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Software Livre - Pequenas empresas

E o sistema operacional começa a subir no telhado

22 de julho de 2009, 12:40

A migração integral de dados de pessoas e empresas para a internet só não é mais intensa hoje por motivos meramente culturais, de hábitos arraigados. O Chrome OS vai acelerar as coisas.

Por Zeca Martins

Pois foi em novembro do ano passado (repito: faz oito meses, o que representa uma eternidade no mundo da internet) que eu vaticinei solenemente, aqui no Webinsider, que o Google poderia lançar um sistema operacional online, porque, no final das contas, já não mais faz sentido termos computadores em nossos lares e escritórios. Bastar-nos-ia ter acesso à grande rede e usar a capacidade computacional lá instalada. Nada mais.

Por conta disso, levei porrada de todos os lados, particularmente (e isso é que foi assombroso) de gente que se diz ligada à tecnologia da informação, informática, computação ou dê-se lá o nome que se queira.

Pois bem, não deu outra: há poucos dias, o Google anunciou em seu blog o lançamento do Chrome OS, um sistema operacional online e open source, que já está disponível inicialmente para netbooks e, a partir da segunda metade do próximo ano, estará para todo mundo.

Não sou técnico de informática, mas no passado convivi com uns monstrengos chamados mainframes, que acessávamos por terminais “burros”, isto é, sem capacidade computacional alguma; eram apenas portas de acesso à capacidade do tal mainframe.

Pois não precisava ser nenhum gênio para perceber que provedores de acesso e ou informações (Google, Yahoo etc.) não são nada mais que imensos mainframes, porém à distância. E o que separava uma coisa da outra era a simples capacidade de transmissão de dados. O avanço da banda larga por fibras ópticas está resolvendo a questão.

Hoje tenho uma pequena empresa, uma editora de livros, 101% lastreada na internet. Graças a uma série de ferramentas, algumas pagas, outras gratuitas, tenho lá absolutamente toda minha administração: website, e-mails (webmail), planilhas de controle financeiro, programas office e gerenciadores de workflow (Google Docs), agenda pessoal e de negócios (Google Agenda) armazenamento de arquivos (MS Sky Drive), telefonia nacional e internacional (Skype), emissão de notas fiscais (prefeitura e estado) e mais uma série de etecéteras. Tudo! E com excelentes capacidades de armazenamento e controle.
Minha meta era poder ficar rigorosamente livre de um computador pessoal, e consegui.

Hoje, se meu computador explodir ou se roubarem meu notebook, dane-se. Vou à lan house da esquina e administro minha editora numa boa.

Aliás, eu quase comprei um notebook novo, daqueles cheios de frescuras tecnológicas, mas acabei optando por um netbook que custa a metade do preço, porque, no final das contas, só preciso mesmo é acessar a internet; uma máquina mais simples e barata dá conta do recado com perfeição.

“É”, dirá o leitor, “mas seu netbook ainda traz um sistema operacional embutido”.

De fato. Ainda.

Logo, os note e os netbooks só precisarão de um sistema mínimo que lhes dê acesso ao sistema operacional online, este sim, com boa capacidade de processamento (taí o Chrome OS, que não me deixa mentir). Será uma reprodução do modelo mainframe/terminais burros com quem convivíamos há 30 anos, só que pela via da internet (ah, é verdade, a maioria dos leitores do Webinsider ainda nem fez 30 anos… taí o motivo do espanto: provavelmente nunca viram um mainframe, e, muito menos, trabalharam com eles).

“Mas você é maluco de confiar seus dados a todas essas empresas da internet?”, perguntou-me um amigo. Ué, eu não deixo todo meu suado dinheirinho na mão daquela gente dos bancos?

Ou seja, a migração integral de dados de pessoas e empresas para a internet só não é mais intensa, creio eu, por razões meramente culturais, de hábitos arraigados.

As próximas gerações conviverão naturalmente com armazenamento e processamento remotos de dados (pessoalmente, eu não investiria meus humildes caraminguás em ações de fabricantes de computadores).
Bem, aguardemos o que vem por aí. Não tenho bola de cristal, mas desde já garanto que o futuro próximo da internet será divertidíssimo.

Em tempo: sou fã do Google, mas continuo achando que seu calcanhar de aquiles é o incompreensível e gritante desprezo ao atendimento pessoal.  [Webinsider]

.

Sobre o autor

Zeca Martins (zecamartins@yahoo.com.br) é publicitário e mantém um blog.

Apoio:

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ Banda Larga ] [ windows ] [ buscadores ] [ google ]

Comentários

15 pessoas comentaram o artigo "E o sistema operacional começa a subir no telhado"

Geraldo Franca Data: 22/07/2009 às 1:31 pm

Atividade: Estudande de PP

Cidade: Curitiba

Mas Zeca, no caso do Brasil, onde a banda larga se arrasta (a moda Telefônica) e as conexões 3G ainda são um pouco caras pra maior parte das pessoas.

Ter todas as informações em nuvem aqui não vai ser um processo tão natural como em outros países.

Voce acha que a qualidade da internet brasileira vai atrapalhar?

Abaços!

Guilherme Bacellar Data: 22/07/2009 às 7:44 pm

Atividade: Analista de Sistemas Senior

Cidade: São Paulo

Você é corajoso.

Eu não confio em manter todos os dados na “núvem”, pois ele é muito sujeita a falhas (vide Gmail e Google Docs) e muito sujeita a estravio de informações.

Falo pois como Analista de Sistemas especialista em WEB e computação distribuida eu vejo quando é perigoso.

Mas, desejo-lhe sorte;
Realmente isso é inevitável, mas, sera que tornar-se-a realidade 100% no futuro?

Abraços

Raphael Tsavkko Garcia Data: 22/07/2009 às 11:20 pm

Atividade: Estag. Comunicação

Cidade: São Paulo

Interessant,e eu também tenho a mania de fazer quase tudo online mas, não sou doido, tudo devidamente “backupeado” no PC e no HD externo.

Não dá pra confiar 100% na internet e na infalibilidade de serviços. O próprio Google vez ou outra “aposenta” serviços, veja o Yahoo que fechou o geocities.

Sem falar que alguns dependem do Speedy. Não precisa nem completar.

O mais inteligente, ao meu ver é se valer do velho Wiondows - ou qqr outro OS - e sempre fazer o backup para servidor(es) na internet, tipo o Docs e etc. Ferramentas de backup automático já existem, se integram até no Office. É só começar.
tsavkko.blogspot.com

Gustavo Oliveira Data: 23/07/2009 às 11:50 am

Atividade: Gerente de Projetos.

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Também acho inevitável que toda a computação pessoal vá para a nuvem, mas a qualidade das conexões, tanto de celulares, quanto computadores, ainda está muito longe do ideal. A salvação para a fabricação de computadores serão os países com pouca capacidade de se adequar tecnicamente a nova ordem, mas isso será temporário. Vejo uma gigantesco mercado para os Arquitetos da Informação daqui a alguns anos.

Ivan Bretas Data: 23/07/2009 às 1:18 pm

Atividade:

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Acho que a “acessibilidade à nuvem” não depende só das conexões, que no caso do Brasil são meio lerdas mesmo. Mas até no caso de desenvolvimento web, a coisa já melhorou muuito! Basta ver a mudança que foi mudar do Hotmail, que cada clique levava 15, 20s para ser processado para o Gmail, onde hoje a coisa é praticamente instantânea.
E quanto a falhas, se a gente pegar para comparar as vezes que o servidor do Gmail parou e as vezes que um HD nosso queima, é melhor ficar na nuvem viu…
Não joguei tudo lá ainda por conta de arquivos de illustrator e PS que são gigantes ainda para serem transferidos. Mas os arquivos e informações essenciais, essas sim, estão todas na web.

Zeca Martins Data: 23/07/2009 às 1:55 pm

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É óbvio que ainda há problemas de conexão aqui e acolá, e acho que deverão continuar por muito tempo.
Mas, a meu ver, o que importa é a “filosofia” da coisa toda.
Imaginem os leitores poder acessar a rede e usar, lá dentro, um Photoshop de ultimíssima geração para tratar suas imagens, pagando centavos por isso (um provedor de internet já nos custa centavos por dia). Um ambiente assim matará impiedosamente a pirataria, por exemplo, além, é claro, de oferecer absoluta mobilidade e atualização aos usuários.
Claro que essas transformações levam anos e, não raro, demoram mais de uma geração para se assentarem, mas, a menos que surja algo inesperado no ar, esta é a tendência da computação pessoal. Pelo menos é no que acredito.
Quanto ao quesito segurança, não vamos nos esquecer que alguns bancos insuspeitos também faliram, levando milhares de correntistas igualmente à falência.
Risco há em toda parte.

Eduardo Guassaloca Data: 23/07/2009 às 2:15 pm

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Cidade: São Bernardo do Campo

O sistema operacional não subiu no telhado. Como você bem disse, muitos anos atrás só tinhamos o Mainframe. E ele continua aí até hoje.
O sistema operacional online irá disputar espaço no mercado com o sistema “offline”.
E não acho que seja um problema cultural para a migraçao de dados para serviços online e sim questões de segurança.
Já imaginou uma empresa grande deixar vazar informações valiosas ao seu principal concorrente por uso de um serviço online?

Acho que questões como tamanho da empresa, segurança, investimento e despesas e mais alguns aspectos administrativos devem ser levados em consideração na hora de decidir o que usar (online ou offline).

Abraço!

giuliano finger Data: 23/07/2009 às 5:52 pm

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Com certeza teremos serviços ou recursos de backup dos arquivos também. Os caras são estratégicos e pensam em tudo. Eles estão começando pelas bordas e estão indo, até a tendência virar realidade.

Sobre segurança, não existe nada 100% seguro. O mais seguro é não centralizar a informação num lugar somente. O fato dos dados estarem na web ou não para mim não faz muita diferença, pois os dados no PC estão tão vuneráveis quanto na grande rede - vírus, pau no sistema operacional, falha num HD e etc. Backups constantes é a solução.

Gestor Moderno Data: 23/07/2009 às 7:14 pm

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Um dos artigos mais lúcidos que já li nos últimos tempo, o mundo está mudando e tem gente que ainda não percebeu… parábens.

10° Clênio Luiz Data: 25/07/2009 às 12:21 pm

Atividade: Webmaster

Cidade: Natal

Em um post meu de mesmo tema recebi um comentário “Nicholas Carr no seu livro “The Big Swhitch” em 2004, já falava sobre esse futuro, traçando um paralelo entre a evolução do geração de energia elétrica (que passou de geradores individuais para grandes mega-fornecedores), e a computação atual…” na minha concepção esse paralelo caiu como uma luva, tanto no que diz respeito ao modelo quanto a distribuição. Até umas décadas atrás a eletricidade era tão instável quanto hoje é uma conexão 3G e passamos a depender dela de uma forma que o serviço evoluiu e se estabilizou a um ponto de haver pouquíssimas falhas. Creio que com a internet acontecerá o mesmo.

Acredito nesse modelo de computação e ele irá se consolidar, talvez não tão cedo mas de passo em passo chegamos lá.

Viver na nuvem hoje é plenamente possível, se sua função lhe permite, se você for um blogueiro, um administrador, um gerente de projetos, um estudante…. Eu que exerço uma função técnica, dependo de ferramentas produtivas que tiveram décadas de desenvolvimento, é simplesmente impraticável substituí-las por algo rodando server-side ,não vejo isso acontecendo tão cedo, mas acontecerá.

11° Raphael Tsavkko Garcia Data: 27/07/2009 às 1:11 pm

Atividade:

Cidade:

Este artigo, ainda que sobre assunto diferente, demonstra o perigo das “nuvens” e de se ter tudo online… http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2009/07/27/nos-bracos-do-grande-irmao-756983380.asp

12° miguel prado Data: 28/07/2009 às 9:06 pm

Atividade: webmaster

Cidade: são paulo

hj mesmo fiquei o dia inteiro sem internet, por causa de quem?…adivinha…telefonica, imagine se tivesse todos os aplicativos e arquivos em nuvens…

enquanto a banda larga estive na mão desse monopólio que esta aí instalado, sem chance…

todos eles protegido pelo estado, não sofrem penalidades, multas e etc…será por que hein..

13° Rodrigo de Sá Data: 29/07/2009 às 6:00 am

Atividade:

Cidade:

Bem, vale pensar de outra maneira também. Por exemplo a Google colocou como opção no Gmail, Google Docs e no Google Agenda a possibilidade de acesso off-line, ou seja tenho tanto meus dados no meu pc quanto nas nuvens. Se a conexão cair, posso acessa-los, se estiver em outro lugar também. É possível que no futuro os meus arquivos estajam no meu pc, nas nuvens no meu celular e sabe se lá mais onde eu queira.
Pois convenhamos, vai demorar até todas as partes do mundo estejam conectadas a internet…

14° Alexandre Bigaiski Data: 25/08/2009 às 5:48 pm

Atividade: Webwriter

Cidade: Curitiba

Simples assim, não dá pra confiar nos serviços de internet. De jeito nenhum. Se eu deixar de pagar a internet e ela for cortada, eu quero continuar trabalhando nos meus arquivos no meu computador. Acredito em um SO online, mas não acho que ele substituirá os existentes, e sim agregará mais uma facilidade.

15° Evandro da Silva Pereira Data: 29/09/2009 às 3:00 pm

Atividade: Analista Jr.

Cidade: Tarauacá/ AC

Levando o comentario para a parte tecnica, ( é melhor eu fazer os programas trabalharem pra mim do eu pra eles ).
levando p/ parto Lógica se eu confirma que as ferramentas são seguras a ponto uma pani- um escorregão que sempre tem acontecer e eu não me prejudicar/ posso explorar esses recursos.

sem falar na economia…

Portanto tudo que eu posso ganhar usando esses recursos não podem ser descartaveis…
é um risco que até uma criança sabe calcular…

Eu aprovo o uso

Evandro Pereira /Analista de Sistemas

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