Capitalismo colaborativo - mas só no discurso
16 de março de 2009, 9:31Há uma contradição clara sobre o que se fala da nossa atual sociedade (de que todos têm que colaborar) e o modelo real do capitalismo vigente. Na primeira crise todos são demitidos.
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Nada mais na contra-mão do que a recente demissão de 4 mil funcionários da Embraer.
A Embraer é nitidamente o Brasil do conhecimento, da tecnologia de ponta, na qual os empregados devem ter escutado várias vezes a ideia de que “precisamos fazer o compartilhamento do conhecimento”.
Mas na hora da verdade - quando o bicho pega - vale a lógica do acionista, do modelo do ecossistema de informação passado: da hierarquia, do poder na mão de poucos e no da força de trabalho braçal e não intelectual.
O interesse dos acionistas não é o mesmo dos empregados. Hoje, os acionistas não são aqueles que trabalham.
Ou seja, a empresa é da colaboração, do conhecimento, no discurso, mas, na prática, até a primeira crise considera o trabalhador uma peça na engrenagem e não a própria engrenagem.
Para quem quer construir uma “empresa do conhecimento”, um fato traumático como esse é um péssimo começo. Se houver volta, como tem se tentado, o ambiente colaborativo nunca mais será o mesmo!
Há uma contradição clara sobre o que se fala da nossa atual sociedade (de que todos têm que colaborar) e o modelo real do capitalismo vigente.
É uma dicotomia, pois vivemos a ecologia informacional da rede, que acelera a inovação e pede criatividade, versus o modelo empresarial baseado na exploração dos trabalhadores por hora trabalhada.
Note que um cartão de ponto consegue medir o tempo que um empregado ficou no trabalho. Mas como medir que um funcionário está dando a sua melhor capacidade de criar?
No ambiente passado, bastava fiscalizar. Agora, há que se criar um ambiente saudável para que haja o envolvimento.
Estamos saindo do capitalismo forçado para o de adesão. Da competição entre os setores e empresas, para o da colaboração.
Não é um discurso socialista, mas realista.
Veja a lógica:
Sem motivação, não há criação. Sem criação, não há inovação. Sem inovação, não há competitividade. E sem competitividade….
Ou seja, o “novo-trabalhador-participante-e-acionista” se não se sentir embalado no mesmo barco (de fato e de direito) sempre ficará de pé atrás, com a criatividade no bolso.
Assim, ou o empregado entra na lógica do sistema e passa a ser parte integrante dele, ou tudo vai parecer, como se vê hoje com as atuais demissões, um papo para boi dormir.
O ambiente informacional colaborativo vai para o buraco. E, com ele, o futuro da empresa.
O capitalismo do conhecimento fake não terá vida longa, pois o ambiente informacional mudou e com ele - como a história mostra - haverá uma revisão no modelo da organização do poder em todas as instâncias.
Ou se mudam os valores, ou o pessoal vai procurar quem realmente esteja construindo um novo modelo de negócio inclusivo. O mercado e a competitividade mostrarão - como já têm feito - que esse caminho é o mais adequado ao novo momento.
O processo da transformação de novos valores em novas instâncias de poder, não é imediato, mas será inevitável: foi assim na história.
Estamos entrando no capitalismo colaborativo, na qual a ideia de que há um patrão que organiza a empresa e colaboradores que podem ser demitidos na primeira crise já estão e ficarão cada vez mais anacrônica.
Empresa do conhecimento? É parceria ou armadilha? Concordas? [Webinsider]
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1° Eduardo Data: 16/03/2009 às 10:32 am
Atividade:
Cidade:
“Hoje, os acionistas não são aqueles que trabalham”
-> Nada impede que o funcionário compre ações da empresa e se torne acionista. O que não pode é achar que o funcionário é acionista nos lucros e quando chamado para dividir os prejuizos ele não pode.