Combinação explosiva!
24 de outubro de 2008, 17:46Quando um disco Blu-Ray com DTS-HD MA pode produzir estouros, literalmente.
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Volta e meia, a vida nos traz surpresas, praticamente em todos os campos da atuação humana, e nem o lado tecnológico do progresso escapa disso. A verdade, porém, no que concerne à tecnologia de áudio e vídeo, é a seguinte: nós hoje raramente nos damos conta de que não estamos mais lidando pura e simplesmente com aparelhos eletrônicos, mas com equipamentos micro processados, isto é, que incorporam no seu design uma mistura de eletrônica e ciência da computação.
Em passado recente, eu abordei nesta coluna o tópico relativo ao firmware, que nada mais é do que um programa escrito para um determinado tipo de microprocessador. Agora, eu pretendo mostrar na prática, como erros dessa programação podem trazer resultados desastrosos ao usuário.
Pois é, caros leitores: hoje em dia, quase tudo que nos cerca é controlado por programação, coisas triviais que vão desde simples eletrodomésticos, até sofisticados sistemas de redes sem fio, daquelas que agora a gente acha na rua. E neste sentido, nos ajuda saber o que é um programa, e como ele pode conter erros.
Um programa é uma seqüência de comandos com o objetivo de executar uma tarefa, e estes comandos são escritos numa determinada ordem, que a gente chama de “lógica”. Um programa pode conter dois tipos básicos de erros: o erro de digitação de comandos (chamado de erro de sintaxe) e o erro de execução das rotinas, quando então a “lógica” não é respeitada. Em qualquer hipótese, um programa contendo erros não cumprirá corretamente a execução de tarefas que se deseja dele.
Aí, vale a pena acrescentar também o seguinte: um microprocessador é um circuito eletrônico, contido em um microchip, pré-programado para executar comandos vindos de um programa. E, neste caso, este programa (“software”) é chamado genericamente de “firmware”.
E os firmwares, nos equipamentos atuais de áudio e vídeo, têm desempenhado um papel importante no desenvolvimento e na sofisticação de novos equipamentos, com a vantagem de poderem ser trocados por uma versão mais atual e melhorada, sem que o usuário precise trocar de equipamento.
Por outro lado, o que se vem notando é que ocorrem constantemente atrasos ou equívocos, na implementação das rotinas dos firmwares, devido provavelmente ao fato de que a confecção dessas rotinas depende muito da integração operacional de indústrias diferentes. E o resultado de qualquer desastre nesta direção acaba invariavelmente no produto final, entregue ao usuário.
Foi o que eu vi acontecer, dentro da minha própria casa, por uma série inusitada de acontecimentos. O meu sistema pessoal de home theater havia mudado em duas etapas e épocas diferentes: na primeira, eu instalei um A/V receiver Onkyo, modelo TX-SR605, que no ano passado era um equipamento “future proof”, quer dizer, era mais avançado, em termos de reprodução de codecs de áudio, do que os equipamentos de leitura (Blu-Ray players) disponíveis na época, para entregar a um processador externo esses mesmos codecs.
Na segunda etapa, bem recentemente, eu instalei um leitor Blu-Ray, Panasonic, modelo DMP-BD30, que tem esta capacidade, e assim o circuito ficou completo.
Mas, nem tanto! As más notícias chegaram antes. A primeira, que o Panasonic BD30 deixava cair o sinal de trilhas de Dolby TrueHD, lidas de determinados discos, o chamado “dropout” de áudio. Desde o ano passado, usuários pela internet afora vinham se queixando disso, e notem que o firmware do BD30 ainda estava na versão 1.4. O BD30 que eu comprei veio na versão 1.8, e eu imediatamente o passei para a versão 2.4. Ninguém sabe por que ou como esses problemas aparecem, e comigo foi a mesma coisa: de repente, um belo dia, estava lá o famigerado dropout de uma trilha Dolby TrueHD. O sinal simplesmente desaparece, e o display do receiver apaga, acusando esta interrupção.
O problema não tem reprodutibilidade, quer dizer, voltando o disco para trás, e tocando o mesmo trecho, a ausência de sinal não se repete! Quer dizer, é pau de dar em doido! Note o leitor que eu passei por cima de várias atualizações de firmware, e nem assim o problema havia sumido.
Eu cheguei a ler um comentário de um participante de um fórum, que dizia temer se aborrecer com isso, toda vez que ele tocava um disco com Dolby TrueHD. E pudera! Ninguém compra equipamentos para o lazer ou por hobby para se aborrecer com coisas operacionais. O que se quer ver é que tudo isso passe transparente. Mas, a solução irá estar sempre um passo adiante, e no caso da Panasonic, eu fiquei bobo de ver como a empresa se alimenta das informações dos participantes dos fóruns lá de fora. E assim, em menos de um mês, saiu a versão 2.5 do mesmo firmware, que eu, é óbvio, instalei imediatamente. Se isso vai resolver o problema, só o tempo dirá, mas os resultados até agora são promissores.
Ausência de sinal de áudio por alguns segundos, convenhamos, é problema pequeno, diante de outro problema, por coincidência com outro codec novo, e desta vez o DTS-HD MA, que provoca um forte estouro nas caixas acústicas do sistema, irrespectivamente do volume utilizado. É como se alguém tivesse furado um desses balões de festa de aniversário, cheio de ar, dentro da sala do usuário. E não é irônico, caros leitores, que eu tenha que ter descoberto este estouro bem no meio da reprodução de um filme de guerra?
Na realidade, o problema é o seguinte: o sinal integral do DTS-HD MA é passado a um processador externo DSP (Digital Signal Processing), no caso, o do meu Onkyo 605, que se encarrega de transformá-lo em sinal analógico para amplificação. Como na situação anterior, alguns discos, quando tocados, provocam um erro de decodificação neste DSP, dando o estouro nas caixas. O estouro é um ruído transiente de grande amplitude e como tal pode queimar instantaneamente uma ou mais caixas acústicas do sistema, coisa que, felizmente, não chegou a acontecer comigo.
O estouro acontece em vários receivers da linha Onkyo (605, 705, 805, 875 e 905) e em modelos diversos das marcas Integra, e Yamaha e, ao que parece, até com alguns receivers da Pioneer (não confirmado). O termo oficial da Onkyo para o problema é: “Pop-noise with some HD-DTS material”, mas os usuários dos fóruns o chamam mais apropriadamente de “DTS bomb”!
A cura, para evitar que a “bomba” exploda, está na atualização do firmware do DSP. Nos modelos que têm mais de um DSP, a correção tem que ser aplicada em todos eles ao mesmo tempo!
O procedimento para alcançar este intento vai depender do equipamento, e assim instruções específicas são fornecidas pelos fabricantes de cada receiver. Os modelos da Onkyo, por exemplo, usam um arquivo de áudio PCM (“wav”), com o qual o usuário se serve para gravar um CD de áudio. Este CD tem que ser reproduzido pela entrada ótica número 1, após uma seqüência de teclas do painel ser acionada numa determinada ordem.
O processo em si é particularmente complicado, porque algumas dessas teclas dão um espaço de cerca de três segundos, para que a próxima tecla seja acionada, e isso obriga o usuário a memorizar a seqüência e tentá-la várias vezes, até tudo dar certo. Além disso, a reprodução de um CD de áudio pela saída digital de um leitor de DVD, por exemplo, pode não começar do zegundo “0”, e isso impede a transcrição correta do firmware. A própria Onkyo recomenda tentar vários aparelhos de leitura e, se possível, um CD player mais antigo, onde este problema não acontece.
O pior disso tudo é que este tipo de firmware, se aplicado incorretamente, pode inutilizar por completo o funcionamento do receiver, obrigando o usuário a mandá-lo para os representantes, para troca do circuito que armazena o firmware. Por causa disso, é importante que o leitor desta coluna, se aflito com este problema, confie a solução do mesmo para aqueles mais capacitados e/ou responsáveis pelo seu equipamento!
Por outro lado, é importante observar que receivers de uma mesma linha de montagem podem ter componentes em versões diferentes e que os mesmos têm firmware de versões diferentes. Esta é, em última análise, a explicação pela qual um determinado disco Blu-Ray com DTS-HD MA pode dar estouros em um equipamento e não em outro. Eu mesmo verifiquei isso, ao examinar uma lista fornecida por um usuário do fórum da AVS: na lista dele aparecem discos que eu já tinha tocado sem nenhum problema!
O leitor deve ainda prestar atenção também para o fato de que o estouro nas caixas somente acontece com o envio do sinal integral do DTS-HD para a decodificação externa, isto é, fora do leitor. Muitos leitores de Blu-Ray no mercado processam a decodificação internamente, para passar o sinal adiante como LPCM multicanal. E não são poucos os aparelhos de primeira geração que sequer fazem uso do codec integral para esta transformação, eles usam apenas o “core”, que é o DTS convencional e que não tem este problema.
O uso de codecs de áudio avançados, em toda a sua plenitude, só é possível com a sua decodificação integral interna, transmitindo-se os mesmos pela saída analógica ou então enviados para um processador externo. Este último método, porém, só aconteceu quando a transmissão do sinal por protocolos HDMI versão 1.3 se tornou factível. E isto, salvo melhor juízo, é um caminho evolutivo que, a meu ver, não tem volta.
Antes de terminar, um lembrete para evitar desespero de quem vai passar ou já está passando pelo bombardeio do DTS-HD MA: na dúvida, mude a saída digital do seu leitor para PCM, em vez de bitstream. Com isso, o codec original nunca chegará ao seu destino, evitando o ruído. Faça isso, até o problema ser diagnosticado e/ou resolvido! [Webinsider]
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1° Nolan Leve Data: 27/10/2008 às 10:43 am
Atividade: Consultor AV
Cidade: Rio de Janeiro
Prezado Paulo:
A tecnologia AV está cada vez mais complicada,tanto nos reprodutores BluRay quanto nos “Receivers” hi-end.Isto afasta cada vez mais tais equipamentos do objetivo original que é divertir,fazendo com que seus usuários se tornem robôs-escravos das fabricas,descobrindo e relatando problemas em seus equipamentos caríssimos que nunca deveriam acontecer.A quantidade de siglas,formatos,firmwares e outras cositas mais,deixando “abacaxis” nas mãos de pessoas competentes como você só vai poder ter um final:tudo isto vai se acabar!!! Senão vejamos:receivers já são peças raras e o termo “Home Theatre” agora se refere em 98% das vezes a equipamentos de uso extremamente prático e popular,que é o que a nova geração quer - um nivel razoável de qualidade aliada a uma extrema facilidade de uso. O BluRay continua caríssimo e com a crise atual se avolumando,a coisa vai ficar séria para ele também.Resumindo:os fabricantes vão ter que olhar seu próprio lucro com mais carinho,pois tem que dar satisfações aos seus acionistas.Algo me diz que os tempos de luxo estão por terminar.
Em tempo:No camelódromo aqui do Rio,os videogames mais vendidos para o “povão” são o XBox e o Wii,para os quais se encontram uma variada gama de acessórios,games e serviços.O Sony PS3,que reproduz BluRay não existe por lá.Porque será?
Abraços,
Nolan