Filmes 70 mm no home video
28 de junho de 2009, 23:20A qualidade que faltava está chegando às telas de TV.
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A exposição de filmes fotografados em 70 mm nunca teve, até recentemente, imagem com qualidade compatível com os originais. Edições recentes em home vídeo mostram que este problema está finalmente solucionado!
O cinema e a distribuição de cópias de filmes para exibição usaram uma generosa variedade de formatos de negativo e de positivos, através das décadas do século passado. Entre eles estão os formatos de 8 mm, 16 mm, 35 mm e 70 mm, todos com trilhas de áudio em banda ótica, magnética ou digital.
O estoque de filme em 65 mm (base do positivo de exibição em 70 mm) foi inicialmente usado num processo chamado de “Fox Grandeur”, produzidos entre 1929 e 1931, em pequena escala. Na década de 1950, porém, a cinematografia em 65 mm tomou grande impulso, com o desenvolvimento e uso da “Câmera 65”, pela MGM, no filme épico Ben-Hur (1.25 de compressão anamórfica e 2.76:1 de relação de aspecto):

Processos como o Todd-AO, Super Panavision 70, Ultra Panavision (1.25 de compressão anamórfica), Technirama 70 e muitos outros similares, foram extensamente usados nesta época e mesmo hoje em dia, utilizados em algumas produções mais ousadas ou em efeitos especiais. A versão mais recente do ainda grande sucesso do filme em 70 mm é o processo IMAX.


O fotograma em 70 mm é resultado da combinação do negativo em 65 mm, acrescido do aumento da área em filme de 5 mm, para acomodar a trilha sonora magnética de 6 canais (5 na tela e um surround).
Durante um longo período de tempo cinemas do mundo todo foram abastecidos com cópias de distribuição desses filmes em versão 35 mm, CinemaScope, com 4 canais de áudio (3 na tela e um surround). Na década de 1960, porém, aumentou significativamente o parque de cinemas com instalação de projetores de 70 mm e, em alguns casos, telas de Todd-AO (por exemplo, no cinema Roxy, no Rio de Janeiro), com grande curvatura, exclusiva para exibição em 70 mm. Uma variante fotográfica do Panavision 70, chamada de Dimension 150, teve tela de projeção instalada em alguns cinemas (caso do Metro Boavista, no Rio de Janeiro), apesar de ter tido apenas dois filmes produzidos neste sistema.
A febre de exibição de filmes em 70 mm, durante a década de 1960 e 1970, impulsionou Hollywood para converter produções em 35 mm, novas e antigas, para 70 mm. O site Internet Movie Database (IMDb) tem uma lista desses filmes. A vantagem de projetar um filme 35 mm em 70 mm é aproveitar a melhor luminosidade do projetor e a capacidade de áudio para 6 canais. A propósito, o único projetor de cinema que ganhou um Oscar foi o Philips DP-70, e várias dessas unidades ainda estão em uso, em vários cinemas.
A evolução dos telecines
O método original de transferir filme para vídeo, acoplando-se uma câmera de TV colorida direto num projetor convencional de cinema (16 mm ou 35 mm) se mostrou totalmente inadequada, quando as primeiras mídias de vídeo em disco, na década de 1970, foram produzidas.
As primeiras modificações com algum impacto na melhoria da qualidade de imagem exigiu a troca pura e simples das fontes de luz (lâmpada de projeção) para tubo de fósforo incandescente, com iluminação mais uniforme do fotograma e tubos de captura em RGB, no lugar da câmera normal de televisão.
Essas modificações, entretanto, não foram suficientes, para tornar “assistível” filmes com alta resolução fotográfica ou, no caso dos negativos em 65 mm, com área fotográfica aumentada.
Uma das primeiras tentativas de transferência de negativo 65 mm para vídeo foi feita na transcrição do filme “West Side Story”, dirigido por Robert Wise, e supervisionada pelo próprio, para a edição “widescreen deluxe” da MGM, em laserdisc. O resultado final, infelizmente, foi apenas razoável. O laserdisc usava vídeo analógico 4:3, com uma baixa relação sinal/ruído e filtros de saída de tudo quanto era tipo para resolver isso. A saída dos players era por vídeo composto ou, em alguns modelos, por S-video, nenhum dos dois capazes de transmitir muito mais do que cerca de umas duzentas e poucas linhas de resolução. Além disso, o laserdisc, nesta época, ainda estava restrito ao áudio Dolby ProLogic, de 4 canais matriciais.
Com a entrada do DVD em cena, o uso extenso de telecines digitais aumentou, com a adoção do vídeo anamórfico e um aumento de 33% de resolução, sobre a área de 480 linhas usadas nos primeiros leitores. Além disso, o formato do DVD permitia a gravação e reprodução do vídeo componente digital.Até recentemente, o vídeo componente era transmitido exclusivamente pela saída analógica, e a transformação da informação digital para analógica (DAC ou Digital to Analog Conversion) dentro do aparelho de leitura. Hoje em dia, é possível abolir esta conversão, com o uso de cabeamento HDMI, e com upscaling até 1080p, para compensar a limitação das 480 linhas originais de resolução.
O uso de cópias de redução mantém a qualidade do negativo original
Um passo muito importante foi dado pela Warner Brothers, ao trabalhar com negativos de 65 mm fazer a chamada “reduction print” ou cópia de redução. A vantagem enorme deste processo é diminuir a área de exposição e captura no telecine, do negativo 65 mm para um negativo ou positivo de 35 mm, sem qualquer perda da informação fotográfica original e com a relação de aspecto preservada.
O leitor poderá observar, por si próprio, das diferenças que eu estou descrevendo. Basta acessar cópias em DVD dos filmes “A Noviça Rebelde” ou “Oklahoma”, ambas em Todd-AO, e compará-las com a edição de “2001, Uma Odisséia no Espaço”, feito em Super Panavision 70.
Ainda assim, a limitação de 480 linhas de resolução do DVD, mesmo com upscaling do sinal nativo para 1080i ou 1080p, deixa de reproduzir uma quantidade apreciável de nitidez e detalhes de baixo relevo, sem falar na reprodução da gama de cores, que os telecines atuais conseguem capturar. Neste particular, é digno de nota que a cor é um dos elementos da imagem de vídeo que sofre a maior parte da compressão no processo de gravação em MPEG-2.
A evolução desejada!
Os telecines digitais atuais atingem a marca de seis mil linhas de resolução, podendo chegar até oito mil linhas em breve. Em transferências, de filme para vídeo, recentes, o emprego de duas a quatro mil linhas (2K e 4K, respectivamente) tem trazido resultados espetaculares aos olhos do consumidor de home vídeo.
Edições em DVD, mesmo com uma qualidade para filmes de 35 mm razoavelmente satisfatórias, não são suficientemente competentes para revelar a magnitude da resolução da área fotográfica e da cor dos originais em 70 mm.
Por outro lado, os vários processos de obtenção de novas matrizes digitais, seja a nível do laboratório onde o filme é transferido, seja a nível da preparação das mídias para o consumo doméstico (D-VHS, HD-DVD, Blu-Ray), têm possibilitado a recuperação da qualidade dos negativos em 65 mm, de forma nunca antes realizada.
As edições atuais em Blu-Ray (2001 ou South Pacific, e vários documentários em IMAX) nos dão uma idéia do que ainda vem por aí. Pessoalmente, acho pouco provável que a indústria de cinema volte a adotar os processos de filmagem baseados no negativo em 65 mm. Porém, diante da quantidade de filmes deste tipo nunca antes vistos com a qualidade original, em uma instalação de home theater, todo e qualquer investimento e novas edições em home vídeo são plenamente justificáveis, e, desnecessário dizer, mais do que bem vindas! [Webinsider]
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1° Felippe Data: 29/06/2009 às 10:45 am
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Seus textos são excelentes!