Webinsider

Mídia interativa - Redes sociais

Sobre celebridades relâmpago, internet e maiôs

29 de abril de 2009, 17:59

Não seja fake de si mesmo. Faça a internet ser parte de um objetivo maior e global. Integre-a ao planejamento estratégico. Faça ações casadas e sincronizadas com outras mídias, consistentes e verdadeiras. O resultado virá.

Por Ricardo de Bem

Não seguirei a ordem do título. Começarei pelos maiôs. Foram notícia, nos últimos dias. Não os maiôs comuns, mas aqueles simulando pele de tubarão, pra natação, sabe? Os engenhosos “sharkskin”. Muita gente não lembra, ou nem acompanhou as olimpíadas de Sydney 2000, mas o sujeito que usou um traje desses (o Fast Skin) pela primeira vez nos jogos olímpicos foi Ian Thorpe, o “thorpedo”. Um australiano de 17 anos que rasgava as piscinas de forma tão impressionante quanto o atual rei das águas, Michael Phelps.

Pois bem, essas roupas de pele de tubarão foram assim concebidas para potencializar a performance do nadador. E o tubarão, como sabemos, é veloz e deslizante como nenhum outro predador aquático. Então, com a pele de humano, o nadador é rápido. Com a pele de tubarão, ele é mais rápido. A singela lógica é essa. E tem funcionado tão bem, que este último traje que tem sido notícia foi proibido, ao menos por enquanto.

Pensando nisso, de um homem normal nadar como um tubarão, lembrei também de uma notícia lá do início da guerra do Iraque. Era uma matéria de jornal impresso que descrevia as roupas especiais que os soldados americanos usariam em combate. E as roupas eram especiais, de fato. Davam aos soldados inúmeras habilidades extras. Visão noturna; autonomia de deslocamento a pé aumentada pela regulação térmica; proteção contra intempéries e climas inóspitos; comunicação interfonada embutida que permitia contato com os outros soldados sem abandonar posição; luvas tecnológicas e… bem, mais uma série de apetrechos.

Mas vamos esquecer por um instante que tudo isso serve à guerra. Pense apenas no fato em si, de que um homem metido dentro deste uniforme torna-se muito superior a um homem vestindo uma túnica, num confronto direto entre ambos.

Ok, bastam estes dois exemplos para falar, agora, da internet e do que ela é capaz de proporcionar. Sim, você já percebeu onde quero chegar. É exatamente isso: a internet potencializa competências e capacidades; amplia e multiplica habilidades. E isto é verdade para pessoas e é verdade para empresas.

Assim como também é fato que de nada adiantará um nadador medíocre vestir uma sharkskin. Ele será apenas um medíocre mais rápido e não um campeão.

E aqui entram, fechando o título, as celebridades relâmpago. A Susan teria ficado famosa mesmo sem a internet, sim, pois já partiu da TV e estampou capas de revistas, jornais e manchetes do mundo inteiro, numa superexposição poucas vezes vista. Mas também surfou a onda das redes sociais, dos blogs e do Twitter. A roupa de pele de tubarão da Susan foi a internet. Fez ela chegar mais rápido e mais longe do que sequer os produtores do programa jamais sonharam.

Mas alto lá: é preciso conteúdo e verdade para manter-se. Dentro daquele primeiro e inovador traje estava o Ian Thorpe, um campeão de verdade. Da mesma forma, as roupas especiais dos soldados americanos, por si só, não vencem guerras. E no Iraque não venceram e nem vencerão.

Portanto, nem a internet, nem trajes tecnológicos garantem êxito, nem sequer sustentação sólida e perene. O que lhes confere, sem demérito, a condição de ferramentas, tão somente. São um meio, não um fim. A combinação feliz, a fórmula eficaz, passa pela conjugação desta profusão de recursos da internet com ideias criativas, ações pertinentes e conteúdo de valor.

Não crie um blog da sua empresa se o seu telhado é de vidro e vai levá-lo a censurar as muitas críticas. Não invada redes sociais com conteúdo meramente comercial e raso. Não faça da “presença online” o objetivo do seu projeto de internet, pois para estar presente, basta publicar um site. Não. Não seja a Susan corporativa. Não seja fake de si mesmo. Faça a internet ser parte de um objetivo maior e global. Integre-a ao planejamento estratégico. Faça ações casadas e sincronizadas com outras mídias. Ações consistentes. Verdadeiras. Frequentes e constantes. O resultado virá.

Encerro por aqui, com mais uma lembrança. Um comercial da IBM, da época e-business, que dizia algo como: “Se você colocar uma bola_quadrada na internet, você terá uma e-bola_quadrada.” (Se alguém tiver a propaganda, pode me enviar!) [Webinsider]

.

Sobre o autor

Ricardo Formighieri de Bem (ricardo.debem@divex.com.br) é diretor executivo da Divex Tecnologia, integra a diretoria da AGADi – Associação Gaúcha das Agências Digitais e mantém o NeuroBits.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ blogs ] [ aplicativos web 2.0 ] [ publicidade ] [ Comunicação corporativa ]

Comentários

2 pessoas comentaram o artigo "Sobre celebridades relâmpago, internet e maiôs"

Campinas Data: 04/05/2009 às 9:00 am

Atividade: do lar

Cidade: Campinas

Adorei, continue sempre.
Beijos.

Graça

Ike Interativa Data: 06/05/2009 às 10:49 pm

Atividade: interneteiro

Cidade: São Paulo

Ricardo,

Gostei do seu post. Muito bom!

Abraços, ike

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Estratégia online reforça seu produto na prateleiraSeu produto ou serviço está nos pontos de venda e ao alcance do consumidor. Veja como o apoio de um bom site pode fazer a diferença na percepção do público. Por Caroline Fülep

Tecnisa é bom exemplo de persistência e resultadoO mercado web já está maduro e os clientes começam a entender que os resultados vêm aos poucos, um dia após o outro. Os bons exemplos não começaram ontem. Por Guilherme Schneider

Como você pensa os ambientes colaborativos?Algumas receitas para potencializar o ambiente colaborativo que está ao alcance de nossas mãos. Vale empreender ou simplesmente criar e construir. Por Iuri Brito

Não seja oportunista ou abusivo e ganhe com issoA cidade de São Paulo melhorou muito após o projeto Cidade Limpa, mas algumas empresas ainda acham um absurdo não poderem praticar a poluição visual. Onde há um pensamento oportunista, há também uma oportunidade para agências e anunciantes. Por Ricardo Cavallini

Não é difícil cultivar um network de qualidadeAo contrário do que possa parecer, ser popular e ter vários contatos não caracteriza uma boa rede profissional. Qualidade vale mais do que quantidade. Aja com sinceridade, selecione, fale (não demais) e esteja visível. Por Guilherme Tossulino

Conjugue: aprender, compreender, empreenderEm tempos de mudança, é essencial manter a conjugação diária destes verbos, ou se preferir, destas atitudes que fazem uma grande diferença. Pois o mundo sempre esteve em crise. Por Eduardo Zugaib

A visibilidade das marcas no século 21Identificar onde o público-alvo está e colocar a marca lá. Esta é a essência. O problema é que a forma tradicional de pensar marcas e promoção considera quase sempre um contexto apenas semi-atualizado. Por Ricardo de Bem

Webinsider