Por que os jovens teriam que nos obedecer?
01 de agosto de 2009, 21:05As gerações hoje adultas (todos nós agora) acreditaram em verdades fantasmas e hoje têm a responsabilidade e a oportunidade de proteger os mais jovens dessa continuidade.
Por
“O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar…”
Chico Buarque
Seria injusto esperar isso deles. Além de injusto com eles, irresponsável com o futuro do país e da espécie humana.
Foi exatamente a obediência de nossa geração e das anteriores que amontoou essa coisa indescritível que está aí.
Obedecíamos e teimávamos em continuar obedecendo a tudo que nos era vendido pela mídia e pelos demais supermercados de paradigmas, modismos, crenças, valores e verdades.
Depois de tanta obediência e defronte de tanto descalabro, ainda pretendemos que os jovens nos sigam? Já passou da hora de recolhermos a viola no saco.
Se queremos o melhor para os nossos filhos, nosso desafio consiste em ajudá-los a escolher outros caminhos. Mas ajudá-los não é escolher por ele(a)s nem dizer-lhes o que fazer.
Milhões de pais e mães preocupam-se com o mundo que estão entregando a seus filhos e netos. E uma parcela já começa a ter consciência de que “outro mundo é possível”. O que nem sempre se mostra claro é que outro mundo só é possível mediante outras formas de pensar.
Onde está a esperança?
Uma outra qualidade de pensar é possível. Os mais jovens têm a vantagem de mais facilmente internalizar e praticar novos procedimentos e novas atitudes no pensar.
Com esses procedimentos e atitudes, os/as jovens estarão habilitados a desfazer as “aspirações industrializadas” que não levam a nada no plano individual e estão gerando uma barbárie no plano coletivo. Não se sentir chamado a transformar o mundo é não ser jovem. Sim, o tamanho do mundo é a escolha de cada momento, mas não se transforma o espaço mais próximo quando não se tem a visão maior.
Com essa agenda de “iniciação ao pensar potente” é que 21 anos atrás criamos o curso PIEx (Pensar Inventivo e Expressivo) que começa a capacitar os jovens para gerenciar o ingresso na vida adulta.
“De que adianta ter sucesso e perder o sonho? Sem a onipotência da esperança não vale a vida humana.” (Eichenlöwe, Mensagem aos do 1º PIEx, 26 a 31 de julho de 1988).
Conteúdo
Atente para tudo o que o PIEx inaugura nos processos de pensar do(a)s jovens. Não se trata de ensinar-lhes conhecimentos, mas de acessar-lhes uma qualidade de pensar que os leve a descobrirem novos conhecimentos escondidos sob nossas verdades pétreas.
Em que consiste esse upgrade no pensar? Uma capacidade de diagnóstico que não foi exercitada pelas gerações que os antecederam. Um olhar realista mas não submisso. Um atitudinal crítico e ao mesmo tempo reconstrutor. E a prática singela do pensar para a ação.
Todo cidadão pensante percebe a urgência de facilitar uma nova qualidade de pensar para as novas gerações. Cada um de nós sabe o que fazer para que essa urgência se desgarre da abstrata possibilidade.
Qual a estratégia pedagógica?
Nossa estratégia facilitadora tem como partitura as três dimensões do pensar transformador: Realidade, Esperança e Coragem.
Ao trabalhar a primeira, recorre-se a procedimentos e atitudes que mobilizam o pensar crítico e começam a habituar o jovem a encarar a realidade não mais como algo inquestionável, rígido, eterno, inabalável.
A dimensão da realidade apresenta-se como o estoque de tempo e espaço que oferece ao humano pensante situações e coisas relativas e mutáveis.
O pensar eficaz (criativo, estratégico, crítico, heurístico) não é fugir da realidade, como imaginam as inteligências passivamente espectadoras, até porque a realidade é a dimensão em que se oportuniza e, tautologicamente, realiza-se a existência.
Internalizar a prática de exercitar sempre esse ponto de partida faria de nós uma espécie merecedora de habitar a Terra.
Ao passar à dimensão da esperança, o facilitador cuidadosamente ajuda o pensante a alçar acima da realidade os processos e atitudes no pensar. Os dispositivos de voo estão exaustivamente expostos por Ernst Bloch em seu Princípio Esperança, agora magistralmente traduzido e editado no Brasil.
Em nossa instituição, desenvolvemos instrumentais para operar com o blochiano Ainda Não e buscamos avivar a consciência de que é possível projetar uma nova realidade, a partir da qual torna-se pensável mudar a situação indesejada.
O patamar de consciência alcançado na dimensão da esperança propõe ação (ou ações) para construção da nova realidade.
Na estratégia do pensar transformador, a dimensão da coragem é o ambiente para se pensar as ações implementadoras.
Um cuidado inicial na facilitação é desassociar a coragem de noções heróicas ou de bravura. Quando a coragem se torna democrática e pedestre, é só colocar-se a caminho. O produto dessa dimensão é pensar, escolher e implementar ações que concretizem o que foi recriado no ambiente da esperança e, assim, habilitem a identidade comprometida a construir uma nova realidade.
A iniciativa tem que ser dos adultos
O pensar instalado nas culturas não está apto a construir futuro, única tarefa que importa nas vidas pessoais, nas sociedades e nas organizações de qualquer natureza. Tanto os procedimentos quanto as atitudes nesse pensar estão apontando para realidades há muito tempo embalsamadas.
As gerações hoje adultas — estamos falando de todos nós agora — que deram crédito e poder às “verdades fantasmas” têm a responsabilidade e a oportunidade de proteger dessa continuidade aos mais jovens. Para isso, basta armá-los com um pensar para hoje e que se renove em todo o amanhã. [Webinsider]
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1° Jose Schneidler Data: 01/08/2009 às 10:45 pm
Atividade:
Cidade:
“Por que os jovens teriam que nos obedecer?”
parei por aqui…
Nemly e Nemlerey
ok?Next.