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Comportamento - Redes sociais

A invasão de UGC nas mídias de massa

22 de julho de 2009, 19:20

O conteúdo gerado pelo usuário vai para a TV porque é barato e tem força. Cabe a nós saber o que fazer com esta força, através do enfoque que damos, do que sintonizamos e daquilo que, ao consumir, incentivamos.

Por Klaus Denecke-Rabello

Os conteúdos gerados por usuários (UGC, na sigla em inglês) estão invadindo a programação das mídias de massa, notoriamente a TV aberta e a TV fechada.

Podemos citar três fatores como principais para este fenômeno:

  • Econômico. É conteúdo barato, quando não de graça.
  • Cultural. Está na moda; um refluxo dos padrões da nova mídia e da nova linguagem que é a internet.
  • Social. As pessoas querem falar, ver e ser vistas; vale tudo para ter seus 15 segundos de fama, do já banalizado nu à vergonha alheia da exploração de suas próprias bizarrices, bem como às de outrem, passando pela inaceitável violência contra animais indefesos e vandalismos com a natureza e a res publicae (coisa pública).

O poder da internet expõe as feridas

Vale registrar que a democratização do acesso à tecnologia e, consequentemente à voz, expõe inúmeras e determinadas mazelas da formação de nosso povo, mas é magnífico ver pessoas que antes jamais seriam ouvidas terem voz e vez na mídia. Como toda novidade, acabam ’se lambuzando’ e ainda, por não saber nem o que fazer com este poder, o subutilizando com superficialidades.

Mas já vimos fenômenos parecidos antes na história da comunicação, quando o Clero perdeu seu monopólio para a elite econômica através do advento da prensa móvel de J. Gutemberg, redefinindo a concentração do poder através da democratização da informação, leia-se poder; algo que podemos afirmar claramente que acontece também nestes tempos de descentralização através da internet, sendo este seu maior conceito.

A internet é nova mídia hegemônica não por centralizar receita ou atenção, mas justamente por perpassar todas as demais mídias e as unir em rede, englobando a todos e influenciando sem limite linguagem e estratégias.

Descentralização da produção de conteúdo leva a um novo papel das mídias; mais que produzir - apurar e fazer o assemblage, conferindo credibilidade à mistura e unidade ao conjunto produzido de maneira isolada e descentralizada.

A internet faz uso do poder da TV

Ninguém iria ver o vídeo de fulano, exceto se cair no mouse dos formadores de opinião do meio virtual - comumente blogueiros e/ou twitteiros, em suma, os hubs sociais, que por sua vasta rede e igualmente vasta influência na mesma disseminam um link tal qual epidemia (daí o termo viral, só para constar) - ou se passar na TV.

Se o programa X veicula, tem-se a chancela de credibilidade e o alcance tradicionais das grandes redes, que ainda influenciam a massa mesmo que cada vez menos.

Temos então a massa toda convergindo a partir da emissão de um ponto, enquanto que na disseminação via web isto ocorre da maneira acima descrita, mas vale ressaltar que ambos necessitam dos mesmos fatores: credibilidade gerada por uma chancela mais próxima que uma grande corporação, o amigo, o conhecido ou a celebridade que está a um tweet de distância.

Sobre o item relevância que tanto fundamenta a interação na web: no meio digital continua valendo, pois é ação de cada usuário que o expõe e faz se relacionar com determinado conteúdo.

Já na TV, soterrada pelo mesmo besteirol de sempre, a passividade abalada apenas pelo botão do controle remoto, mas garantida pelo oligopólio da mesmice, é receptáculo perfeito para a maioria do UGC, gerando, como vimos lá no início, conteúdo gratuito e divulgação idem, pois quem envia seu conteúdo avisará para toda sua rede que estará na telinha.

E a TV faz uso do poder da internet

Há, contudo, exceções à regra e que são muito bem-vindas: novos estilos, conteúdos, segmentos, formatos e abordagens que com inteligência revitalizam a programação e tiram-lhe as teias de aranha; afinal, de teias e rede sabem tudo: acontecem antes na web para depois de testado o formato e o sucesso, invadirem sua casa via TV.

Consumo consciente: a essência da convergência

Como tudo na vida, lados bons, lados ruins, valendo muito mais o enfoque que damos, o canal que sintonizamos, aquilo que, ao consumir, incentivamos.

Esse é o verdadeiro poder da internet. E com todo poder, vem a responsabilidade - agora de cada um. [Webinsider]

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Sobre o autor

Klaus Denecke-Rabello (twitter.com/klaus2tag ) é consultor da 2tag.net, diretor de comunicação da AMIpanema, professor de comunicação digital da ESPM-Rio e consultor da campanha nacional de acessibilidade. Escreve blogs sobre desenvolvimento sustentável e filosofia e acredita no papel transformador das marcas.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ TV, vídeo ] [ comunidades ] [ conteúdo colaborativo ] [ blogs ] [ aplicativos web 2.0 ]

Comentários

1 pessoa comentou o artigo "A invasão de UGC nas mídias de massa"

Cristian Korny Data: 24/07/2009 às 5:43 pm

Atividade: Músico sem OMB

Cidade: São José dos Campos

concordo com a análise, mas quero acrescentar que esse quadro aí desenhado — do domínio dos blogueiros e tuiteiros feitos importantes pelo tecido social turbinado pela mídia tradicional — existe por um ‘rescaldo’ do que a mídia sempre foi, um processo decadente, porém existente, quase dominante, mas mesmo isso, essa zona de conforto, está com os dias contados…

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