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Paulo Roberto Elias
Áudio e vídeo

Começar de novo com o Blu-Ray

02 de março de 2009, 14:49

Clássicos de cinema, preservados anteriormente em alta definição, são agora remasterizados novamente para uso em home video.

Por Paulo Roberto Elias

Faz muito tempo (e bota tempo nisso) que eu fui assistir ao seminário sobre preservação de filmes, durante o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. Logo depois da apresentação do primeiro palestrante, uma pessoa da plateia pergunta se o filme cuja restauração foi demonstrada sairia em DVD. E logo a seguir, eu aproveitei a oportunidade e perguntei se, depois da restauração feita, o resultado iria ser transferido para uma master de vídeo de alta definição.

A resposta que me foi dada, que eu prefiro não declinar aqui, criou desconforto e constrangimento, sanados poucos minutos depois. Mas eu ainda tive tempo de lembrar que era isso que os estúdios americanos estavam fazendo há muito tempo. E nesse dia, por uma coincidência estranha, o segundo palestrante era o diretor de fotografia Gary Graver, cujo trabalho com Orson Welles lhe deu o direito de tecer pesadas críticas à transferência para vídeo do clássico Cidadão Kane.

Graver citou, em particular, o contraste excessivo usado no ajuste do telecine, mudando completamente a intenção do cineasta, de ocultar detalhes da fotografia para a plateia. A passagem de filme para vídeo, portanto, não atende apenas a interesses comerciais, ela é um componente importante da preservação de filmes, e por causa disso mesmo, deve ser feita com o máximo de cuidado e critério possível!

Já faz tempo que os estúdios americanos vêm se dando conta da perda do legado deixado por Hollywood e seus antecessores. O movimento de restauração e preservação, a par das iniciativas, é resultado do envolvimento de arquivistas, técnicos em restauração, historiadores, instituições como cinematecas, universidades, bibliotecas, e até de diretores de cinema, como foi o caso notório de Martin Scorcese, que andou gritando que os filmes e negativos importantes estavam desaparecendo.

A preservação é uma obsessão norte americana

Ao contrário do que andou dizendo o “The History Channel” num dos seus documentários, o cinema não foi inventado por Thomas Edison. Na realidade, vários desenvolvimentos e pesquisas nesta direção ocorreram em várias partes do globo, mas acabou sendo dado aos irmãos Lumière o crédito de terem inventado a primeira câmera de cinema e de terem feito a primeira exibição pública de filmes em uma tela que se conhece.

O que é curioso é que Hollywood também não foi local onde o cinema norte americano começou. No entanto, a massa de projetos e os legados deixados ao longo dos anos, pelos estúdios lá localizados, são inegáveis. Para fazer do cinema uma arte completa, Hollywood importou de tudo: atores, diretores, métodos de fotografia (anamórfica, por exemplo), mas desenvolveu, ela própria, formas de linguagem e métodos fotográficos próprios (como o VistaVision, por exemplo) e o som multicanal. Deixar este material todo apodrecer é um crime que os americanos não querem e não irão cometer!

A participação e o uso do vídeo no processo preservacionista

A introdução do chamado “home video” trouxe ao cinéfilo ou mesmo ao consumidor mediano a oportunidade de comprar um filme e levar para a casa. A competição e a derrocada de Hollywood frente à presença da televisão, na década de 1950, acabaram por compelir os grandes magnatas em investir em mudanças tecnológicas radicais nas apresentações de filmes em salas de cinema.

Foi por conta disso que apareceram exibições em grandes telas e com o uso do som estereofônico. Mas, foi pela adaptação aos meios de propagação do material filmado que Hollywood conseguiu sobreviver até hoje. As receitas das salas de exibição continuam caindo, mas os lucros obtidos na venda de filmes em vídeo mantêm esses mesmos estúdios abertos. Portanto, ao se adaptar à televisão, Hollywood abriu as portas da mesma para avançar, por meios próprios, nas novas mídias.

Esta adaptação obrigou ainda os estúdios a estudar como um filme pode passar para o formato de vídeo sem adulterar as suas origens. Os métodos de telecinagem digital avançaram de maneira significativa nesses últimos anos, mas por outro lado obrigaram técnicos a se especializarem ainda mais. Existe um tipo de técnico, especificamente, o chamado “colorista”, que deverá ter conhecimentos tanto na área de fotografia, quanto na área de vídeo. Ele será responsável pela manutenção correta da cor gerada pelo negativo na fita master gerada após o filme ser transferido para vídeo.

É interessante notar que, mesmo no ambiente doméstico, alguns hobbyistas e fãs de cinema conseguem rapidamente identificar os erros de cor derivados da transcrição filme – vídeo. Foi esse o motivo, por exemplo, que forçou a Columbia a refazer completamente a edição em DVD de “Lawrence da Arábia”.

Em outros casos, existe uma polêmica que acabou obrigando arquivistas a revisar este material, para determinar se existe erro de cor ou não. No caso do clássico de John Ford, “The Searchers” (“Rastros de Ódio”), por exemplo, a edição em laserdisc tinha mais azul no céu do que a edição restaurada em DVD, e isso deu a impressão de que havia erro na transcrição.

Acontece que o erro foi cometido na edição em laserdisc, e corrigido depois com o novo negativo obtido da restauração, sem que mesmo o estúdio, admitidamente, ter se dado conta. Só depois do negativo examinado é que foi possível conferir se foi este de fato o caso.

Remasterizações para corrigir erros

As remasterizações são constantemente feitas nos estúdios, para corrigir diversos tipos de problemas. Com o advento do vídeo digital, formatos como o letterbox (widescreen em tela 4:3) se tornaram inaceitáveis, por conta da mudança de padrão de tela, e por conta da perda relativa de resolução (cerca de 33% a menos que a tela anamórfica).

Além disso, o processamento de “limpeza” digital da cópia de filme utilizada acabou por destruir detalhes em baixo relevo, necessários à apreciação da fotografia original. E esse tipo de problema é particularmente visível depois do advento do Blu-Ray. Em função dele, a cópia do filme “O Quinto Elemento” em Blu-Ray foi substituída pela Columbia/Sony e agora a do filme “Terminator 2”, pela Lionsgate. Em outros casos, como a transcrição de “Lethal Weapon” os erros de filtragem são tão gritantes, que mesmo a edição em DVD fica abaixo de qualquer padrão existente à época. Fazer um Blu-Ray com este mesmo vício acabou por torná-lo um produto de segunda categoria.

Remasterizações para recuperar filmes clássicos

Já não é de hoje que cineastas são chamados aos laboratórios de telecinagem, para verificar se seus filmes estão sendo corretamente transcritos. Mas, no caso de filmes que foram produzidos no passado distante, há uma necessidade de se fazer uma transcrição que garanta a preservação da imagem. E assim foi, com a adoção do telecine digital com duas mil linhas de resolução (2 K), e posteriormente com quatro mil linhas de resolução (4 K).

O problema, porém, é que não é somente a resolução em si que entra em jogo. A varredura quadro a quadro, e a aplicação de programas destinados à correção de artefatos fotográficos ou imperfeições no negativo também modernizaram, e muito, a transcrição de filmes para vídeo.

Inicialmente, os estúdios optaram pela solução mais barata: submeter o negativo com problemas para correção por computadores. A Warner fez isso com a cópia Technicolor/VistaVision do clássico de Alfred Hitchcock “North by Northwest” (no Brasil, “Intriga Internacional”). Tal processo, infelizmente, faz uma recuperação parcial, prontamente assistível em vídeo, mas não se aplica à preservação do negativo com problemas.

Neste ponto, é preciso esclarecer que existe uma diferença entre preservação e restauração: para a preservação, se o negativo estiver em ordem, basta pedir uma cópia nova aos laboratórios; para a restauração, é preciso corrigir e/ou trocar completamente o negativo, pela criação de um novo negativo.

O vídeo digital pode não só ajudar neste trabalho, como proceder à transcrição necessária à composição, em filme, de um novo negativo. Isto é conseguido com a criação do chamado “digital intermediate”, que é uma espécie de cópia de transição entre vídeo digital e filme.

Voltando ao que foi dito no início deste texto, os estúdios vinham fazendo masters digitais em alta definição, logo após a restauração fotográfica de seus filmes. Essas masters mostraram-se obsoletas e consequentemente inadequadas, para o uso moderno das mídias de home vídeo, neste caso, o Blu-Ray.

Existem basicamente duas áreas nas quais a remasterização de filmes irá fazer a diferença: a da resolução nativa da imagem e a do formato de áudio.

A prática tem demonstrado que fontes de resolução mais alta tendem a gerar imagens de melhor qualidade, mesmo em mídias cuja resolução nativa é mais baixa, como é o caso do DVD. Por causa disso, não é de se espantar que usuários possam ter em casa edições em DVD derivadas de fontes de alta definição, e com menos compressão, com resultados bastante diferentes. Quando este material, cuja resolução nativa é 480i, passa por upscaling, por exemplo, até 1080p, a imagem não encontra paralelo na reprodução convencional do DVD.

Pode até parecer um exagero sem proporções, mas o fato é que a Warner Brothers resolveu encarar experimentalmente a resolução do filme “A Star is Born” (o último filme de Judy Garland, rodado em CinemaScope, em 1954), passando o mesmo para vídeo com 6 K de resolução. A tarefa em si acarreta uma enorme demanda física, cerca de 10.5 Terabytes de memória em disco nos laboratórios, para armazenar 6144 pixels horizontais de resolução.

O processo não terminou, mas gera controvérsias. A Lowry Digital, por exemplo, defende que 4 K (4098 pixels) ou mesmo 2 K (2048 pixels) já capturam a maior parte do material fotográfico. Mas, os preservacionistas mais radicais discordam!

Um outro aspecto importante é o som

O filme de cinema avançou, na sua apresentação nas salas de exibição, ao padrão de 8 canais, com o SDDS, mas o formato se restringe a apenas dois canais surround, porque os seis restantes ficam na área da tela. Para contornar isso, a THX propôs o Dolby Digital Surround EX, que inclui um terceiro canal surround, no fundo da sala de cinema. Este formato foi rapidamente seguido pelo DTS Extended Surround (DTS-ES), com a mesma finalidade.

Acontece, porém, que as extensões dos codecs usados no Blu-Ray passaram de 5.1 para 7.1 canais discretos, tanto em LPCM, quanto em Dolby TrueHD ou DTS-HD MA. Mesmo filmes anteriormente mixados em menos do que cinco canais podem perfeitamente se beneficiar deste novo recurso.

Assim como a transição do Dolby Stereo para o Dolby Digital causou uma enorme mudança de padrões de gravação em filme e depois em home vídeo, também a passagem do áudio comprimido para o áudio direto teve um impacto dos mais significativos. Há certo tempo atrás, era simplesmente inimaginável conceber que uma mídia de vídeo doméstica pudesse ser capaz de armazenar e transmitir o som original das trilhas em estúdio, sem perdas ou compressão. Mas, foi-se além disso: com o Dolby TrueHD e o DTS-HD Master Audio, a transcrição é, ao mesmo tempo, sem perda e com compressão o suficiente para economizar espaço, às vezes valioso, de memória em disco.

Por causa disso, inclusive, codecs como, por exemplo, o Dolby Plus, nunca encontraram, ao que se saiba, paralelos em transcrições para Blu-Ray. E foi por isso que, quando o Universal Studios passou do HD-DVD para o Blu-Ray, todas as masters anteriormente feitas com Dolby Plus passaram para DTS-HD MA, com excelentes resultados e benefícios para o consumidor final.

Considerações finais

O padrão de conversão filme para vídeo mudou drasticamente. E assim também foram consideradas como “inaceitáveis” ou “obsoletas” as transcrições de filmes feitas anteriormente com telecine em 1080i. O padrão atual é de 1080p e a 24 quadros por segundo, ou seja, na exata cadência usada pela maioria dos filmes de cinema. Este padrão é sinônimo de economia de memória, versatilidade (porque o sinal pode ser facilmente convertido a 1080p 60 Hz, aceito universalmente pelas telas de TV) e qualidade geral da imagem armazenada e transmitida.

Clássicos como “Dr. Zhivago”, “Meet me in St.Louis” (anteriormente em “Ultra Definition” a 1080i), “Singin’ in the Rain”, e até mesmo “Cidadão Kane”, que Gary Graver tanto se queixou, vão ter cara nova, ao saírem suas edições em Blu-Ray. Com isso, lucram os fãs e cinéfilos, e se preserva para o futuro imediato, filmes que marcaram a história do cinema! [Webinsider]

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Sobre o autor

Paulo Roberto EliasPaulo Roberto Elias é professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFRJ, hobbyista em áudio e vídeo, Mestre em Ciências (M.Sc.) e Ph.D. em Bioquímica. Manteve, até recentemente, o site Miragem, cujos artigos podem ser lidos aqui.

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ TV, vídeo ] [ música ] [ inovação ]

Comentários

9 pessoas comentaram o artigo "Começar de novo com o Blu-Ray"

Zelão Data: 04/03/2009 às 2:01 pm

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Como sempre, excelente texto!

Meus parabéns pelo ótimo conteúdo que traz ao Webinsider.

Paulo Roberto Elias Data: 04/03/2009 às 2:52 pm

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Zelão,

Obrigado pelo incentivo e pelo elogio.

Abraços…

Rodrigo T. Data: 10/03/2009 às 2:20 pm

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Paulo, também agradeço pelos conteúdos muito bem apresentados.

Será que desta vez, com o Blu-Ray, teremos as versões “definitivas” disponíveis para comprar e ter em casa? Pois no formato DVD compro apenas shows (também pela indiscutível qualidade em áudio), onde suponho que muitos jamais chegarão em Blu-Ray.

Tem lógica a conversão máxima (?) de 6K (é upscaling?) e padrão 2/4K ficar tecnicamente lossless no tamanho de discos Blu-ray? Ou daqui a alguns anos o mesmo acervo histórico passará por novas revisões?

Abraço.

Paulo Roberto Elias Data: 10/03/2009 às 9:43 pm

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Rodrigo,

No fim da década de 1990, se a memória não me trai, um dos objetivos da criação de um sinal de alta definição mais prático (porque até então isso era coisa de laboratório) foi o de permitir a reprodução de vídeo que se aproximasse da fotografia de 35 mm. Acontece que, de lá para cá, muita coisa mudou, principalmente no que tange à capacidade de processadores, como você deve saber.

E mesmo assim, a restauração em 6K ainda é encarada como experimental. A verdade é que a gente ainda não tem idéia do resultado prático disso. As restaurações de 4K (exemplo, a versão em Blu-Ray atual de A Bela Adormecida) demonstraram resultados extraordinários, na minha modesta opinião, e aí fica a dúvida se é possível conseguir alguma coisa a mais, no tange às aplicações em home video.

Eu sou de opinião de que as tentativas e as experimentações são válidas, até para se poder ter uma noção do processo e tentar tirar uma conclusão útil.

No que concerne ao home video, o formato atual, transportado em Blu-Ray, pode até ser superado, mas não creio que isso ocorra tão cedo, até porque, em termos de mercado, foram economicamente traumáticas as mudanças a que foram submetidas os atuais usuários de mídias de alta definição. O Blu-Ray, com a sua capacidade atual, pode perfeitamente transportar um sinal de áudio e vídeo satisfatório, presumivelmente para qualquer televisão a ser desenvolvida no futuro. E a maior evidência que eu posso concluir são as opiniões de cineastas como Michael Bay, John Lasseter e agora Ridley Scott, que vêm neste transporte a claridade de imagem necessária para a apreciação do trabalho fotográfico que eles fazem.

Agora, meu caro, o futuro a Deus pertence. Eu tenho 59 anos, e já vi muita coisa mudar de rumos sem que a gente se desse conta. Eu imagino (e sinceramente espero) que esta vai ser a minha última coleção de filmes.

Abraço do
Paulo Roberto Elias.

Paulo Roberto Elias Data: 11/03/2009 às 5:40 am

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Eu vou aproveitar este espaço de comentário, para voltar no tempo, no campo de trabalho da restauração:

Cerca de uns doze anos atrás, mais ou menos, eu fui assistir a um seminário da Varian, sobre cromatografia líquida de alta performance, e conheci por lá um cientista da empresa, cujo nome não me recordo, que havia desenvolvido uma sonda espectrofotométrica, para uso na restauração de fotogramas de desenhos animados dos estúdios Disney.

Disney foi pioneiro no uso do Technicolor de três negativos, para fotografia de células de animação, mas o seu departamento de tintas e pintura fabricava tintas com o uso de corantes de plantas, misturados manualmente. Este tipo de processo de mistura gerou cores com diferenças significativas de matizes, a ponto de tornar o trabalho de restauração de fotogramas quase impossível de ser realizado. Foi aí que entrou a Varian, cuja sonda executava a tarefa de determinar a análise espectral de cada uma dessas misturas, de maneira que o registro de cor de cada fotograma pudesse ser preservado rigorosamente de acordo com o trabalho original de mistura.

De alguns anos para cá, este mesmo trabalho é feito por software, que opera junto a um scanner de alta resolução, na janela do telecine. Os estúdios trabalham, no caso do Technicolor, com as chamadas cópias de segurança, que são negativos monocromáticos contendo as informações em ciano, magenta e amarelo, necessárias para a completa restauração do original de câmera.

No meu comentário anterior, eu citei a última restauração de A Bela Adormecida, que por coincidência contém as informações CMY num mesmo negativo, ao invés de três negativos separados, e isso permite, por seu turno, o perfeito alinhamento dos mesmos para compor um novo negativo Technicolor. Só a animação, cuja fotografia é feita em seqüência, é que permite a obtenção de 3 fotogramas CMY no mesmo negativo de câmera, e por isso o resultado final é algo singular e de significativa alta qualidade. A limitação que poderia existir, no caso, seria a resolução nativa do scanner, por isso ter sido usada a resolução de 4K, como já foi dito.

Quanto à fidelidade de cores, o Blu-Ray é capaz de armazená-la nas especificações pretendidas pelos cineastas. O resultado final, entretanto, será sempre dependente da cadeia de reprodução doméstica, e neste ponto o investimento em telas de melhor qualidade é plenamente justificável!

Rogério Data: 31/10/2009 às 7:30 pm

Atividade: Radialista

Cidade: Osasco

Olá Paulo tudo bom ?
Faz um tempinho que não posto nada por aqui; pois estava realizando um “upgrade” no meu Home, e agora surgiu uma tremenda surpresa pra mim que queria compartilhar com vc, afinal quando do último post em que discutiamos sobre a possibilidade de atualização de firmware da versão do HDMI, afinal (na época) possuiamos o mesmo modelo de TV (Samsung LN46M81B). Mas entrando no assunto relativo a este post do blog sobre Blu-ray, adquiri um player da Panasonic (DMP-BD30), e após fazer algumas configurações e assistir a alguns filmes, alterei a resolução do Blu-Ray de 1080p para 1080i que na teoria deixaria a imagem inferior, mas não foi isso o que ocorreu. A imagem em Blu-ray ficou com contornos mais nitidos e e detalhes do rosto mais definidos, dai minha surpresa. Como pode um video entrelassado ficar com imagem melhor, se comparado a um video progressivo, utilizando a mesma resolução (1080 linhas)? Isso contradiz tudo o que aprendi na teoria sobre video progressivo. O filme que utilizei para o teste foi o 007 Quantum of Solace (Blu-ray).
Diante do exposto gostaria de ler seus questionamentos a respeito, e se pudesse repetir o teste que fiz (caso possua um player de Blu-ray). Se conseguiu o mesmo resultado.
Um abraço.

Paulo Roberto Elias Data: 31/10/2009 às 9:36 pm

Atividade:

Cidade:

Caro Rogério,

É um prazer ver o seu retorno à coluna. De fato, eu tenho uma TV parecida com a sua, mas não é o mesmo modelo.

A explicação mais óbvia para a sua observação é a seguinte: quando o sinal 1080i entra numa TV 1080p, será ela quem fará o desentrelaçamento, pois numa TV digital não pode haver imagem entrelaçada per se. E, no caso, a sua TV estaria fazendo um desentrelaçamento com melhores resultados do que a imagem já desentrelaçada do Panasonic BD30.

Bem, esta é a explicação lógica. Mas, eu me arrisco a dizer que ela esconde alguma coisa errada na sua configuração, ou você ainda não explorou todos os recursos desta linha da Samsung. Me atrevo aqui a citar um deles, que atinge justamente contornos: o edge enhancement. Por favor, não confunda este ajuste com o artefato de autoração, que borra a imagem. Este ajuste realça contornos, de acordo com o processador interno da TV e melhora sensivelmente a resolução da imagem nativa.

Mas, isso é só um exemplo. Se você parar para pensar um pouco, vai ver que o processador interno do BD30 é bem superior ao da maioria das TV’s, a não ser talvez dos últimos modelos lançados no mercado.

Esta é a minha opinião, já que você quis saber, mas o julgamento final da qualidade da imagem que você obtém é seu, portanto adote a configuração que, para você, lhe dá melhores resultados.

No meu caso, ainda para sua referência, eu já fiz este tipo de teste, há muito tempo atrás. E continuo com 1080p e com o mesmo modelo de TV, por falta de grana, aliás, para comprar uma mais moderna. Sinceramente, já li muitas queixas sobre esta série da Samsung, mas eu devo ser um cara estragado, porque apesar dos 60 Hz e das alegadas aberrações cromáticas, eu continuo satisfeito com ela. E é bom que esteja, porque sem grana não dá para fazer outra coisa!…

Rogerio Data: 01/11/2009 às 11:20 am

Atividade: Radialista

Cidade: Osasco

Olá Paulo
Primeiramente agradeço seu retorno a meus questionamentos. Achei muito curiosa sua informação que a TV está exibindo video progressivo mesmo configurando o player de Blu-ray para 1080i (entrelaçado). É isso o que eu entendi ? Ou seja uma TV (Full HD) exibe qualquer video nela conectado (mesmo entrelaçado) ela converte para progressivo na exibição ? Bem em relação a explorar outros recursos na TV, não lembro deste recurso (edge enhancement) estar disponivel no menu da TV. Ela possui isso ? Outro ponto que me chamou a atenção foi ter relatado defeitos nesta série (M81-BX). Não li nada a respeito. Poderia citar as informações que vc teve acesso ? Mais uma dúvida, qual versão do HDMI do meu Blu-ray ? No caso da TV tambêm não sei a versão do HDMI dela. Será que pelo fato do Player ser mais novo, a TV não está conseguindo exibir todos os detalhes transmitidos por uma versão mais nova do sistema HDMI do Blu-ray ?

Paulo Roberto Elias Data: 02/11/2009 às 5:49 am

Atividade:

Cidade:

Rogério,

Eu não sei se você se lembra, mas a Samsung foi a primeira empresa a trazer uma TV 1080p para o Brasil, e eu a comprei logo após o lançamento. Naquela época, esta série foi alvo de críticas contumazes, em relação ao ajuste de cor. Infelizmente, eu não me lembro mais aonde eu li isso, mas um amigo meu, que comprou o mesmo modelo e na mesma época, também se queixou de nunca ter conseguido acertar a cor direito. Mas, ele ainda usa a TV para o computador, acredite se quiser, e não toca mais no assunto.

Uma das coisas que eu me lembro nessa crítica é o fato da Samsung colocar na mão do usuário um ajuste fino de branco e crominância, sem no entanto permitir que os tons de certas cores ainda assim ficarem corretas.

Note que essas telas, pelo menos até esta época, são as mesmas para todo mundo, isso porque o fabricante usa telas feitas por terceiros ou em joint-venture, na maioria das vezes. Então, o que muda é a implementação dos processadores proprietários de cada um, e ao longo do tempo a gente nota que a performance varia de acordo com a versão dos mesmos. E como software é uma coisa que muda constantemente, a evolução dos mesmos tem trazido uma certa uniformidade de performance nas TV’s atuais, a ponto da gente quase não distinguir uma da outra.

Todas as telas baseadas em pixel e subpixel reproduzem a imagem depois que ela é mapeada e cada pixel é mandado para um endereço da matriz de pontos da tela. Na prática, isto significa que a imagem tem que ser digitalizada, antes de ser exibida, tal qual o seu computador.

As TV’s digitais podem aceitar imagem entrelaçada, mas ela é automaticamente ajustada para a resolução nativa da tela, num processo chamado de “scaling”. Quando acontece da resolução ser a mesma, se atinge o ideal de performance, porque praticamente não há muita coisa para ser ajustada. E, no caso, o Blu-Ray é capaz de gerar 1080p na saída, de forma que uma tela que aceita 1080p logo na entrada, terá uma tendência a dar a melhor imagem possível para aquele sinal.

Note que o ajuste de 1080i na saída do Blu-Ray existe porque muitas TV’s digitais não aceitam 1080p na entrada de vídeo. Teoricamente, é um contrasenso usar 1080i num sistema que aceita 1080p, porque o sinal nativo do Blu-Ray é 1080p/24 qps, quer dizer você está forçando a sua TV a processar um sinal que não precisa de processamento algum. Se num disco Blu-Ray, o sinal gravado for 1080i, ainda assim a saída será em 1080p, e você pode conferir isso na informação do sinal de entrada da sua TV. Claro que, qualquer sinal com resolução nativa inferior a 1080p terá uma degradação maior na qualidade, mesmo que ele seja adaptado para um tela de maior resolução.

Se você ligar a saída do Blu-Ray player por HDMI, em modo automático (”AUTO”) na saída de vídeo, o protocolo da conexão obriga a negociação com o melhor modo de reprodução da TV. Assim, numa TV como a sua, este sinal será obrigatoriamente 1080p.

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