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Campus Party cresceu como a internet

02 de fevereiro de 2009, 19:03

A gênese da Campus Party está na percepção de que a tecnologia hoje transforma as relações sociais entre os jovens, levando-os a desenvolver um cultura própria que, inevitavelmente, passa pela internet.

Por Julio Daio Borges

A Campus Party – a grande festa da internet, que encerrou sua segunda edição no Brasil no último dia 25 – começou na Espanha. Mais precisamente, na cidade de Valência, em 1997. A Campus Party, como o próprio nome já indica, uniu o conceito de camping, acampar, com o de “party”, festa, mas também ajuntamento de jovens aficionados por temas os mais diversos.

Antes da Campus Party, motociclistas já faziam a sua própria party no norte da Europa e, na área de tecnologia, havia a LAN Party, reunindo frequentadores de LAN houses, como as que, no Brasil, vêm diminuindo a exclusão digital e impulsionando a entrada das classes C e D na internet.

O Brasil, aliás, foi o primeiro país a ter sua própria Campus Party, além da Espanha, em 2008. Ocorreu, ainda no ano passado, uma edição na Colômbia e a ideia, para 2009, é expandir a Campus Party para outros países da América Latina.

A gênese da Campus Party está na percepção de que a tecnologia – principalmente, a internet – hoje transforma as relações sociais entre os jovens, levando-os a desenvolver um cultura própria que, inevitavelmente, passa pela Grande Rede. “A internet não é mais um lugar desconhecido para maioria, é, pelo contrário, um espaço amplo onde os jovens encontram um foro único para se expressar”, registra um dos sites das edições anteriores da Campus Party. “Considerando-se o começo do novo milênio, e a crescente expansão dos computadores pessoais, era mais ou menos lógico que um movimento assim ocorreria”, frisam os organizadores. “A Campus Party, no fundo, é o encontro de pessoas que compartilham sua paixão pelos computadores; durante vários dias, essas pessoas se reúnem com seus próprios computadores (ou não) em um recinto e se dedicam a realizar todo tipo de atividades relacionadas a computadores”.

Nesta segunda edição brasileira, passaram mais 100 mil visitantes pela Campus Party, que aconteceu no Centro de Exposições Imigrantes, de 19 a 25 de janeiro. Mais de 6 mil foram os “campuseiros” que, munidos de barracas, acamparam numa área especialmente designada. 468 atividades ocorreram e 12 foram as seções temáticas na Campus Party 2009: Campus Blog, Games, Simulação, Modding, Música, Design, Fotografia, Vídeo, Desenvolvimento e Software Livre. Na área de Inclusão Digital, foram “batizadas” (digitalmente) quase 7 mil pessoas, que tiveram acesso a 200 computadores.

Mais de 60% dos “campuseiros” eram homens e mais de 70% tinham entre 18 e 29 anos. Quase 60% deles vinha de São Paulo mesmo, embora, na festa, estivessem presentes 22 nacionalidades diferentes.

Uma das grandes vedetes da Campus Party 2009 foi o Campus Blog, espaço reservado para a discussão do impacto das chamadas “mídias sociais” (blogs, Orkuts, Twitters) na internet brasileira, sob curadoria de dois dos mais aclamados blogueiros brasileiros, Alexandre Inagaki e Edney Souza.

Desde mobilidade até “ética na nova mídia”, com Caio Túlio Costa, foram mais de 25 palestras e mesas sobre temas como podcasts, “reputação na blogosfera”, publicidade, educação, eleições, “monetização”, microblogs, direito, relações públicas, empreendedorismo e até pornografia na internet. Passaram pelo Campus Blog nomes como Tiago Dória (iG), Daniela Braun (IDG), Ricardo Noblat, Soninha Francine, Ronaldo Lemos, Rosana Hermann e Guilherme Ribenboim (Yahoo), entre internautas célebres. O Campus Blog ainda aproveitou para promover oficinas, lançar um livro (Blogs.com), um documentário (Blogumentário) e entregar um prêmio (Best Blogs Brazil).

A Campus Party Brasil 2009, contudo, não foi uma unanimidade. Um dos maiores críticos da festa, o artista gráfico André Dahmer, criador da tira de humor Malvados, foi convidado a participar, chegou a confirmar presença, mas desistiu na última hora, ao saber que a grande patrocinadora do evento seria a Telefônica.

Dahmer tem uma história pessoal de crítica aos blogueiros que mais faturam na internet brasileira hoje. Muitos, na sua visão, vendem seus pontos de vista, para as grandes marcas e as agências de publicidade online, em troca de brindes, convites para eventos e, às vezes, algumas centenas de reais.

Outro incidente que denegriu a imagem desta edição da Campus Party foi o episódio da coelhinha da Playboy, Ana Lúcia Fernandes, que, participando do stand da Abril Digital, terminou a festa bolinada por um “campuseiro”. A Campus Party, apesar de tudo, permanece como a grande festa da internet brasileira – e o site já anuncia os preparativos para a edição 2010… [Webinsider]

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Sobre o autor

Julio Daio Borges é o editor do Digestivo Cultural.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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