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Mídia interativa - Criação

O que Cannes tem em comum com a Piracema?

02 de julho de 2009, 20:50

O festival é ecologicamente positivo para o mercado e para o Brasil. Areja e inspira. A batida alegação que Cannes não interessa mais cai por terra quando se ganha um Leão - aí o festival passa a ser o Oscar da propaganda novamente.

Por Fernando Aquino

De 21 a 27 de junho aconteceu o festival de Publicidade de Cannes. Estive lá pela primeira vez este ano, depois de um tempo integrando equipes com Shortlists e Leões em Cyber, a categoria interativa do festival.

Trabalho com produção de propaganda interativa, escrevendo programas de computador que fazem a parte computacional desses produtos. Não encontrei mais ninguém com o meu perfil no festival: a maioria do público com que tive contato é formada de clientes, diretores de arte, diretores de criação, redatores e executivos. Mesmo assim, considero que estava no lugar certo, e já explico o motivo.

Arriscarei dizer que melhor do festival não são os eventos nem os palestrantes, mas as pessoas nos corredores. É possível falar com quase todo mundo se você tiver um pouquinho de cara de pau.

Por que chamei Cannes de Piracema? É que gente de agenda cheia e de contato difícil se encontra disponível para trocar palavras naquele lugar, inclusive ensinando peixe mais novo, como eu.

Na Piracema, muitas espécies de pescado nadam contra a corrente e sobem a cabeceira do rio para desovar. A cabeceira dá uma chance maior de sobrevivência para a nova geração. Durante a jornada, os peixes se aprimoram: queimam gordura e amadurecem o aparelho reprodutivo.

Pelo menos enquanto neófito, Cannes foi para mim uma piracema de ideias, estímulos, contatos, aprendizagem e inspiração. Deixei o Palais satisfeito, a despeito de todos os problemas comentados pela cobertura (fantasmas, crise, desconexão, seminários ruins, injustiças de premiação, etc).

Voltei com crença renovada de que o festival é ecologicamente positivo para o mercado, e talvez até para o Brasil.

Da batida alegação que Cannes não interessa mais, farei uso do raciocínio publicado no Twitter de @marcelloserpa, talvez o grande vencedor do festival esse ano. Serpa disse que Cannes “não interessa” somente até o sujeito ganhar um Leão. Daí por diante, o festival passa a ser o “Oscar” da propaganda novamente.

As palavras de Serpa são um bom exercício sobre a necessidade de buscarmos opiniões relevantes sobre esses assuntos. Cento e quarenta caracteres podem ter mais peso que uma lauda inteira de argumentos.

Piracema pessoal rolando: trabalharei a correnteza para que nos encontremos presencialmente em Cannes Lions 2010. Até lá! [Webinsider]

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Sobre o autor

Fernando Aquino (nandico@gmail.com) é diretor de operações da Adjetiva.

Apoio:

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