Não deixem o Fernand falar pela minha boca
25 de junho de 2009, 0:40O sujeito copiava tudo, até que um dia empacou.
Por
- Vocês têm que demitir esse fdp do Fernand! Esse **+! está estragando o site. Tira esse cara!! Manda ele pra **+!
Estávamos em 2003 e chega esse e-mail enviado por um leitor. Na época o Webinsider ainda não tinha espaço para comentários.
Sabemos que alguns usuários de internet reagem como o torcedor que xinga na arquibancada do futebol, mas aquele estava realmente furioso.
Logo caiu a ficha. Aposto que ele acabou de ler “Sexo virtual”, artigo do Fernand Alphen recém-publicado, pensei.
Era isso mesmo. Fernand Alphen, publicitário da F/Nazca, um dos meus autores favoritos e colunista do Webinsider desde o primeiro dia, sempre foi corajoso no seu gosto por lançar verdades no ar – para polemizar e fazer o povo pensar.
Naquele texto ele defendia com simplicidade que manter relacionamentos pela internet era sadio – e até melhor do que não manter relacionamento algum. Ainda faltava muito para surgir o Orkut.
Por ser meio profeta, muitos textos do Fernand provocam disparos de leitores.
Mas o diabo está nos detalhes. O endereço de e-mail do Fulano leitor era o de um provedor de acesso, curiosamente do norte do Espírito Santo, da cidade onde nasci.
Respondi o e-mail do rapaz na mesma hora:
- Fulano, tudo bem você discordar de uma opinião, mas por que tanto ódio?
Meia hora depois chegava a resposta:
- Desculpe, eu fiquei nervoso e fui impulsivo. Na verdade gosto muito do site e leio sempre. Desculpa aê, foi mal mesmo.
Antes de continuar a conversa, fui dar mais uma olhadinha no site da empresa do Fulano leitor. Havia lá uma área de noticiário local, com roteiros de festas e eventos. Tudo muito animado, fiquei até orgulhoso da cidade. Só não era ainda uma rede social porque não havia as ferramentas. Mas faltava pouco.
E agora vem o melhor: uma das áreas de conteúdo em destaque no site era uma coluna assinada pelo próprio Fulano.
Quer dizer, coluna dele nem tanto, porque Fulano não escrevia nada, apenas copiava os textos do Fernand no Webinsider e os colava no site da empresa, como se fosse o autor.
Daí entendi logo – ele gostava muito do que o Fernand falava e adotava o discurso avançado como se fosse dele.
Mas detestou a última coluna e se recusava a assinar o texto!
A coluna do cara não mencionava o nome do Fernand, nem da publicação de onde copiou e nem apontava um link para original. Era como se fosse texto dele. Tudo corria bem, até que o verdadeiro autor resolveu estragar tudo, dizendo que sexo virtual era bom. Credo, o nosso leitor não podia ter aquela opinião e escrever aquilo jamais! Eu hein!
Respondi o e-mail.- Ah Fulano, vejo que você é da minha cidade. Também sou capixaba. Moro no Rio desde criança, mas minha família é daí e sempre vou visitar.
Ele respondeu calorosamente.
- Que legal! Então quando vier me avise e vamos nos conhecer, vai ser um prazer.
E ficou por isso mesmo. Estive lá muitas outras vezes mas nunca o procurei.
Mas por que não cutuquei o rapaz? Por que não critiquei o copy+paste, por que não o estimulei a escrever seus próprios textos, antes que os blogs decolassem.
Poderia ter dito que copiar é feio, que a lógica da internet é o link etc. Mas não. Desanimei diante da luta inglória. É legal quando os leitores vêm buscar trechos para trabalhos escolares e monografias. É essa a ideia: difundir conhecimento, aprender, refletir e passar adiante.
O caso do copiador que renegou seu autor favorito é engraçado. Rolava uma identificação. Depois dele vieram os chatos que copiam para conseguir uns trocados com anúncios do Google e programas de afiliação. [Webinsider]
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1° Anselmo Battisti Data: 25/06/2009 às 8:09 am
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Eu particularmente fico muito triste qnd acontece caso de um copy paste sem referência, ainda mais qnd eh em outro blog!
Pior ainda são aqueles bots que pegam os dados dos RSS e publicam nos SEUS sites sem referência, o cara nao se deu nem ao trabalho de LER o que vai pro ár, mas no fim o justo geralmente sobrevive e o copiado bom este é recortado e numca mais eh colado!