Entre a comunicação tradicional e a interativa
27 de fevereiro de 2009, 15:03Nosso amigo é estudante de publicidade e na faculdade não encontra muito interesse pelo meio interativo. Por falta de interlocução, pensou alto e mandou para nós pedindo dicas ou críticas. O que você diria?
Por
A interatividade não é apenas mais uma mídia e também não representa novas tecnologias.
O buraco é muito mais embaixo, a diferença está na base do que é comunicação. Quando a diferença é na base, o resultado é diferente.
Por exemplo, um carro e uma moto. Na estrutura básica, uma tem duas rodas e a outra quatro. Assim, são dois produtos totalmente diferentes, a mudança é enorme, pois envolve a estrutura.
Agora um Gol e um Corsa. A estrutura é a mesma, quatro rodas, mas cada um tem suas características próprias.
A TV e a internet são uma moto e um carro, não porque uma é melhor que a outra ou que uma irá substituir a outra (o que também não é verdade). O que acontece é bem mais simples, elas são diferentes pois diferem na estrutura básica da comunicação.
Já a TV e um outdoor, são diferentes, cada um tem sua especialidade, mas são um Gol e um Corsa, pois na estrutura básica da comunicação são totalmente iguais.
Se ainda está vago, vamos à base (estrutura) da comunicação.
Isto aprendemos no ensino fundamental e está no primeiro capitulo de qualquer gramática.
Emissor ==> Mensagem ==> Receptor.
Os meios de massa, a comunicação empresarial (propaganda e outros) e até nossa educação tradicional transformaram a base para algo mais eficaz naquele momento e que gerava resultados.
Emissor (único) ==> Mensagem ==> Receptor (vários)
Não considero válidos os pensamentos no sentido de que interatividade é apenas mais uma mídia; também não considero comparações entre evolução dos meios de massa e internet.
Todos estes discursos são focados apenas em técnicas e técnicas, mas poucos veem que seguir este caminho é errado, pois a técnica só tem importância porque permitiu mudar a estrutura básica da comunicação. A estrutura que é importante.
Emissor ==> Mensagem ==> X ==> Receptor
Emissor ==> M_n_a_e ==> Receptor
Emissor ==> Receptor <== _e_s_g_m <== Receptor
(Não fui muito claro nesta representação gráfica da mudança na estrutura da comunicação)
As novas tecnologias mudam a estrutura, o receptor ganha voz, ele completa, muda, corta, anula e acrescenta elementos à mensagem, sem deixar de ser receptor. Isto é interatividade, por isto a diferença.
As técnicas antigas não mudaram a estrutura quando surgiram.
Por exemplo, da rádio para a TV a técnica mudou radicalmente, mas a estrutura da comunicação continuou a mesma, "um para todos".
O mesmo na película e na captação digital. São técnicas e não mudam a estrutura básica de comunicação no cinema, sentar e ver filme ou "um para todos".
Outros exemplos fora da mídia de massa: design de produto. Um grupo analisa tendências do consumidor e monta a embalagem do produto. Também é "um para todos"
Até na técnica internet tem "um para todos", que são aqueles sites folder com texto para ler e sair, ele também é "um para todos". Está na internet, é digital, mas não é interativo.
Para ser interativo o usuário deve moldar a mensagem sem precisar sair da sua posição de receptor.
Ele continua não sendo dono da mensagem, mas deu sua contribuição para ela. Isto é uma mudança enorme na estrutura da comunicação. Por isto a diferença entre tradicional e interativo. [Webinsider]
.





1° Viviane Danin Data: 27/02/2009 às 3:44 pm
Atividade:
Cidade:
Oi Marcelo,
Demorei um pouco pra entender o que vc queria dizer mas entendi e acho que é isso mesmo, concordo com você. Se um site não tem pontos de interatividade entre ele e seu leitor ou mesmo entre o site e os leitores entre si não é interativo.
Por exemplo, o próprio Webinsider antes de abrir pra comentários como este que estou fazendo agora, era somente uma revista digital, a diferença é que estava disponível na internet e não impressa.
Abrindo para comentários, sua capacidade de análise, interatividade foi ampliada fortemente. Claro que essa é mesmo uma tendência da própria internet, a tal aclamada web 2.0, na qual leitores deixam de ser completamente passivos para uma posição ativa, desenvolvedora de conteúdos e blá blá blá
É isso aí.
Abração,
Viviane