Webinsider

Tecnologia - Planejamento - Gestão

Precisamos de uma estratégia nacional em TI

17 de março de 2009, 11:27

Qual é a vocação brasileira em termos de produção de bens e serviços de TI? Onde somos competitivos no cenário global? E onde poderíamos ser? Por que não sermos protagonistas na história?

Por Roberto Carlos Mayer

Ninguém questiona que ao longo da última década o uso da TI evoluiu de forma muito significativa em nosso país. Seja pelo número de PCs em uso, pelo número de internautas, pelo número de websites, por qualquer indicador que analisarmos revelará um crescimento de fazer inveja a muitos outros países.

Ao mesmo tempo, temos em andamento um processo de consolidação de empresas (com risco de novos monopólios, segundo alguns), um uso significativo de software livre (que chama a atenção no mundo todo), um crescimento importante do número de profissionais de TI que trabalham para os vários níveis de governo, em contra­posição a um nível crescente de terceirização da área pelas grandes empresas privadas, etc.

Obviamente não é possível resumir o quadro todo apenas em um artigo. Meu objetivo aqui é alertar para uma questão que não está sendo debatida adequadamente: como país, quais são nossos objetivos com a TI? Há 15 anos que o Banco Mundial incentiva os países menos desenvolvidos a criar estratégias nacionais de TI como forma de encurtar a distância que os separa dos países desenvolvidos.

Ao fizermos esta pergunta simples: “qual o objetivo?” àqueles que são responsáveis pelas políticas nacionais na área, tipicamente encontramos dois tipos de respostas.

Existem aquelas que são bonitas, mas genéricas demais (p.ex. “queremos melhorar o grau de inclusão digital da população”), e existem ações cujos objetivos acabam sendo dispersos (p.ex. com a existência de programas de criação de telecentros ou assemelhados por parte de inúmeros níveis de governo, sem coordenação entre eles, sem avaliação, etc.).

Acredito que esteja na hora de trabalharmos para encontrar respostas “às perguntas que não querem calar”, mas que até agora foram formuladas apenas nos corredores, e não nas mesas onde as decisões são tomadas. Cito apenas algumas, a título de exemplo. Se você leitor quiser contribuir com outras, serão bem-vindas!

Qual é a vocação nacional, em termos de produção de bens e serviços de TI, seja para o mercado nacional, seja para exportação? Em quais deles somos competitivos no cenário global? Em quais deles ainda não somos, mas poderíamos ser competitivos globalmente (e deveriam, portanto, ser foco de subsídios, pesquisas aplicadas, etc.)?

Qual é o perfil dos profissionais de TI que precisaremos ter no mercado dentro de 10 a 15 anos? A modificação de curriculuns do ensino superior é lenta, como todos sabem. Mas se não soubermos o quê deve mudar, apenas manteremos a insatisfação das empresas com os formandos, destes com o mercado de trabalho, e dos professores com este.

Não deveríamos usar a TI para facilitar a vida de todos os cidadãos, inclusive para facilitar seu relacionamento com o estado? Apenas LAN houses e telecentros são suficientes para isto? Como deve evoluir o backbone de dados para que a banda larga seja universal e acessível (ou não queremos isto)?

Os questionamentos acima são apenas alguns exemplos dos que devem servir de base para planejarmos claramente o futuro para a TI como nação. Por meio de uma estratégia clara, de longo prazo, obteremos resultados muito melhores da aplicação dos recursos da sociedade (sejam do orçamento público, do tempo dos voluntários envolvidos, etc.).

É preciso deixar de operar apenas em reação aos problemas que surgem como pedras no caminho, para passar a sermos protagonistas da história. Somente assim as promessas da TI poderão render os frutos que desejamos para toda a sociedade. [Webinsider]

Sobre o autor

Roberto Carlos Mayer (rocmayer@mbi.com.br) é diretor da MBI e presidente da Assespro São Paulo.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ formação profissional ]

Comentários

4 pessoas comentaram o artigo "Precisamos de uma estratégia nacional em TI"

Marcelo Silveira Data: 17/03/2009 às 11:45 am

Atividade: Empresário

Cidade: São Paulo

Olá Roberto, bom texto, mas acho que ficou “introdução” demais … na minha opinião faltou apontar caminhos ..

[]s

Ricardo Data: 17/03/2009 às 12:02 pm

Atividade:

Cidade:

Esta matéria é interessante e apóio a idéia. Mas talvez o maior desafio não seja tecnológico e sim mudar a cultura política do país. Acredito que se a tecnologia crescer trará mais informação a população, e isso talvez não seja a estratégia dos nosso políticos!

Marcelo Data: 18/03/2009 às 12:34 am

Atividade:

Cidade: São Paulo

Abrir o mercado e Reduzir os impostos dos PCs, uma coisa até meio óbvia e foi uma revolução em TI. Porque se o brasileiro tem a ferramenta, o resto ele vai atras.

Outra é reduzir os impostos e abrir o mercado para os smartphones 3G que é a nova onda do software.

A “banda larga” no Brasil é uma das mais caras do planeta. Falta vontade politica para liberar logo a 4G WIMAX.

Wanderson Diego Data: 20/03/2009 às 2:19 am

Atividade:

Cidade: Uberaba/MG

Olá Roberto… acho pertinentes suas colocações, que apesar de não apontarem soluções práticas (acredito que não tenha sido seu objetivo), levantou um tema interessante. O que tem sido feito em termos de inclusão digital são mais para arrecadar votos e poder falar bonito lá fora, do que efetivamente pensar na tecnologia a ponto de diminuir a grande diferença que temos com os países desenvolvidos e seus impactos na sociedade.

O Brasil está repleto de pessoas altamente competentes na área de TI e repleto de projetos interessantes como a urna eletrônica e o uso de softwares livres no setor público. Aí perguntamos: por quê a India está virando, ou já é, uma potência em TI e nós não?

A resposta vem de um investimento constante que eles fazem em cursos tecnológicos em redes, programação, suporte e tudo isso a um custo acessível a população de baixa renda. Gerando oportunidades de emprego a população em grandes industrias de software que chegam a 20 mil funcionários. A maioria dessas empresas vendem desenvolvimento para países como EUA, Inglaterra, etc.

Então para concluir, eu diria que precisamos “profissionalizar” e organizar nosso setor de TI, tendo em vista a conquista de nosso espaço nessa área no mundo. Um pouco de vontade, iniciativa e investimentos do setor público e privado, teremos garantido esse espaço.

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Oportunidades na área de desenvolvimento de games Jogos GBL, que funcionam como base para aprendizado e são utilizados para aperfeiçoamento profissional, tem sido adotados por empresas e abrem demanda para a área de design e planejamento de games. Por Charles Niza

Concurso público pede ITIL e COBIT. Precisa tanto?Opinião: concursos públicos para profissionais de TI exigem conhecimentos em boas práticas em serviços ITIL e em governança de TI COBIT. É uma exigência realmente importante? Você concorda? Por José Antonio Milagre

Um critério para saber se o meu projeto vale a pena Estabeleça um prazo e trabalhe com toda a sua energia até lá. Depois faça uma estimativa da distância que se encontra do objetivo final, e decida se vale a pena continuar trabalhando no projeto.
Por Marco Gomes

Projetos 2.0: só tecnologia não resolveImplantar projetos para novo capitalismo corporativo para manter as empresas competitivas passa, antes de tudo, por uma revisão completa sobre como pensamos o gerenciamento dos ambientes de informação. Por Carlos Nepomuceno

Finep financia projetos de TI de importância socialFinep financia projetos de TI para desenvolvimento de produtos, serviços e processos em áreas estratégicas. Boa parte da verba vai para empresas de pequeno porte. Vai concorrer?
Por José Antonio Milagre

Ricardo Bánffy

Elevate AmericaO plano de estímulo à economia americana da Microsoft. Por Ricardo Bánffy

A acomodação chama os predadores, fique ligado Uma história vivida por pescadores no Japão é perfeita para ilustrar o que acontece quando relaxamos demais e não percebemos o perigo que ronda nossa carreira e nossa vida. Por Eduardo Zugaib

Aleksandar Mandic

Você está bem conectado? No ano passado a oferta de banda larga cresceu e hoje temos mais velocidade a menor custo. Lembrando que a média da França é 17,6 Mbps contra 1 Mbps aqui. Por Aleksandar Mandic

O caminho para a conquista de um estágio em TIPara conseguir uma oportunidade de estágio, o estudante precisa passar por testes, dinâmicas de grupo e entrevistas. Conheça os passos do processo seletivo e esteja preparado. Por Charles Niza

O burocrata soviético e o CEO americanoBurocratas partidários soviéticos do século passado guardam semelhanças com os diretores de multinacionais norte-americanas de hoje. O que isso tem a ver com a recuperação da economia? Por José Leão de Carvalho

O capital quer uma nova escola. A atual já não serveA escola que teve o incentivo dos poderes hegemônicos da sociedade e serviu muito bem a eles durante anos, conforme protestou Paulo Freire, agora dá uma guinada. Os interesses do capital estão mudando. Por Carlos Nepomuceno

Webinsider