O Word não é o pai dos burros e a língua sofre
19 de junho de 2009, 19:52Nossa amiga se queixa de auguns autores que não escrevem nada intereçante e mesmo assim não deicham de maltratar a língua portuguesa, em total desincontro com a gramática.
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Com a difusão e a popularização de ferramentas como blogs, sites e redes de relacionamento em geral, pode-se perceber a falta de trato que muitos internautas têm com o nosso rico idioma.
O assunto não é novo, mas há quem ache, por exemplo, que o Microsoft Word substitui definitivamente a gramática. Esperam que a ferramenta seja capaz de corrigir os erros mais bárbaros de ortografia e de sintaxe da Língua Portuguesa. Basta escrever digníssimas ideias e esperar que o Word se encarregue de ajustar o resto.
Para se escrever bem, além de boas ideias, é essencial ter um ótimo domínio da língua. Apenas redigir orações aleatórias, sem a preocupação de que elas estejam compreensíveis e concatenadas, não faz de ninguém um bom redator.
Pior ainda, demonstra falta de respeito com o leitor.
Pablo Neruda, no intuito de popularizar o ato de registrar palavras, afirmava que escrever era uma tarefa muito simples: bastava começar com uma letra maiúscula e terminar com um ponto final. No meio, colocavam-se as ideias. Apesar da simplificação, o processo não é tão fácil quanto parece. Exige-se um trabalho árduo e insistente, incompatível com a velocidade com que as situações acontecem e precisam ser realizadas.
Como professora de uma conceituada escola particular na minha cidade (Recife), já vi estudantes do ensino médio, prestes a cursar uma faculdade, escrevendo absurdos como “auguns”, “intereçante”, “deichei”, “incontro”.
São palavras tão usadas no cotidiano e, no entanto, ainda tão desconhecidas por esses velhos novos usuários do irresistível computador. Sem contar nos textos nos quais se leva muito a sério a máxima de Neruda e, afora o ponto final, não existe outra pontuação. Torna-se, muitas vezes, impossível compreender aquele amontoado de palavras.
O uso do dicionário também tem se tornado uma prática jurássica. Mesmo que autores e editoras tentem superar os obstáculos virtuais, com o lançamento de dicionários online e em CD, a facilidade do corretor-padrão do Word é recorrente. E assim a pesquisa vira um processo banal e chato, nos levando a perder a oportunidade de enriquecer nosso vocabulário.
Nessas redações pós-Word e internet, há quem apele ainda para emoticons e expressões peculiares do mundo virtual, mesmo em textos formais. São as famosas carinhas “=)” ou “hehehes”. Sem contar nas abreviações “mtas” e “p/”. Entre tantas outras.
Por mais absurdo que esta prerrogativa possa parecer, conheço pessoas que acreditam que a língua portuguesa em sua forma culta só é usada, hoje em dia, em provas de concursos públicos ou de vestibulares. E que, no dia-a-dia, haverá sempre uma ferramenta online ou um processador de textos capaz de ajudar qualquer pessoa a escrever uma boa redação.
É claro que também de nada adianta um texto gramaticalmente correto sem nada a ser dito. E não é essa problemática que se põe em questão aqui. Muito pelo contrário. Ao se navegar pela internet, é fácil encontrar pessoas com bastante criatividade e ideias brilhantes para registrar, mas que muitas vezes têm dificuldade ou até mesmo receio em divulgá-las nos meios tradicionais.
Que o uso excessivo do computador na elaboração de textos, aliada à falta de prática e de uma sistematização de leitura adequada, têm afetado o bom Português, já não é novidade para ninguém. Precisamos, agora, encontrar meios de otimizar as ferramentas do computador em prol de uma maior assimilação das regras do idioma. De modo a poder unir a difusão de conhecimentos com a prática excelente da escrita. Sem apelar para as maneiras fáceis e falsas de obter um bom texto. [Webinsider]
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1° Lúcio Lima Data: 19/06/2009 às 8:24 pm
Atividade: Administrador
Cidade: Recife/PE
Rosália, gostei de seu texto. E concordo que o nosso idioma é difícil. Mas o Word tem me ajudado a corrigir a ortografia, erros comuns em inversões de letras, ou desconhecimento mesmo da formação da palavra. Quanto à gramática, o Word “tenta” me lembrar algumas regras, e isso também é bem vindo. Claro que tenho muito o que aprender!
Fui datilógrafo desde os 8 anos (já passei dos 45 anos), e uso o teclado olhando para o monitor enquanto escrevo (digito) o texto. Fico maravilhado em formatar as margens, porque sofri muito em datilografar várias vezes o mesmo texto.
Você me despertou para um fato importante. Agora vou redigir os meus textos olhando a gramática e ortografia, além de semântica e outras pérolas do idioma.
Muito obrigado pelas dicas!
Abraços nordestinos.
Lúcio