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Mídia interativa - Desenvolvimento

A teoria e o mundo real na gerência de projetos

01 de julho de 2009, 11:48

A gerência de projetos interativos sofre demasiado com a questão de prazos. Infelizmente a realidade das agências é diferente das empresas que realizam grandes projetos de tecnologia.

Por Rodolpho Ramirez

Cena real: a mulher do atendimento entra chorando no departamento de tecnologia daquela grande agência web e pergunta por que o hotsite da campanha não vai ficar pronto no prazo que o próprio departamento de tecnologia passou.

A resposta vem (do gerente de projetos): “Porque não deu tempo de terminar”.

Ela retruca: “Mas você mesmo que passou o prazo!”.

Em seguida uma série de justificativas é mencionada, como, por exemplo: o projeto não foi especificado corretamente, o prazo passado não era realista (apesar de ter sido passado pelo próprio gerente de projetos), os programadores estão atolados de trabalho e já chegaram a virar noites, estão cansados etc.

Outra situação real: contratamos uma empresa de tecnologia para desenvolver o sistema de gestão de conteúdo (CMS) de um website. Após o envio do projeto detalhado, a empresa passou um prazo: 35 dias corridos. O prazo não foi questionado.

Com o projeto atrasado há 10 dias (após 45 dias do início) e muito estresse, perguntamos ao fornecedor a real expectativa para a entrega do projeto. A resposta: levaria mais 40 dias. Como é possível levar mais tempo (40 dias) para terminar um projeto do que o tempo inicialmente estipulado para fazer o projeto todo (35 dias)?

Muita gente não entendeu a terceira dica do artigo publicado aqui no Webinsider (Três dicas para gerenciar um projeto interativo). A dica sugere aos profissionais de atendimento e gerentes de projeto que “mintam” à equipe divulgando – por segurança – a ela um prazo menor do que o combinado com o cliente. A redação teve o objetivo de ser divertida e mostrar que na realidade é necessário se precaver, pois atrasos são comuns em projetos interativos, e manter uma margem de segurança pode ser uma boa estratégia.

É necessário provocar uma reflexão relacionada à imensa quantidade de projetos que não são entregues no prazo.

Não defendo que os profissionais sejam antiéticos (Nunca minta). Se o clima em sua empresa não for descontraído o suficiente para que você possa chegar ao programador e dizer algo do tipo: “Cara, eu vou te salvar! Como eu estava prevendo que este prazo poderia ser muito apertado para você, deixei uma margem de segurança de dois dias, então você tem mais dois dias para terminar o trabalho!”, não utilize esta técnica.

Não saia por aí mentindo. Use jogo de cintura, criatividade e flexibilidade. Manter dois prazos é uma técnica saudável que favorece a todos os envolvidos: a equipe de desenvolvimento terá uma margem de segurança para acomodar eventuais problemas, a agência conseguirá entregar mais projetos dentro do prazo, e o cliente ficará com uma ótima percepção da agência, principalmente se conseguir entregar projetos antes do prazo previsto.

É claro que nem toda agência precisa trabalhar desta forma. Se você tem uma equipe madura (como eu disse no artigo), com gestão participativa, comprometida, pode conversar com ela para decidir o que fazer em cada caso.

A maior parte dos profissionais que não entendeu esta dica não trabalha em agências. Trabalha em grandes empresas ou consultorias. Infelizmente a realidade das agências é diferente das empresas que realizam grandes projetos de tecnologia.

Primeiro porque, quando uma campanha entra no ar em rede nacional (na TV), uma tonelada de dinheiro é investida, e é necessário que a parte interativa entre no ar na mesma data. Um projeto que seria desenvolvido em quatro meses em uma software house deve ser desenvolvido em 25 dias em uma agência interativa.

A agência tem duas opções: fazer o trabalho ou perder o cliente. Muitas vezes são projetos complexos, em flash com action script e banco de dados, que envolvem interações do usuário, e em geral acabam atrasando.

Em segundo lugar porque uma agência de propaganda ou interativa é uma empresa de comunicação, e não de tecnologia.

Historicamente as agências deram muitas cabeçadas até começar a se especializar em tecnologia e gestão de projetos. A figura do “programador” foi endeusada; como ninguém entendia nada de tecnologia, os programadores tinham salários altíssimos e, muitas vezes, eram despreparados. Mas não havia ninguém na agência para avaliar a qualidade do trabalho de um programador.

Muitas agências estão sobrecarregadas, a equipe cansada e desmotivada, e mesmo assim é necessário entregar o trabalho em um prazo curto. O clima de guerra que se estabelece nas agências envolvendo equipe de desenvolvimento, gerência de projetos, atendimento e cliente não é fácil para nenhum desses profissionais.

Muitas vezes o atendimento não tem controle sobre a produção dos trabalhos. Não é ele quem impõe os prazos e também não é ele quem motiva a equipe, pois tem contato somente com o gerente de projetos – que por sua vez tem contato com os desenvolvedores. Ele confia no trabalho da equipe, que está desmotivada e não consegue entregar o trabalho no prazo.

Agora a pergunta: de quem é a culpa?

Todos reclamam muito, cada um consegue enxergar bem o seu lado. E quem está olhando a big picture?

Na próxima matéria, vamos citar as causas da confusão enorme que existe nas agências interativas e propor uma solução para elas. Vamos analisar como é possível “amadurecer” uma agência interativa. [Webinsider]

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Sobre o autor

Rodolpho Ramirez (rodolpho arroba pixel . com . br) é diretor da Pixel Comunicação Digital e mantém o blog Techomunicabilidade.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ programação ] [ formação profissional ] [ publicidade ]

Comentários

6 pessoas comentaram o artigo "A teoria e o mundo real na gerência de projetos"

Marina Data: 01/07/2009 às 12:45 pm

Atividade: Gerente de Conteúdo

Cidade: Belo Horizonte

Rodolpho, gostei muito dos dois artigos sobre o tema “prazos na agências web” e acredito que o 3º complementará bem o assunto.

Nossa agência, a Nitrato, tem investido pesadamente no desenvolvimento de processos internos e metodologias de trabalho - mesmo sabendo que não se pode engessar os processos, senão se perde a riqueza e o dinamismo essenciais.

Preocupamo-nos muito com a integração entre a equipe de criação e a de desenvolvimento - o que chamamos de ‘passagem do bastão’. Para garantirmos harmonia na passagem do bastão (ou seja, no trânsito do projeto entre pessoas e equipes) e assim garantir as entregas no prazo definido, gastamos um bom tempo - às vezes dias, às vezes semans - PLANEJANDO, esmiuçando os processos, definindo datas para cada mini-entrega. A bola passa para o Gerente de Projetos, que garante o cumprimento do crongrama.

Tem que ser uma engrenagem!

Abraço,
Marina.

Salomão Terra Data: 01/07/2009 às 3:29 pm

Atividade:

Cidade:

Sendo um pouco mais político, e optando pelo bom senso, acredito que há pontos positivos nos dois argumentos.
Em termos práticos:

Clientes grandes com projetos enormes: seja sincero.

Clientes pequenos com projetos de pouca duração: minta nos prazos para que a coisa saia rápido.

Projetos com maleabilidade na entrega de features (”ah! vamos fazer o básico, depois entregamos o sistema de vendas on-line”): cabem as duas estratégias.

Acredito que, acima de tudo, Gerência de Projetos envolve bom senso. Diga-se de passagem, profissionais desta função têm pecado muito na aplicação (não pensada) de modelos e práticas pré definidas.

Guilherme Tossulino Data: 01/07/2009 às 11:55 pm

Atividade:

Cidade: Florianópolis

Oi Rodolpho,

Dessa vez você foi menos radical e consegui entender melhor seus argumentos de apertar a TI para que as coisas funcionem e não atrasem.

Sei como as coisas funcionam nas agências e talvez o maior problema não esteja no prazo que a TI dá, mas sim como tudo acontece. Mas sei que isso não depende de uma ou duas pessoas, é algo que acontece o tempo todo. Cabe ao gestor descobrir a melhor forma de lidar com esse tipo de situação.

Abraços!

Leonardo Ronzani Data: 02/07/2009 às 3:50 pm

Atividade:

Cidade: São Paulo

Olá Rodolpho.

Bem interessante o artigo.

O controle da data de entrega do projeto é feito pelo gerente do projeto. A adoção de um processo de trabalho que avalia sempre (periodicamente) os riscos do projeto como: qualidade, prazo, orçamento, entre outros, pode ajudar a identificar variáveis surgidas durante o desenvolvimento do projeto que venham a acarretar em aumento de cada um dos riscos citados.

Um contato claro e relatório por meio de reuniões de alinha mento e de status report apresentado periodicamente ao cliente pode mostrar para o mesmo os riscos do projeto e sugerir manobras de acerto. Este relatório deve ser de conhecimento do CONTRATADO e CONTRATANTE para que ambos tomem as medidas e aprovem as mesmas conjuntamente evitando que a data final não seja cumprida.

Assim podemos controlar as “indesejadas” variáveis de riscos dos projetos e entregar o produto final com a qualidade esperada para o cliente.

É isso!

Um grande abraço!

Gilberto Data: 04/07/2009 às 3:17 pm

Atividade: Gestor de Projetos web

Cidade: belo horizonte

saudações a todos

trabalho com desenvolvimento de sites a 7 anos e vi muita coisa nesse período.

A maioria das vezes que vi uma agencia entregar projetos fora do prazo parte de um grande erro da propria agencia na hora de definir o projeto junto com o cliente.

As vezes o desejo de conquistar o cliente é enorme e extrapolam-se as promessas e sempre surge a ideia de uma estrelinha verda dançando e cantando “I feel good”. O cliente as vezes passa por uma grande questão: preciso estar na internet, mas nao sei ainda como entrar na internet.

A formatação de um plano de negócios, uma real e transparente apresentação de um serviço como um produto podem ser chaves fundamentais para o sucesso de uma agencia digital, mas acredito que voce falará sobre isso no proximo artigo

Maximiliano Catarino Data: 09/07/2009 às 10:07 am

Atividade: Desenvolvedor Web

Cidade: Belo Horizonte

O questionamento dessa matéria é interessante, de quem é a culpa?

Em minha humilde opinião o problema começa com uma questão cultural. A grande maioria das empresas não entendem como um software é desenvolvido e acreditam que possuir uma idéia é o bastante para solicitar uma proposta.

É muito comum algo do tipo: “Queremos um site com isso, isso e isso. Quanto custa e em quanto tempo pode ser desenvolvido?”.
Alguém vai até um engenheiro civil, diz que deseja um prédio de cinco andares e pede uma proposta?

Desenvolvimento de software é uma profissão nova e as pessoas, de modo geral, não entendem seus processos de criação. Acabam pedindo coisas complexas de maneira extremamente fácil.

Portanto, a idéia chega na equipe de TI e solicitam um prazo para desenvolver o sistema. A resposta será baseada na experiência da equipe. Porém, como é apenas uma “idéia”, os escopo do projeto costuma mudar, ou é compreendida de forma incorreta e o prazo é extrapolado.

As pessoas precisam entender que, para desenvolver um software, é necessário um projeto.

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