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Carreira - Criação

O ego e o lego, ainda bem que temos os dois

03 de junho de 2009, 21:48

Temos dentro de nós uma criatura que não para de pensar. Na verdade ela quer apenas que você a ouça. É melhor ouvir logo e aproveitar o que tem de bom. Daí ela sossega.

Por Carlos Nepomuceno

Deixe o texto descansar sobre a geladeira durante uma noite, como massa de pão. Isso quando você tiver esse tempo todo, é claro. No dia seguinte, logo pela manhã, você vai ver como a idéia vem, fresquinha, descansada, brilhante!“. Waldemar Ciglioni – do livro Deu Branco.

Quem é essa criatura dentro de nós que trabalha enquanto dormimos?

Outro dia eu estava pensando nisso. Essa vida de blogueiro, doutorando, palestrante e consultor é trabalho mental o tempo todo. Chega no sábado você quer relaxar, mas o freio não funciona.

Achava que era o meu ego que não se desintonizava. E logo cedo já me irritava com o pensamento obsessivo. Um dia – seguindo os conselhos dos mais sábios – deixei de resistir e observei o que vinha.

E, na verdade, era um quase assessor interno que vinha despachar as pendências da semana. Resolvi batizar esse assessor desconhecido de lego. O ego todo mundo já ouviu falar.;)

O lego chega para… despachar com o “presidente”, no caso você mesmo:

  • Assunto 1 - uma boa sugestão esta;
  • Assunto 2 - outra boa ideia, aquela.

Nessa, descobri que, na verdade, a nossa mente não para enquanto dormimos, ela continua a operar em cima das demandas passadas.

E, ao invés de reclamar, peguei um papel e lápis e comecei a anotar as dicas.

Ok, ok, bom, parabéns, muito bem, ótimo trabalho.
Fechou?  Ok, posso ir agora para o fim de semana?
E já entrei no sábado sem criar marola, (ficando unplugged)  ou seja, sem abrir computador, ler e-mail, livro ou revista de trabalho.

Deixando o ego quieto, sem acionar, por sua vez, o lego. Com isso, dá uma limpeza no sótão. No domingo, tava limpo, às vezes vem uma ideia ou outra. E taco num caderno e deixo lá para entrar na segunda com eles, mas sem prejudicar o período sabático e fundamental de descanso mental do fim de semana.

Quando o despacho não é objetivo também pode dar uma atrapalhada. Chega uma hora em que o papo fica repetitivo. E aí tem que dar aquela parada.

É sutil a fronteira do ego e do lego. Um fio tênue. A diferença: o ego é repetitivo e o lego criativo. O ego é compulsivo. O lego vem e vai.

É um pouco o que o Lévy disse no livro Cibercultura. A palavra Pharmakon, grega, é remédio ou veneno, depende da dose.

O mesmo ocorrer com o ego (compulsão) com o lego (criatividade). Um pode invadir o espaço do outro. Cabe-nos observar e não deixar.

É delicada a operação, mas fundamental para a sua saúde mental! Concordas? [Webinsider]

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Sobre o autor

Carlos Nepomuceno (nepomuceno@pontonet.com.br) é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da Pontonet. Mais dele no blog CNepomuceno e no Twitter.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ formação profissional ] [ inovação ]

Comentários

1 pessoa comentou o artigo "O ego e o lego, ainda bem que temos os dois"

Pry Data: 08/06/2009 às 1:25 pm

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Oh Meu Deus … Achei que nunca seria compreendida..

Avisos
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