Brasil, um país de ainda e-excluídos
24 de julho de 2009, 0:57A maioria das pessoas no Brasil acessa a internet fora de casa e nunca comprou. A inclusão comercial é a nova fronteira.
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Aqui se vota na urna eletrônica e ainda tem político comprando voto a troco de chinelo.
Aqui se faz declaração de imposto de renda pela internet e a sonegação mora nas barbas do poder.
Aqui se faz BO pelo computador e ainda tem filas kafkianas no Detran.
Aqui 50% da penetração das pessoas que acessam a internet ganham menos de 2 salários mínimos de renda familiar, e 50% das famílias ainda ganham menos de 2 salários mínimos.
Aqui acesso à internet não tem nada a ver com renda. Somos o país das correlações arrevesadas.
A penetração de internet no Brasil é de 35%, segundo a última pesquisa F/Radar. Vamos nos comparar primeiro com outros pobres anabolizados: na Rússia é 26%, incluindo as matrioscas; no México, 23%, sem contar os zapatistas; na China 23%, segundo o mais democrático governo do mundo, e na Índia 6%, incluindo as vacas sagradas. Isso significa que somos o mais digital dos nossos primos.
Já nos Estados Unidos, a penetração de internet é de 73% e nos países europeus, por aí também. Essa diferença tem alguma coisa a ver com grana?
Pois vejamos: a renda per capita dos Estados Unidos é de 46 mil dólares (ou era, antes do catastrobushismo, sei lá). A do Brasil é de quase 8 mil dólares.
Ou seja, somos quase 6 vezes mais pobres mas só 1,6 vez menos conectados.
Então, se ainda somos mais pobres do que Botsuana – aqui 31% estão abaixo do nível de pobreza contra 30% no país africano –, a gente deu um jeito e já dá pra falar em inclusão de acesso (e não digital). Obrigado, informalidade.
Já o acesso em casa são outros quinhentos. A penetração é ridícula ainda: pouco mais de 20%: 63% nas classes AB, 19% na C e ridículos 2% na DE.
Mas será que isso tem alguma importância? Talvez não tenha, na teoria, afinal de contas, se a internet é canal de relacionamento, não precisamos estar em casa para xavecar, nem convém. Se internet é informação, idem. Se internet é atividade profissional, menos ainda. Quem tem tempo em casa de fazer muito mais do que dormir?
Mas tem sim: para comprar. Onde já se viu “comprar pela internet fora de casa?” 72% dos internautas que já fizeram compras pela internet o fizeram de casa. Vai saber porquê!
Em outras palavras, se a maioria das pessoas no Brasil acessa a internet fora de casa (77%), esse monte de gente nunca comprou.
Aí está o nosso novo desafio, o gargalo que não tem nenhuma importância pra quase tudo, menos para aquilo que parece ser uma das salvações da lavoura da economia: o comércio eletrônico.
Esta é a nova fronteira: a inclusão comercial. [Webinsider]
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1° Cristian Korny Data: 24/07/2009 às 5:36 pm
Atividade: Músico sem OMB
Cidade: São José dos Campos
discordo, não acho que inclusão comercial seja pancéias, fico mais do lado de formar cidadãos e não apenas consumidores, arealidade da internet está mais para estes que para aqueles, pois o que mais se vê no acesso crescente à internet são jogos em rede (counter strike) e sites anunciados pelas emissoras mais influentes, daí para o consumo é só um passo o de ter dinheiro, falta ainda a libertação das mentes em relação a se comportar como massa de manobra.