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Educação e ensino

Presencial ou a distância? Os dois, por que não?

14 de janeiro de 2009, 10:35

Enquanto é debatido se o ensino a distância é benéfico ou não, os benefícios gerados pelas novas ferramentas são ignorados. Enquanto isso a inovação tecnológica chega e se impõe rapidamente como realidade.

Por Armando Terribili Filho

Você já notou a diferença de habilidade que há na utilização de computadores, celulares, controles remotos e câmeras digitais, quando se observa um jovem de 20 anos e uma pessoa na faixa dos 60? Em geral, o jovem demonstra facilidade e interesse pelas novas tecnologias, enquanto a pessoa madura demonstra dificuldades no manuseio e rejeição, alegando complexidade e funções desnecessárias.

Desde 1903 se conhece o padrão de disseminação tecnológica dividido em cinco grupos de usuários: inovadores, adeptos iniciais, maioria adiantada, maioria atrasada e retardatários. Os inovadores, que representam 2,5%, são as pessoas mais ousadas ou extremistas, que adoram novas tecnologias, pagam por elas, falam delas e se sentem orgulhosas por serem os precursores.

Os adeptos iniciais (13,5%) são pessoas atualizadas – que gostam e compram novidades tecnológicas – e consideradas líderes e formadoras de opinião. O terceiro grupo, da maioria adiantada (34%), é composto por pessoas que levam mais tempo para utilizar algo novo, observando e seguindo os líderes.

Já a maioria atrasada, também com 34%, é formada por pessoas céticas diante da mudança tecnológica, que somente por pressão social ou necessidade econômica aderem à inovação, quando ela se evidencia como efetivamente vantajosa e com custo baixo.

Por fim, os retardatários (16%) são as pessoas mais conservadoras em suas visões e relutam contra transformações nas tecnologias, rejeitando-as.

Evidentemente, há diversos fatores que afetam a velocidade com que uma nova tecnologia é disseminada na sociedade, com destaque para a disponibilidade, custos, vantagens na utilização e facilidade de uso.

Inovações tecnológicas surgem diariamente e delas decorrem mudanças comportamentais incondicionais – automáticas ou não. O ensino a distância (EAD), por exemplo: em cursos de graduação e pós-graduação, é ponto de críticas, sobretudo de professores, que alegam que: o contato com o aluno é essencial no processo ensino-aprendizagem; os objetos de ensino são desenvolvidos por técnicos e não por docentes; as instituições possuem recursos limitados de infraestrutura para tal modalidade: e a motivação dos estudantes tende a diminuir no mundo virtual, provocando desinteresse e apatia.

Por outro lado, benefícios gerados pelas novas ferramentas são ignorados, como maior autonomia ao aluno, facilidade de pesquisa, acesso à informação atualizada, uso de simuladores e jogos educativos interativos, e criação de grupos de debates distribuídos pelo mundo, além de maior acesso a cursos superiores no País.

Nesse momento, o pensamento binário da exclusividade entre “presencial ou a distância” deve ser banido das mentes, pois é preciso refletir em termos de integração e complementação dos métodos.

Nas próprias empresas, embora os cursos de e-learning possibilitem flexibilidade de horário na sua realização e alcancem áreas geográficas distantes, os mesmos são alvos de críticas pelos usuários que preferem os cursos presenciais, sob alegação de maior integração entre as pessoas.

Neste caso específico, deve-se expurgar da avaliação as políticas empresariais que fizeram do e-learning um exclusivo redutor de custos de treinamento, em vez de transformá-lo em mais uma ferramenta de capacitação profissional e gestão do conhecimento nas organizações.

Enquanto é debatido se determinada inovação tecnológica pode ser benéfica ou não, se o “antigamente” era melhor que o “atualmente”, e se as ferramentas atuais trazem a tão propagada “escravidão” no cotidiano dos profissionais, as inovações chegam e se impõem rapidamente como realidade.

Resta saber como lidar melhor com elas e torná-las fortes aliadas, abandonando as tradicionais posturas refratárias e as lutas improdutivas contra aquilo que se mostra irreversível. E isso independentemente da idade. [Webinsider]

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Sobre o autor

Armando Terribili Filho é diretor de projetos da Unisys Brasil e professor da Faculdade de Administração da FAAP.

Apoio:

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ formação profissional ] [ trabalho a distância ] [ inovação ]

Comentários

7 pessoas comentaram o artigo "Presencial ou a distância? Os dois, por que não?"

Luciano Ayres Data: 15/01/2009 às 2:02 pm

Atividade: E

Cidade: Recife

Também concordo que a melhor maneira seria uma utilização dos dois métodos, mesmo porque sabemos que o ser humano define suas preferências, principalmente sobre o método de aprender, em função de inúmeros fatores subjetivos.

Abraço,

Luciano Ayres
http://blog.lucianoayres.com.br

Eudes Cruz Data: 16/01/2009 às 5:57 pm

Atividade:

Cidade:

Desde os idos da década de 1980, ainda no início da adolescência, quando morava numa cidade do interior, no Nordeste, em que as oportunidades educacionais eram poucas, ficava me perguntando e, por que não dizer, aflito com o fato de que não se usava amplamente a EAD.

Tenho acompanhado intensamente o assunto: o avanço na legislação, muito tardia, diga-se, a diminuição do preconceito, a superação de barreiras… Mas ainda acho que não está no ponto que poderia estar. Acho incrível que ainda haja pessoas, inclusive do meio educacional, que tenham dúvidas sobre a efetividade da EAD, ainda mais num país de tão grande extensão territorial e no atual estado de avanço tecnológico.

Pessoalmente, tenho feito vários cursos a distância. Entre vários, fiz um de nível técnico e agora estou fazendo um de graduação. Tive possibilidade de fazer o curso que queria na modalidade presencial, e rejeitei porque prefiro a modalidade a distância.

Para mim, tem sido muito enriquecedor. Assim como nos cursos presenciais, há diferentes metodologias, boas e ruins, mas o que tenho percebido é que não limitações do que possa ser ensinado eficazmente sem a presença física de um professor, desde que sejam usadas metodologias variadas de maneira criativa.

Havendo interesse pessoal no aluno, bom planejamento e comprometimento da instituição, não há que se falar que a EAD seja uma modalidade de ensino pouco eficiente e menos vantajosa em comparação com a presencial.

Tatiana Mattos Data: 21/01/2009 às 9:27 am

Atividade: Salas virtuais

Cidade: São Paulo

Sou proprietária da Net Salas, uma empresa que realiza eventos online através de salas virtuais, e também as locamos para empresas.

Os cursos online tem sido muito procurados e muito bem aceitos pelos participantes, pois realizamos em tempo real, onde há praticamente a mesma interação de palestrantes e participantes (com imagem e áudio), assim como apresentação de slides e outros materiais (de acordo com a necessidade de cada curso). Os participantes ficam muito satisfeitos principalmente porque podem participar de vários cursos sem precisarem perder tempo com deslocamentos e, claro, a vantagem financeira (os custos para se realizar um evento virtual são extremamente menores comparados ao presencial). Além disso, o conteúdo a ser apresentado é exatamente o mesmo de um evento presencial, assim como a explicação do palestrante. Então, a diferença está na atenção e interesse de cada participante, o que resultará no aproveitamento final.

Além disso, muitas empresas já estão utilizando nossas salas virtuais para realizarem treinamentos de equipes e atendimento aos seus clientes, que também tem sido muito bem aceito pelos usuários.

Sem dúvida, ainda esbarramos na cultura. Como citado no artigo, muitas pessoas ainda tem medo do “novo”, e até uma certa desconfiança por se tratar de serviços pela internet. Mas posso garantir que as barreiras estão sendo quebradas. A crise financeira mundial tem contribuído muito para a utilização desta nova tecnologia, já que a palavra de ordem é economizar, sem perder a qualidade.

Telma Silva Nascimento Data: 23/01/2009 às 12:25 am

Atividade: Professora/Estudante

Cidade: Camaçarí-Ba

Só sei dizer que adoro estes e-mails, de verdade enrequecedores, auxilia formar opiniões por demais.
Parabéns, equipe
Stelma

Adriane Cônsolo Data: 27/02/2009 às 11:33 am

Atividade: Designer Instrucional

Cidade: São Paulo

Acredito que a educação a distância é mais uma modalidade de educação, ela não irá substituir a educação presencial. Além do mais não são todas as pessoas que tem habilidades suficientes para estudar através do computador, um aluno de EAD deve ter disciplina e ser meio autodidata. E em relação ao distanciamento que a EAD provoca, que tantos falam, isso vai de acordo com o planejamento pedagógico do curso, em um estudo que realizei, enviei SMS para os alunos com informações sobre o curso e a experiencia foi muito gratificante em ambas as parte.
A tecnologia está cada vez mais dentro de nossas vidas, não é possível ignorá-la por muito mais tempo.

laroberty leal silva Data: 02/07/2009 às 12:15 pm

Atividade:

Cidade: são luis-ma

quero saber se ao cursar o ensino a distancia posso fazer concurso em nivel de graduação concorrendo com condaditatos do ensino presencial?

Gustavo de Camargo Data: 24/08/2009 às 8:44 am

Atividade: Estudante

Cidade: Taboao da Serra

Concordo que a unificaçao das duas modalidades de ensino sejam uma boa, e provavelmente o futuro.
Mas discordo muito do EAD, muitos sao os fatores que me desagrandam nesta modalidade de ensino, principalmente nas areas de graduação, é de se concordar que facilita muita a vida das pessoas que necesitam cursar alguma graduaçao, ou simplesmente para especialização é de grande utilidade o EAD, mas acredito que se perde muito na qualidade de ensino, acredito eu que a interaçao entre os alunos em sala de aula é muito mais vantajoso, pois existe a troca de experiencia entre ambas as partes (aluno X professor), perde - se a essencia do ensino.
Acredito que os beneficios seram imensos na mescla das 2 modalidades, mas se perde muito em eficiencia e qualidade na modalidade EAD.
Tenho 22 anos de idade,sou estudante de Engenharia e adoro os avanços tecnologicos que acompanho no nosso dia a dia, mas acredito que existem coisas que nao podem ser mudadas, mas sim melhoradas, os avanços tecnologicos viram a calhar em caso de pesquisas, havera com certeza um enriquecimento de cultural em nossas pesquisas e com certeza sera de grande beneficio, mas depois de algumas experiencias em cursos on line e els com certezas sao ricos em informaçao, mas deixam a desejar.

Abraço a Todos.

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