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Dez regras básicas para um bom atendimento

09 de janeiro de 2009, 19:10

São dicas para donos de restaurantes, mas servem para donos de e-commerce e desenvolvedores de sistema também. O que desejamos em um restaurante não é muito diferente do que esperamos de um serviço online.

Por Rafael Mantesso

Em uma das últimas edições do Fantástico na TV no fim do ano passado, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel ensinou à chamar um garçom. Segundo ela é preciso levantar e balançar fortemente os braços para que um garçom te veja. Ainda bem que ela não é da área, por isso a besteira é permitida.

Faça o seguinte, se for num restaurante que você precise “balançar fortemente os braços” para ser atendido, não volte lá nunca mais.

A função de um bom garçom é ser atento ao menor gesto seu. Ele tem obrigação de saber o quanto é chato ficar com a mão levantada. Para quem acha que é preciso plantar bananeira para chamar um garçom, aqui vão algumas coisas básicas que um restaurante deve seguir:

São pequenos detalhes, fáceis de gerenciar e que podem causar o maior problema se não forem adotados.

1. Pontualidade. Os restaurantes devem abrir e fechar no horário em que dizem que irão fazê-lo. Acontece muito de restaurante que abre as portas sem estar preparado. Você entra e encontra lá dentro garçons sem uniforme, pessoas arrumando mesas e varrendo o salão. Existem também aqueles restaurantes que fecham antes do combinado porque o salão está vazio, deixando o cliente de última hora, que é tão importante quanto qualquer outro, para fora da casa.

2. Limpeza. Um garçom atento não é apenas aquele que atende os clientes com rapidez. Ele não pode deixar uma mesa suja, com papel, palito, água, restos. Ele deve ter atenção para não atrapalhar o cliente que está atendendo, muito menos as mesas ao lado. Spray não funciona, de preferência, deve-se colocar o líquido num pano limpo e depois passar sobre a mesa. Há ainda aquele garçom que abusa do perfume. Estes odores são ofensivos e podem pôr a perder a qualidade da comida. Um garçom deve ser discreto.

3. Mesas e cadeiras. As pessoas não estão dispostas a tentar equilibrar um copo de bebida ou fazer malabarismo pra cortar uma carne enquanto a mesa balança. Todo gerente tem a obrigação de sentar em cada cadeira e mesa do restaurante e certificar-se que estão em ordem. E sem pedaços de papelão ou bolachas de chopp embaixo dos pés dos móveis para acabar com o desnível.

4. O garçom é um vendedor. Quando vamos a uma concessionária comprar um carro temos a impressão que o vendedor é um piloto de fórmula 1. Ele consegue falar com a maior empolgação sobre como são especiais as velas e sistema de embreagem daquele carro. Ele tem obrigação de saber. Uma equipe de garçons deve ser assim. Deve saber exatamente como são preparados os pratos.

A frase “Vou perguntar ao Chef” é lamentável.

Da mesma maneira quando os clientes perguntam “O que é melhor” e o garçom responde “tudo é bom”, significa que ele não come no restaurante. Então, por que o cliente deveria fazê-lo?

Os clientes esperam sinceramente por um conselho da equipe que deveria conhecer os pratos e que esta experiência seja passada a eles.

5. Equipe. Garçons, auxiliares e gerentes desatentos podem enterrar uma experiência que poderia ser espetacular. Muitos restaurantes trabalham com “praças”, onde cada garçom é responsável por um determinado número de mesas.

Isto é uma maneira prática de coordenar o atendimento, mas não quer dizer que se o cliente de uma praça chamar o garçom de outra praça ele não deve atendê-lo. Isto é mais comum do que se pensa - garçons que não se preocupam com o atendimento do restaurante ficam presos às suas seis mesas.

6. Restaurante é lugar de trabalho. O que nos incomoda muito é o amadorismo do setor. Não é de se assustar quando vemos o dono de um bar ou restaurante aos berros com algum funcionário na frente de todos. Isso é constrangedor paro funcionário e paro cliente, que não está pagando pela baixaria. É comum também ouvir queixas do garçom sobre o patrão, sobre a empresa. Lembre-se: um cliente não vai ao restaurante para fazer terapia. Faça um teste e pergunte a eles se gostam de trabalhar ali. Esteja disposto, pois eles vão lhe contar todos os seus problemas.

7. Reposição. Quando vamos comer numa churrascaria, não ficamos levantando a mão para pedir carne. A reposição é automática, algumas tão rápidas que parecem querer nos apressar. Quando o restaurante oferece a possibilidade de repor o produto, deve-se estar certo de que esta reposição chegará até a mesa continuamente. É obrigação de todos fazê-la. A proximidade da equipe sempre funciona. É desgastante ter que solicitar reposição toda hora.

8. Site. Está na moda ter site. O dono do restaurante paga uma mixaria para o sobrinho que desenvolve uma logomarca e cria seu site. O conteúdo nunca é atualizado. O cliente entra, vê os pratos, vê os preços e na hora de pedir o prato, ele não existe ou o preço dobrou. Ter um site não é pagar para o sobrinho. É atualizá-lo sempre.

9. Telefone. O cliente não tem que esperar no telefone por informações básicas. Qualquer responsável por atender o telefone deve saber na ponta da língua essas informações. Não oferecer as informações básicas sobre sua casa é mandar o cliente para o concorrente

10. Conta. Você oferece uma comida primorosa, o serviço é espetacular, e aí, tudo vai por água abaixo. Porque a conta demora tanto a ser fechada? É lógico que não se deve apressar os clientes, mas, ao mesmo tempo, o serviço não está completo até o momento em que o cliente deixa o restaurante. Muitas casas parecem imaginar que, uma vez servido o prato principal, sua obrigação acabou. Nada pode estar mais longe da realidade do que isto. [Webinsider]

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Sobre o autor

Rafael Mantesso (mantesso@gmail.com) é especializado em marketing e criatividade em restaurantes e mantém o blog Marketing na Cozinha.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ Vendas ] [ formação profissional ] [ publicidade ] [ gestão ] [ Comunicação corporativa ]

Comentários

14 pessoas comentaram o artigo "Dez regras básicas para um bom atendimento"

Imaculada Data: 10/01/2009 às 8:16 am

Atividade: bancária aposentada

Cidade: Juiz de Fora

Muito interessante o texto.
Realmente é desagradável ficar balançando os braços à espera do garçom, ficar cochilando na mesa à espera da conta e, como disse o autor ficar fazendo malabarismo com a faca porque a mesa balança.

Lucas de Castro Data: 10/01/2009 às 11:49 am

Atividade: Analista Programador

Cidade: Teresina, PI

Adorei!

Tem uma coisa que eu gosto muito também, é quando o garçom lembra do último pedido ou das minhas preferências.

Parabéns pelo texto, Rafael.

Waldemar Data: 10/01/2009 às 9:28 pm

Atividade: Funcionário Público

Cidade: Rio de Janeiro-RJ.

Parabéns Rafael, seu texto é perfeito,principalmente em relação ao ítem 2- Pois ele é abrangente, já que a higiene além de agradar aos olhos é também uma questão de saúde.

Luciano Ayres Data: 11/01/2009 às 12:22 am

Atividade: Empresário

Cidade: Recife

Oi Rafael,

Excelentes observações. O amadorismo no setor gastronômico realmente causa muitos aborrecimentos ao consumidor.

Quando vou a um restaurante, desejo ir embora apenas com boas recordações sobre o sabor da comida e o conforto do ambiente, e não com queixas sobre a qualidade do atendimento.

Muito bom o post.

Abraço,

Luciano Ayres
http://blog.lucianoayres.com.br

waldemar Data: 11/01/2009 às 9:58 am

Atividade: Funcionário Público

Cidade: Rio de Janeiro - RJ.

Parabéns Rafael, seu texto é perfeito, principalmente com referência a ítem 2 - Pois ele é abrangente já que a higiene além de agradar os olhos é quetão de saúde.

Lucas Selbach Data: 13/01/2009 às 1:04 pm

Atividade: Consultor de TI

Cidade: Caxias do Sul, RS

Rafael, excelente contribuição.
Eu tive a grata experiência de dar uma pausa nos meus trabalhos de consultoria em TI para ser garçom internacional em cruzeiros. É exatamente isso.
Em termos de serviço temos muito a aprender - iniciando em bons restaurantes.
Sugiro que os colegas da área vão a um restaurante sofisticado e observem os detalhes. Funciona.

Grande abraço e parabéns.

Celso Bessa Data: 13/01/2009 às 2:51 pm

Atividade: Designer/Consultor

Cidade: São Paulo

Rafael, muito bom o seu artigo. Incrível que é, como quase tudo que é importante, é um tanto quanto óbvio, e ainda assim, a maioria não enxerga isso.

Escrevi, tempos atrás, um texto mencionando dois casos no ramo de restaurantes e similares, muito mais informal, mas que apresente bons exemplos dos ítens que citou.

Eu ficaria contente se lesse e comentasse a respeito.

http://celsobessa.wordpress.com/2007/08/27/excelencia-nos-negocios-o-core-business-da-kebab-salonu-e-confeitaria-monte-libano/

‘braços

Celso Bessa

Juliana Villas Boas Fonseca Data: 13/01/2009 às 5:03 pm

Atividade: Webdesigner

Cidade: Belo Horizonte

Muito bom o artigo! É incrível como a semelhança entre o mundo on-line e um restaurante seja tão grande. Aqui vale ainda a reflexão: ao entrar em um restaurante, todos nós já “sentimos” o clima do local, e de uma forma bem rápida sabemos se é agradável, seja pelo cheiro, cor da parede ou aspecto geral do ambiente. O mesmo vale para um site: um projeto com “alma” é sentido assim que a index.htm é carregada, transportando para o visitante sensações que o farão decidir se vale ou não a pena voltar a visitar aquele site, conquistando a disputada fidelização dos cliques.

josemy Data: 19/01/2009 às 9:48 am

Atividade: maitre

Cidade: imperatriz maranhão

gostei de tudo que vc disse principalmente quando vc falou do progama de tv e da neurocientista valeu.

10° otto leite Data: 15/02/2009 às 9:42 am

Atividade: dono de um cafe

Cidade: rio das pedras

e isso mesmo que tento passar as meninas que trabalham no meu cafe .mas nao sei como passar melhor vc teria um encarte ou um guia que vc pudesse me enviar eu paria as despesas de corrreio poderia entrar em contato comigo por fone para passar minhas informacoes o fone e 19-34932488 ligue a cobrar tudo bem pra mim e de meu interesse poes eu nao tenho tempo pra internete e nem sei trabalhar co,m isso por favor obrigado cafe urso branco rio das pedras

11° PREGENTINO CUSTODIO Data: 25/03/2009 às 7:28 pm

Atividade: MAITRE

Cidade: GUARAPUAVA

MUITO BOA A INICITIAVA DE TRANSMITIR ESTAS DICAS,GOSTARIA QUE MAIS PESSOAS LIGADAS A AREA TAMBEM DESSEM ALGUMAS DICAS, QUEM SABE ASSIM, PODERIAMOS MONTAR UM MANUAL ONLINE PARA NOS AJUDAR MUTUAMENTE.

12° Aurilanny Data: 02/07/2009 às 1:34 pm

Atividade: Sup.de vendas

Cidade: Araguaína-To

O mais interessante é comparar o restaurante com uma concessionária. Aqui vou fazer o inverso em um treinamento com minha equipe de vendas….Parabéns pela matéria.

Aurilanny

13° george anibal santana orleans Data: 07/07/2009 às 11:45 am

Atividade: sub-gerente

Cidade: salvador

adorei muito bem formulado…
todo dono de restaurante deveria seguir a risca essa regras…
obrigado…

14° felipe Data: 06/10/2009 às 1:26 pm

Atividade: atendente

Cidade: Belém do Pará

meu atendimento é baseado em todas essas questões relacionadas ao texto na verdade eu e minha equipe
não gostamos de serem considerados como garçom ou tirador de pedidos mas sim como atendente vendedor de diversos produtos variados com o conhecimento completo de cada um deles!!!

parabens pelo texto e as relações utilizadas realamente e infelizmente são bastante reais !

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