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Redes sociais - Métricas

Ruy Carneiro
Analytics

Métricas em mídias sociais

14 de maio de 2009, 0:43

Estamos começando a medir o impacto de marcas e sites nas redes sociais.

Por Ruy Carneiro

As empresas sempre destinaram muita verba de marketing para promover suas marcas. Até pouco tempo isso era um processo mais simples de alcançar, desde que se tivesse dinheiro, pois havia mais controle sobre como o trabalho seria realizado. E uma pesquisa ajudava a verificar o esforço de colocar determinada marca como a número 1 na mente dos clientes.

Este trabalho ficou mais complexo com o crescimento das mídias sociais. E as possibilidades e o impacto proporcionados por essas mídias preocupam as empresas.

A web possibilitou que a conversa entre amigos sobre determinada marca ganhasse uma dimensão nunca vista. A boa noticia é que podemos sim medir e entender melhor a relação das marcas com os clientes.

A má noticia é que apenas estamos arranhando estas possibilidades. Isso ocorre também por causa dos diversos tipos de mídias sociais que se criaram e as tecnologias que as envolvem.

Exemplos de mídias sociais

  • Autoral – WordPress, Blogger, Twitter, Flickr, YouTube e Picasa;
  • Grupos de Discussões – Yahoo Grupos, Google Grupos e Yahoo Answers;
  • Comunidades – Facebook, Xing, Orkut, LinkedIn, Ning e My Space;
  • Colaborativos – Wikipedia e epinions;
  • Bookmarking – Delicious e Digg;

Como medir

Para entender o que se passa neste novo cenário, deve-se levar em consideração fatores antes não analisados, tais como influência, engajamento, visibilidade, geração de conteúdo do cliente, motivações, dinâmica. Alguns deles já eram analisadas pela turma do web analytics, mas em um plano mais gerenciável, do site.

O tema é tão amplo que merece um livro para tratar todas as possibilidades, mas para dar um primeiro passo é preciso dividir a coleta de informações em duas grandes áreas:

1. Interna, dentro do site e medida pelo web analytics tradicional, e
2. Externa, que necessita de outras ferramentas e pesquisas.

Coleta interna

Sob o ponto de vista de coleta interna, o trabalho pode ser dividido em três grandes fases:

Visibilidade. Seria a análise de alcance para a análise tradicional do site, ou seja, quão bem o site está avisando ao mundo que existe. Para esta fase pode-se trabalhar com métricas como:

  • Visitantes novos x visitantes que retornam - importante para entender se a divulgação está sendo feita de forma eficiente e ao mesmo tempo se os visitantes estão sendo fidelizados;
  • Fontes de tráfego – de onde vêm as pessoas para o meu blog, o meu site e como está o trabalho de parcerias;
  • Visitante único, páginas vistas e tempo de permanência x taxa de rejeição – aqui é possível saber quantas pessoas estão sendo atingidas e se o site está levando a elas o que procuram. A taxa de rejeição (bounce) que é analisada em um site normal deve ser analisada junto com o tempo de permanência para entender se os objetivos estão sendo atingidos. Blogs que são constantemente visitados podem ter uma taxa de rejeição altíssima, já que as novidades estão sempre na primeira página. No entanto, cumprem com o seu objetivo de informar, já que o fator tempo nos mostra que a pessoa leu os textos novos que foram publicados;
  • Palavras-chave – como as pessoas estão achando o site;

Influência – esta é a análise da área de influência de suas ideias.

  • Geografia, idiomas – lembrando que o sistema de distribuição de IPs no Brasil é um total desastre e que os dados coletados pelos web analytics possuem muitas distorções. Tema já discutido em post no blog da WA Consulting;
  • Conexões, perfis, membros – estas métricas mostram quantas pessoas estão nos seguindo e os perfis deles em nossas redes de relacionamento

Engajamento – a análise de interação dos visitantes serve para entender o que eles procuram e como você pode atendê-los melhor.

  • Frequência de publicação x comentário por post;
  • Ações com vídeos e podcasts;
  • Viralização de gadgets, que podem ser medidas via web analytics, mas que são limitadas ao que ocorre a partir do site e o uso dele;
  • Tom das opiniões que são feitas nos comentários. Este é um trabalho que mostra o sentimento do visitante ao comentar sua publicação;
  • Recência, frequência, profundidade das visitas – métricas encontradas nos web analytics de mercado que mostram a quanto tempo os visitantes vêm ao seu site e com que frequência;
  • E-mail direto, assinatura de RSS – métrica que deve ser usadas com outros serviços especializados como o seu sistema de e-mail marketing e serviços como o FeedBurner;
  • Conteúdo, buscas internas – quais os conteúdos mais lidos e quais os temas mais procurados;
  • Feedback – que pode ser conseguido através de enquetes em seu site ou blog.

Área externa

Quem já tentou acompanhar os diversos serviços que podem trazer informações sabe das dificuldades. Por isso, para a área externa ao site, o mercado começa a lançar serviços que podem mostrar o que ocorre fora de suas fronteiras.

Seguir a marca da empresa em sites como Delicious, Digg, Twitter, fóruns e comunidades é trabalho para robôs especializados que já eram disponíveis em empresas de relações públicas e agora em empresas de pesquisa.

Serviços disponíveis de acompanhamento que provêm informações quantitativas e qualitativas da exposição de sua empresa, além de identificar temas e tópicos, oportunidades, formadores de opinião e mostrar o mapa completo de sua marca nas mídias sociais:

Ferramentas gratuitas:

O Buzz Metrics da Nielsen Online é um exemplo de serviço que está chegando ao país através do Ibope. A ferramenta traz um mapa da marca da empresa e todas as possíveis conexões encontradas nas diversas mídias sociais.

Para se ter uma visão da complexidade deste tipo de trabalho, a própria WAA (Web Analytics Association) está trabalhando na definição de padrões para medir mídias sociais.

O motivo de ainda não haver um padrão é porque a cada dia surgem mais maneiras das pessoas interagirem utilizando novas tecnologias e o crescimento exponencial destes meios. Exemplo disso é o Twitter que a pouco não existia, e de repente explodiu em todo o mundo e as pessoas o utilizam através de serviços como TweetDeck.

A dica é: nenhuma métrica vai ajudar a entender os visitantes do seu site ou se você está fazendo um bom trabalho na internet, se antes não houver a definição dos objetivos do site e o conhecimento da necessidade de informação para que se possa tomar decisões. Mais uma vez um forte aliado nesse momento é o planejamento, fundamental para o melhor entendimento deste mundo 2.0. [Webinsider]

.

Sobre o autor

Ruy CarneiroRuy Carneiro (ruy.carneiro@waconsulting.com.br) é sócio da consultoria WA Consulting, especializada em web analytics e análise de métricas.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ buscadores ] [ comunidades ] [ conteúdo colaborativo ] [ aplicativos web 2.0 ] [ gestão ] [ Comunicação corporativa ]

Comentários

10 pessoas comentaram o artigo "Métricas em mídias sociais"

Flavio Pripas Data: 14/05/2009 às 9:59 am

Atividade: Internet

Cidade: São Paulo

Estou investindo numa rede social de Moda e, ao contrário de redes sociais verticais - como Orkut, MySpace, Facebook, etc. - as ações de marketing em redes sociais verticais (de nicho ou com tema específico) podem ser mensuradas com muita qualidade uma vez que o público já está 100% qualificado.

Sugiro uma visita ao nosso site - http://www.bymk.com.br - para um exemplo “vida real” de ação de marketing em mídias sociais, totalmente direcionado, que as Lojas Renner estão fazendo conosco.

Abraços,
Flavio

Fábio Carvalho Data: 14/05/2009 às 10:26 am

Atividade: Webmarketing

Cidade: Rio de Janeiro

Ruy,
parabéns pelo texto. Trata-se de um excelente guia até para newbies que desejam entender melhor o mundo das mídias sociais. Trabalho com internet para uma conceituada editora e há um ano desenvolvemos nosso branding através da web, utilizando mídias sociais. Há muito a ser feito ainda, mas não tenho dúvida de que engaging e estreitamento das relações com nossos consumidores é o caminho certo.
Grande abraço,
Fábio.

Ruy Carneiro Data: 14/05/2009 às 10:28 am

Atividade: Consultoria em Métricas

Cidade: São Paulo

Flávio,
realmente quando se é o dono da rede social, mensurar fica mais fácil, é o caso das métricas que o FaceBook, Orkut e outros conseguem extrair de suas redes.
O problema maior é como mensurar sob o ponto de vista da empresa que usa estas redes para expor sua marca ou mesmo quando sua marca é exposta sem o gerenciamento destas empresas.

E parabéns pela iniciativa da Renner, já que veremos cada vez mais redes sociais verticais para públicos específicos.

Abraço,
Ruy

Marisa Data: 14/05/2009 às 10:31 am

Atividade: Internet

Cidade: Rio de Janeiro

Muito legal o artigo, Ruy. Não conhecia muitas dessas ferramentas, serão bastante úteis. Estamos engatinhando em mídias sociais ainda, há muito o que aprender. Valeu!

Flavio Pripas Data: 14/05/2009 às 7:39 pm

Atividade: Internet

Cidade: São Paulo

Com certeza Ruy - de fato as empresas vão ter que construir estruturas capazes de acompanhar o que está acontecendo nas mais variadas redes sociais e, quando possível, fazer parcerias para extrair as métricas com qualidade.

No nosso caso, vamos oferecer para as marcas de moda vários relatórios de forma que elas possam acompanhar o que está acontecendo na rede social - uma vez que o conteúdo gerado pelo usuário é muito rico.

Parabéns pelo artigo,
Flavio

Fabricio Data: 14/05/2009 às 8:22 pm

Atividade: Publicitario

Cidade: SP

Ruy, boa noite. Muito bacana o teu texto. Trabalho com umas das maiores montadoras do pais e estamos com um trabalho forte em ações de SMO (orkut, twitter e blogs). O produto que estamos ativando tem um nicho muito específico e estamos tendo ótimos resultados. Os números sobem a cada dia, mas me “angustia” um pouco o quão estes números são “reais”, são relevantes e principalmente esta referencia de números ótimos é com base em que?Talvez comparativos podem nos ajudar a avaliar melhor. O que pensa?
Abraço.

Daniela Data: 15/05/2009 às 12:07 pm

Atividade: Mídia Digital Interativa

Cidade: Rio de Janeiro

Meu comentário sairá um pouco do tema métricas (sim, era o que estava faltando!) mas sigo no assunto das redes sociais. Um pouco mais filosófico talvez. Até chato para alguns. Mas enfim, livre expressão.

Outro dia, lendo o artigo http://tech.yahoo.com/news/ap/20090408/ap_on_hi_te/tec_sociability_fatigue, me identifiquei com o 1/3 dos entrevistados que se dizem um tanto fatigados com o “advento” e com a vida de conexão fulltime. Talvez pela minha profissão e área nunca devesse confessar isso publicamente. Mas o fato é a vida virtual, seja ela em qualquer plataforma, tem me despertado um certo cansaço. O twitter me cansou. Falar no Messenger também. Entendo-os como importantes ferramentas para muitas campanhas dos meus clientes, mas a mim, pessoa e não profissional, eles já não atraem. Assim como todas as outras plataformas, como Orkut, Facebook, Linked In e por aí vai. É muita coisa. E mais, tomam muito tempo, que já anda raro.

A nossa sociedade real já nos impõe padrões bem rígidos de sucesso, enquanto na verdade, sucesso deveria ser uma definição completamente pessoal e subjetiva… e as redes sociais, ou seja, a nossa sociedade virtual, reforça ainda mais a imposição da sociedade real: todos somos lindos, bem sucedidos, estamos felizes, temos frases bacanas a dizer em 144 caracteres, referências legais para passar, estamos ligados em todas as tendências… e tudo é tendência, nada é, nada está, tudo está por vir.

Tenho achado tudo isso muito superficial, beirando o falso. Será que para esse caminho, da superficialidade humana, que estamos nos dirigindo?

Acredito (e no fundo desejo) que o cansaço dessa superficialidade que temos visto e vivido nas redes sociais virtuais, a médio prazo, crescerá. Assim como acredito e desejo que diminuirá a necessidade de conexão virtual, em troca por busca de profunda conexão com o real.

Sei que minha crença e desejo vão completamente contra todos os indicativos de crescimento das redes e da dependência tecnológica, principalmente com relação à geração mais jovem, o pessoalzinho mais novo que já nasceu falando no Messenger. Assim como sei que meu próprio trabalho sofrerá danos se minha crença e desejo se concretizarem. Mas nesse momento “confesso, logo existo”, preciso confessar: minha preocupação com o futuro da sociedade e da minha própria vida são maiores que a preocupação sobre o meu trabalho.Todos sabemos todos fazer outras coisas, desempenhar diferentes funções.

Enfim, apenas mais um desabafo, um “confesso, logo existo”.

OBS: “Confesso, logo existo” é uma expressão citada no livro Trendzoom, do Grupo Aegis Media, publicado no Brasil no ano passado.

Ruy Carneiro Data: 15/05/2009 às 4:27 pm

Atividade:

Cidade:

Fábio, Marisa e Fabricio, obrigado pelo elogio ao artigo, mas estamos só engatinhando, ainda temos muito que aprender com tudo o que ainda tem para surgir por ai:-)

Daniela,
fique tranqüila, o espaço é aberto para desabafos também, rs. Mas o que vemos nesta geração mais novas que só vão mudar do PC para o celular, mas a mídia social vai continuar em alta por muito tempo.

Ana Priscila Clemente Data: 11/06/2009 às 3:34 pm

Atividade:

Cidade:

Muito legal sua abordagem. Porém, tenho uma dúvida: essa parte de exemplos de midias sociais vc retirou de algum livro? caso sim, me passa a fonte. Obrigada!

10° Ruy Carneiro Data: 11/06/2009 às 8:05 pm

Atividade:

Cidade:

Oi Priscila,
esta abordagem é a que usamos em nossa consultoria e creio que é utilizada, com variações, em outros lugares. Não teve nenhum livro usado como base, mas pesquisando na Amazon vi que tem vários livros a este respeito, de uma pesquisada por lá que você talvez ache algo interessante :-)

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