Um modelo proprietário deseja cercar a internet
09 de março de 2009, 16:24As corporações de telecom e de mídia gostariam de uma internet centralizada e massificante, com audiências cativas, em vez de um meio onde circulam ideias e pensamentos livres do controle de corporações, governos ou instituições.
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Temos um desafio enorme nos próximos anos: manter a internet fora do controle das corporações de telecom e de mídia. Para começar, é bom relembrar o nascimento desse meio tão importante nas nossas vidas e ainda tão rico em potencial.
Neutralidade de rede é um princípio bem simples: a empresa que fornece seu acesso à internet não tem o direito de restringir ou favorecer acesso a qualquer conteúdo. Você comprou uma franquia de X MB e você pode usufruir livremente dessa banda. Infelizmente, essa filosofia libertária é a pedra no sapato (ou será rocha?) dos 7 grandes grupos de mídia que hoje passam fome, coitados, por causa da pirataria. Faça um teste simples, faça uma busca por “processa youtube” e veja os resultados.
Faiô, Hollywood!
A estratégia de demonização da pirataria praticada nos últimos dez anos por esses engravatados de estreita visão não deu muito certo (basta lembrar do slogan “pirataria não compensa” ou “pirataria financia o trafico de armas” e dar umas risadas), lembrando também do fiasco que foi cinco anos atrás quando resolveram processar adolescentes pela posse de MP3, e sabendo que graças a Jack Sparrow pirataria é um negócio “cool”, uma mudança tática se fez necessária: chega de catequizar, a palavra de ordem é mudar a lei.
E foi assim que tudo começou. Em 2005, a pedido da administração do pior presidente da história dos EUA, a FCC (equivalente da Anatel) deu um chute na legislação que garantia esse direito e esse alicerce ideológico. Isso foi o pagamento de uma promessa feita para uma turma poderosa que contribuiu para colocar o famigerado no poder.
Ano passado, o tal presidente chegou a dizer que essa reforma era necessária para garantir o controle da rede diante da iminência de um 11 de setembro digital, estendendo à web a estratégia de marketing usado na guerra do Iraque - a do medo.
Internet ameaçada
O mesmo aconteceu com os outros meios de comunicação de massa. Com o fim da neutralidade garantida por lei, a web teria seu comando “devolvido” aos donos dos cabos submarinos de fibra ótica. Isso faz com que as grandes corporações assumam o controle dos pacotes que trafegam nesses cabos. (Antes que você fale em satélites, lembre-se que a órbita do nosso planeta já está parecendo uma marginal Tietê… e quem colocou os satélites lá em cima espera um retorno de investimento).
Consequência: sua internet passaria a funcionar como uma TV a cabo, um meio onde você só assiste aos canais da sua franquia. E o pior: nada impedirá que você tenha acesso a blogs revolucionários ou com conteúdo que fere a galera do mal, mas na hora de esperar o conteúdo carregar, espere sentado (tire um cochilo) porque os pacotes dos “contratos grandes” vão dar um “pedala robinho” nos pacotes do seu blog sobre energias renováveis.
Em suma, seria o fim do Long Tail e a cristalização da hegemonia de mercado que alguns desfrutam hoje.
Ah sim, mais uma coisinha: pode esquecer Torrent, Soulseek, E-mule ou qualquer outro peer-to-peer. Pode esquecer mesmo! Chora!
Como vocês já devem saber, tudo que vem de lá é obedientemente imitado em todos os outros países ocidentalizados. Felizmente, o novo presidente americano prometeu vetar esse absurdo assim que chegasse na mesa dele, o que nos dá uma sobrevida de oito anos se Obamis - salvador do planeta extraordinaire - se reeleger (se permanecer vivo). No momento, a lei que reinstitui a neutralidade de rede está no Senado americano.
Diamantes no meio do lixo
Veja bem, não sou um defensor cego da internet. A imensidão da rede faz com que uma quantidade enorme de lixo seja criada a cada dia. Mas essa pluralidade é essencialmente o trunfo que a diferencia de qualquer outro meio comunicação: seu caráter incontrolável, orgânico, aberto e profundamente humano.
Nenhum veículo oficial de comunicação, com toda sua estrutura engessada seria capaz de nos dar isto aqui, por exemplo. Impagável.
Chris Anderson, autor de “A Cauda Longa” e jornalista da Wired Magazine diz que o modelo econômico que vingará na internet será o “zero economy”, um formato onde tudo é oferecido sem cobrança de dinheiro. Lamentavelmente, acho que ele não esperava que uma crise econômica planetária viesse motivar o grande capital a fechar mais a mão, acabando assim com o tão belo sonho.
Comunidade organizada
Graças ao caráter singular da rede, uma comunidade já está organizada. A informação tem circulado livremente na blogosfera e tem pautado a mídia oficial e a não oficial. Para os lobistas, quanto mais se esperar, mais difícil será (nisso eles têm razão). Portanto, nada mais prazeroso que usar o poder de disseminação da internet contra os próprios que a querem controlar e tolher.
No Brasil, a neutralidade é ignorada
Poucas empresas fornecem banda larga no Brasil. Isso faz com que grupos enormes tenham um poder desproporcional. A maior parte dos grandes portais é dos provedores de acesso: a Globo.com é proprietária da Net, que tem um serviço de TV a cabo e provedores de acesso; o Terra é da Telefônica; o IG é da Brasil Telecom. Ou seja: “la garantia de neutralidad soy jo!”.
Como cliente da NET posso afirmar por experiência própria que existe uma política de “traffic shaping” que limita a transferência para portas de comunicação usadas pelos programas peer 2 peer (Soulseek, Torrent, E-mule etc). E a Net não admite.
O Google, maior interessado numa economia da gratuidade, trabalhou na criação do Measurement Lab, que consiste em um conjunto de ferramentas de controle de tráfego, que capacitam pessoas normais como eu e você a auditarem a conexão fornecida pelas empresas para saber se elas estão apertando a mangueira por acharem que você está consumindo “coisas imorais”.
Tenha medo do grande capital
Não precisaríamos de muita agilidade mental para imaginar o que aconteceria se esses grandes se juntassem para pressionar o Congresso e a Anatel. Basta lembrar do procedimento usado pela Globo quando colocou na surdina o assunto da TV digital, para que a população não perceba de fato o que está por trás da decisão, prometendo um futuro de encantar qualquer idiota aficcionad@ por tecnologia, gadgets e outras inutilidades à la Jetsons. “Em breve, você poderá fazer seu pedido do Giraffas sem tirar seu traseiro da poltrona! Tudo direto da TV! Oba! Isso sim é tecnologia a serviço do ser humano!
Quando a ameaça vingar, se vingar, empresas como a NET começarão a oferecer esse serviço (controlado e reacionário) maquiado com promessas de bandas ultra-largas, cloud computing, mobile em alta velocidade, streaming de vídeo online em alta definição e tudo que tem de mais futurista… Será irresistível.
Eu espero que meus filhos tenham a oportunidade de crescer usando tudo que tem de bom na web. A TV centralizada e massificante é uma mera máquina de dinheiro com objetivo de fazer audiência partindo do pressuposto que o povo é burro e só gosta de novela, sacanagem, futebol e notícias populares. E esse modelo está prestes a contaminar a internet. [Webinisider]
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1° Ronaldo Data: 09/03/2009 às 4:46 pm
Atividade: Empreendedor da Internet
Cidade: Brasilia
Meu amigo, você está muito “depre”, xô urucubaca.