O futuro da publicidade
07 de abril de 2009, 12:20Há leitores que leem e fazem perguntas de difícil resposta. Alguém ajuda?
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O Webinsider tem um Fale com o Editor, lá em cima, perto da busca. Todos os dias chegam as mais incríveis perguntas.
Tantas vezes percebemos que há leitores que não leem. Por exemplo: a Ana Clara escreve um texto sobre critérios para montar uma planilha de custos em agências e mil pessoas pedem que enviemos planilhas customizadas por e-mail para os mais diversos segmentos de pequenos negócios.
O Paulo Rebêlo faz uma reportagem sobre a venda de sinal para TV pirata e mil pessoas perguntam quanto custa e pedem uma visita. O Bobeba comenta sobre como é trabalhar no home office e mil pessoas pedem emprego para trabalhar em casa. Pensam que vendemos filmes e fabricamos cartuchos de impressora. A lista é enorme.
É normal, sempre há leitores caindo de paraquedas, vindos de buscas no Google. Mas há também os leitores que realmente leem e fazem perguntas cujas respostas não temos. O que fazer?
Acabou de chegar uma pergunta assim agorinha mesmo. Como não sei o que dizer, peço a ajuda de quem se habilitar a responder a dúvida do Bruno Macedo, do jeito que ele escreveu. Lá vai:
O futuro da publicidade
Sou publicitário, mais especificamente diretor de arte. Estou formado desde 2004 e adoro a profissão que escolhi seguir. Mas existem questões que me intrigam e me deixam triste ao mesmo tempo.
Qual o futuro da publicidade? Da publicidade carioca? Levanto essa questão, na qual certamente não sou pioneiro, porque na época da faculdade tinha uma perspectiva muito boa de trabalho no Rio de Janeiro. Mas depois de formado vi que o mercado foi perdendo grandes agências.
Só para citar rapidamente tínhamos a VS, a Carioca e a Ronson, entre outras. Muito se deve ao fato do mercado estar em crise, mas convenhamos que a qualidade baixou muito. Está difícil encontrar na cidade uma agência que tenha um trabalho de destaque. Existem, claro, mas são poucas. Será que isso se deve ao fato das agências pagarem mal aos seus funcionários, à exorbitante carga horária de trabalho, à falta de comprometimento com a qualidade do trabalho (não estou generalizando)?
Não sei se essas são as questões que nos levaram a esse estágio, mas a única certeza é que todos têm culpa, do dono de agência ao diretor de arte. O que gostaria de fomentar com esse texto é uma mudança de mentalidade, de atitude de todos
para que a profissão continue com prestígio que merece.E para vocês, qual a perspectiva do mercado?
Bom, o Bruno tocou em muitos pontos - parece que se puxar um fio, vem um bolo de questões emaranhadas. Alguém se habilita? [Webinsider]
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1° Wellington Data: 07/04/2009 às 1:14 pm
Atividade: fotógrafo
Cidade: Diadema-SP
Bruno, o que eu vejo na publicidade hoje em dia é a constante busca das agências por economia, de recursos tecnológicos a bons profissionais, tornando o mercado complicado. Apenas poucas agências maiores ainda mantém alguns profissionais de destaque com salários, equipamentos e instalações compatíveis.
Eu, como fotógrafo freelancer (e muitas vezes publicitário, designer e diretor de arte por acaso), me deparo muito com orçamentos limitadíssimos, e já fui obrigado a rejeitar trabalhos que me pagariam metade do valor que cobraria. Esses trabalhos acabaram sendo feitos por iniciantes ou “profiCionais” responsáveis por um serviço “porco”, sem atenção aos detalhes (muitas vezes sem atenção a nada) e baixíssima qualidade.
Por outro lado, fica muito fácil se destacar no mercado. É tanta gente sem noção, que qualquer trabalho um pouco acima da massa acaba tendo destaque, e fazendo com que você seja requisitado com maior frequência.
Acredito que o futuro da publicidade não está mais nas mídias convencionais. Rádio, TV e jornal já estão com os dias contados.
A tendência é que as mídias alternativas ocupem cada vez mais espaço (internet ainda é considerada alternativa), e se procurem cada vez mais formatos e linguagens diferentes de se abordar o consumidor.
Tenho visto alguns conceitos interessantes ultimamente, e que estão relativamente funcionando: rede de TV corporativa dentro de supermercados, meios de transporte e afins (com inserções publicitárias, claro), anúncios em ambientes específicos (cosméticos e suplementos dentro de academias, por exemplo) e até mesmo em guardanapos de restaurante. Até agência especializada nesse tipo de mídia já existe.
Por outro lado, temos que ser cautelosos em relação a novos formatos e analisar todos os possíveis cenários antes de investir. Muitas agências e empresas investiram pesado no Second Life, inclusive abrindo departamentos especializados nessa mídia, e deram com os burros n’água (para quem acompanhava a comunidade do Orkut, em 2007, no auge do SL, eu escrevi um tópico falando sobre o porque não daria certo. Ponto para mim!).
É muito arriscado prever onde o mercado vai parar. Acredito que o segredo seja não cair de cabeça em qualquer nova tendência, mas também não amarrar os pés nas correntes do agora, pois a maré muda).