E se fizéssemos um seminário 2.0, como ele seria?
31 de outubro de 2008, 22:06Eventos e palestras procuram usar bem as novas tecnologias, mas o que temos hoje nos encontros, de maneira geral, é o modelo clássico um para todos. Conseguir agregar o muitos para muitos de forma eficiente e fácil será bem-vindo.
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Bom, vou colaborar com a polêmica sobre os acontecimentos do último iMasters Intercon 2008, ocorrido no final de outubro, em São Paulo, pois acho que é muito interessante abrir algumas questões.
Tentaram inovar em várias ações para se chegar no que nós estamos todos procurando um “evento 2.0″.
Algumas coisas deram errado.
E como rolaram muitas idéias diferentes, não digo necessariamente novas, tudo se misturou. Não fui lá, mas pude ler na rede, graças aos blogs… e queria comentar algumas coisas.
Reclama-se da organização. Isso é uma praga brasileira. Não aprendemos ainda algumas coisas básicas nesse campo.
1. É preciso planejar e testar tudo muitas vezes antes de ir para as vias de fato, ainda mais novidades. Nossa cultura é a do improviso. Precisamos combater isso, todos nós, onde me incluo;
2. Começar na hora e acabar na hora, mesmo que esteja ótimo ao final e mesmo que tenha pouca gente no início (não sei se isso ocorreu lá, mas é fato recorrente);
Para o Brasil, uma grande inovação seria a profissionalização de eventos, seguindo critérios de qualidade. Já deve ter muito curso por aí para ajudar nessa direção.
Bom, para analisar as novidades, é preciso saber o que estamos procurando nos eventos daqui para frente. Para isso, é preciso olhar para o que temos, fazer uma diagnóstico do que pode ser feito, com as novas tecnologias e cultura, principalmente, as colaborativas para ir adiante.
O que temos hoje nos encontros, de maneira geral, é o modelo clássico um para todos. Tudo que vier agregando o muitos para muitos de forma eficiente e fácil será bem vindo.
Assim, um modelo que me agradou bastante foi o que vi na Web 2.0 Expo do pessoal da O’Reilly, que pude acompanhar em NY, mês passado. Eles tentaram antes, durante e depois do evento criar uma comunidade em torno da atividade, com vários recursos interativos.
Veja o menu de opções do site da Web 2.0 Expo:
- Keynote Videos
- Speaker Presentation Files
- Photos
- Web 2.0 Expo Blog
- News and Coverage
- Follow on Twitter
- Become a Fan on Facebook
Ou seja, se é algo novo tem que ser colaborativo o tempo todo, desde a hora de você se informar sobre o evento, durante e depois quando você pode comentar e agregar sobre o que foi apresentado.
Coisas interessantes: foi estimulado o contato das pessoas durante o almoço, podia se agendar mesas para discutir determinados temas. Havia as palestras livres, você marcava lá e falava o que quisesse, tudo com uma organização super-impecável, tudo na hora.
Intercon: a palestra dois em um
Bom, sobre o Intercon, pelo que li e vi, a grande novidade (ou a mais badalada) foi a interessante idéia de se fazer duas palestras no mesmo ambiente, todo mundo ouvindo em headphones distribuídos previamente e trocando entre os dois ”canais”, a critério.
A idéia, a princípio, parece bem legal e original, talvez tenha que se trabalhar mais na metodologia, pensar melhor de que forma poderia ser interessante, mas fundamentalmente, com uma interação maior entre as duas e não uma competição entre elas.
Assim, do jeito que foi feita a atividade, cada palestrante competindo pelo público, me pareceu desrespeitoso com quem falava, pois ampliou ainda mais a ansiedade e a dispersão do público, que já tem as traquitandas eletrônicas abertas twitando e postando feito loucos.
Colocaram mais uma para o povo brincar.
(A dispersão é algo que deve ser combatido na Web 2.0. É uma conseqüência negativa do excesso de colaboração).
Se fizessem palestras rápidas, com troca de pessoas em cada palco, uma de cada vez, eliminava-se aquela entrada (…) ajeita o power point (…) vou começar (…)
Ia-se direto, uma atrás da outra…..ainda mais quando o evento necessita de ajustes no palco, enquanto se arruma um lado, o outro está indo adiante…
Palestras com muita gente, por exemplo, enquanto uns saem, outros entram…
É ir pensando…
Ou seja, a idéia é boa, precisa apenas pensar o melhor formato.
Do que vi, achei o site da Intercon muito pouco colaborativo para um evento que procura a inovação.
Acredito que hoje um evento tem que ser divulgado na rede, através de um site colaborativo, como um blog ou uma rede social. Todas as informações colocadas devem ser passíveis de comentários.
Tem um hotel tal… e o pessoal comenta, vai lá, não vai… etc. Estrelas para os locais de comida etc…. Melhores rotas, dicas de estacionamento barato etc…
Adorei e me parece que a grande inovação do evento foi o apoio que deram aos blogueiros. Isso eu nunca tinha visto antes. Não vi lá fora, não vi nos eventos da Info, nem da Convergente… colocar os blogueiros com posição de destaque foi o máximo.
(Pode ser que lá fora já seja prática dar credencial para os blogueiros conhecidos do tema e que sejam considerados com as mesmas regalias da mídia. Não posso afirmar.)
Normalmente, em vários eventos pequenos, a mídia não vai mesmo e ter a cobertura alternativa permite que toda a comunidade em volta possa saber o que aconteceu.
(Entretanto, só achei o link da cobertura dos blogueiros via Google.)
Esse destaque aos blogueiros foi, a meu ver, a grande inovação do evento e acho que é algo que deve ser muito estimulado por aí.
É isso, algo mais? [Webinsider]
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1° Marcelo Mesquita Data: 01/11/2008 às 10:03 pm
Atividade: Desenvolvedor
Cidade: Brasília
Vale citar o chatcast usado atualmente pelo Ministério da Cultura em seus fóruns. Uma idéia trazida por José Murilo do IGF 2006.
A proposta é transmitir o evento ao vivo via streaming de vídeo dentro de uma sala de bate-papo, de forma que os usuários remotos possam participar ativamente do debate. E, se possível, apresentar em um telão dentro do evento as participações previamente aprovadas por um moderador.