Os formulários online e os testes de paciência
29 de maio de 2009, 16:59Aceitamos a existência dos formulários, mas que sejam bons para o usuário. Do contrário, muita gente começa a desistir de fazer mais um cadastro em mais um site para ter acesso a mais uma funcionalidade na internet.
Por
Quantas vezes você já entrou em um site, clicou em um botão e recebeu como resposta uma mensagem mais ou menos assim: “Você precisa ser cadastrado e estar logado para realizar esta ação. Faça seu login (com link para os campos) ou cadastre-se (com link para o formulário)”?
Certamente não foi uma, nem foram duas as vezes em que uma situação assim já aconteceu, não é?
Se você quiser muito chegar até onde aquele botão te levaria (mas só te levaria se você fosse cadastrado e estivesse logado, claro), como durante uma compra online ou para baixar algum conteúdo e até mesmo para participar de alguma promoção (casos em que a obrigatoriedade de um cadastro é completamente justificada), é válido ir até a página de cadastro, realizar todo o processo, receber um e-mail de autenticação, autenticar seu cadastro e, então, poder se logar e (ufa!) ir até lá clicar no bendito botão novamente.
Mas, nem sempre é assim. Há sites que “fingem” entregar um super presente e, na verdade, sua única intenção é conseguir o máximo de cadastros possível, como se possuir uma base cheia de e-mails significasse sucesso. Ser obrigado a preencher um cadastro imenso só para, por exemplo, recomendar um produto, votar em alguém ou comentar sobre algum conteúdo (achei que os usuários deveriam ser incentivados a fazer isso e não enfrentarem dificuldades só por quererem participar) é brincar com a paciência do usuário.
Nessas horas, é mais fácil fechar a janela do browser e seguir em frente.
O problema é quando precisamos, de verdade, preencher algum formulário na internet. A partir do momento em que é unânime a opinião de que preencher campos em branco é muito chato, por que não tornar esse momento um pouquinho mais agradável?
E escrevo isso partindo do princípio de que os formulários estejam funcionando perfeitamente. Porque antes de ser legal, os cadastros precisam funcionar e, pasmem, muitos deles estão cheios de bugs e simplesmente não permitem que o pobre usuário termine sua árdua tarefa em paz!
Mas, vamos imaginar que o cadastro esteja em perfeito funcionamento. A partir daí, é preciso pensar se a maneira que os campos são apresentados e se a organização da informação estão primando pela qualidade, pela satisfação do usuário e pelo preenchimento das informações com menos “sujeira” possível, formando uma base limpa e minimizandos os erros/dúvidas. Para isso, as métricas são fundamentais.
E é dever do arquiteto de informação, sempre alinhado com a equipe de tecnologia e de design, estudar o público-alvo, o objetivo do cliente/site, as boas práticas e realizar testes sempre que necessário. Não podemos esquecer também da acessibilidade, porque é inadmissível existirem tantos sites de e-commerce (só para citar um exemplo) que não permitem que todos os tipos de usuários cadastrem-se e comprem online.
Um caso clássico são as captchas, aquelas imagens que apresentam vários números/letras distorcidos para o usuário repetir em um campo ao lado ou abaixo. Um leitor de telas, como sabemos, não consegue ler imagem. Como um usuário deficiente visual poderá, então, completar um cadastro que faça uso desse tipo de verificação?
No site A list Apart (em inglês), são realizadas comparações muito ricas entre sites que prestam o mesmo tipo de serviço ou que possuem as mesmas funcionalidades. A diferença entre as maneiras em que os formulários são apresentadas é gritante e pode fazer toda a diferença no momento de decidir se devemos ou não fazer mais um cadastro em mais um site para ter acesso a mais uma funcionalidade na internet. O primeiro exemplo apresentado é de 2007 e compara o Google Vídeo com o Jumpcut.
O primeiro site apresenta um longo cadastro assim que você clica no botão para fazer o upload de um vídeo. Já o segundo realiza o upload, apresenta as opções de edição e, só depois que você já está familiarizado, está por dentro do que o site oferece e já sente o gostinho do seu vídeo no ar é que o formulário de cadastro, simples e objetivo, deve ser preenchido.
Em um artigo da Smashing Magazine (em inglês), estudos muito esclarecedores são apresentados sobre diversos aspectos dos formulários: o nome mais comum utilizado para a área de registro/cadastro do site, os locais em que esses links são comumente posicionados, o alinhamento dos campos, a obrigatoriedade, o design, entre outros. No site do livro Designing Interfaces também há vários insights sobre a maneira de organizar e projetar formulários.
Outro fator muito importante é o alinhamento e a posição dos botões de ação, como o enviar, voltar, cancelar, desfazer. Sobre isso, Rogério Pereira publicou um post bem interessante.
E para quem quer se aprofundar no assunto e fazer a diferença no momento de planejar e de projetar formulários (os usuários agradecem!), vale a pena conferir a apresentação Melhores Práticas para Formulários Web (em inglês), elaborada por Luke Wroblewski. [Webinsider]
.



1° Horacio Data: 30/05/2009 às 8:36 am
Atividade: Executivo de TI
Cidade: Belo Horizonte
Carla,
Parabéns pela escolha do assunto e pela maneira como ele foi exposto, achei muito legal mesmo.
Estou indicando a sua opinião e a matéria da Smash no nosso site que será lançado em breve - ele está em “alfa” no endereço que preenchi no formulário bem feitinho acima
Um abraço e mais uma vez parabéns!