quem manda mais?"

Bruno Thomasi Data: 07/08/2009 às 4:25 am

Atividade:

Cidade: Guaíba

Oi Stilvy, costumo ler artigos no WebInsider, porém o lead do seu artigo eu achei totalmente desnecessário, onde você escreve:
“Vendas e marketing são irmãos separados ao nascimento. Melhor seria se fossem realmente uma família - um só organismo a se tornar a principal interface com o cliente.”

Acho que isso é o básico do básico, marketing é vendas e que não acha isso não trabalha realmente de marketing, trabalha no máximo com a marca, relacionamento do consumidor com a mídia, publicitários em geral, marketing é vendas, e isso é básico, pelo menos para mim.

E acredito que os executivos das grandes empresas sabem disso, se não não estariam onde estão, os iniciantes em marketing, lógicamente aprendem isso nas suas faculdades, que marketing é entender os anseios do consumidor e oferecer para ele soluções, basicamente vendas.

Que acha?

Stivy Malty Soares Data: 07/08/2009 às 11:32 am

Atividade:

Cidade:

Bruno,
Obrigado pelos comentários.

De fato este é o báscio do básico para todo profissional de marketing e gestor de empresas, porém, quase 100% desses profissionais se espantam quando faço uma afirmação como esta…
- Como assim? Marketing tem é que fazer o material pra revista, criar e-mails, o site e deu pra bola! Que papo é esse de colocar o marketing pra vender.

Já trabalhei em várias empresas grandes, algumas multinacionais, e hoje presto consultoria de Marketing estratégico para outras de portes variados. O que encontro é exatamente isso! Duas áreas que não se conhecem, ou quando muito, brigam entre si.
Marketing falando:
- Esse povo do comercial quer tudo sempre pra ontem, e nunca pedem as coisas direito!!!

Comercial falando:
- Esse povo do marketing se acha, e são uns folgados… nunca entregam nada em dia e ainda reclamam!

Uma das questões que estou levantando nas minhas consultorias é justamente o tema Back-to-Basic! Se estão quase todos fazendo as coisas da forma errada, vamos voltar para a teoria que se aprende na faculdade (pelo menos nas melhores)! Maketing é Vendas, é mercado!

Tua colocação foi perfeita… é isso mesmo!
Isso é o básico do básico, mas, inelizmente a realidade é completamente outra.

Abraço,
Stivy

Cláudio Scherer Data: 07/08/2009 às 1:56 pm

Atividade: Consultor Webmkt

Cidade:

A empresa que hoje trabalho, perfeitamente se enquadra numa guerrilha interna, onde toda semana tem discussão do comercial com o mkt.

Mas pessoalmente sempre preferi unir os dois, pois sem ter o contato com o cliente , nunca saberei o que realmente lhe interessa.

A maior dificuldade é implantar esta “inovação” em empresas que dificultam tal relacionamento. Evolução é tudo!

Boa matéria.

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