Museus brasileiros estão em estágio inicial na web
17 de outubro de 2008, 10:01Os museus brasileiros de forma geral estão ainda no início da espiral evolutiva das formas de presença online: têm aparência amadora, fazem uso exaustivo de texto e têm pouca presença online além de seus sites.
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Vamos começar pelo fim? Este é o mapa do comportamento dos museus de ciências brasileiros na web. De início, a pesquisa cobria 138 instituições, mas 33 não possuíam (ou não foi encontrada) nenhuma forma de presença online, e os sítios de outros 11 estavam com problemas no carregamento.
Temos então 94 instituições representadas no diagrama abaixo, distribuídas nos três primeiros níveis.

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Mas o que isso significa?
Com o objetivo de melhor entender o processo de apropriação do ambiente online pelos museus, elaborei um instrumento de análise que contempla seis critérios: tipo de experiência proposta pelo museu, perfil interacionista das relações, perfil tecnológico e informacional, peculiaridade da estratégia e tipo de relação com o museu físico.
Foram considerados tantos os relatos de experiência dos artigos da Conferência Museum and Web (museus de diversas tipologias), quanto as formas de presença online dos museus de ciências brasileiros. A partir da categorização dos atributos, foi possível perceber quatro estágios de desenvolvimento de presença online, delimitados pelas peculiaridades de suas estratégias intrínsecas, a saber: divulgação do museu físico, ofertas de serviços complementares ao museu físico, apropriação da web pelo museu e apropriação do museu online pelo público.
Estas informações podem ser melhor visualizadas na Espiral Evolutiva das Formas de Presença Online – Categoria Museus.

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O primeiro nível de presença online
O primeiro nível agrega os sítios cujo conteúdo limita-se à divulgação de informações institucionais do museu físico. A internet é considerada mais um canal de veiculação de informações reaproveitadas de outras mídias, normalmente, a impressa. Ainda não se pode falar em apropriação do ambiente online, mas de subutilização da web, seja por desconhecimento do seu potencial ou por idéias pré-concebidas de competição entre os domínios físico e virtual.
O ambiente online é explorado como ferramenta de marketing passivo, ou seja, o usuário deve saber o endereço do sítio ou encontrá-lo por meio de algum mecanismo de busca ou citação em sítios afins. O modelo de interação é predominantemente reativo, onde o museu posiciona-se como elemento transmissor de informações, numa relação monológica e polarizada.
A interação proposta limita-se ao acesso, excluindo possibilidades de consulta ou de intervenção, temporária ou permanente, no sistema.
No Tipo 1A, estão os sítios cujo conteúdo apresenta-se inteiramente no formato textual, geralmente ocupando apenas uma tela e de conteúdo estático (sem atualizações periódicas).
No subgrupo 1B, há maior exploração de recursos persuasivos como fotografias, simulacros do museu físico, mapas de localização, além de uma atualização constante de parte do conteúdo. Tecnologicamente, são utilizados recursos elementares, típicos da web de primeira geração.
O segundo nível de presença online
Os sítios de segundo nível oferecem serviços online complementares à experiência presencial, mas não necessariamente condicionados a esta. Estão focados em ampliar as relações do sujeito com os artefatos, seja disponibilizando o acervo para consulta remota (Tipo 2A) ou através de representações interativas dos mesmos, como simuladores e games (Tipo 2B).
O segundo caso, em que há produção de material específico para a web, marca o início da apropriação do ambiente online pelos museus. Este nível configura-se como interacionista reativo (PRIMO, 2007), dada a natureza fechada das trocas. Ainda que haja um canal de contato, como é de praxe em qualquer sítio, estes sistemas não são orientados ao diálogo com os usuários, mas à oferta de interação com os artefatos representados.
E mesmo que possam ser empregadas tecnologias de segunda e terceira gerações web na construção de modelos mais interativos, predomina a abordagem 1.0. No Tipo 2B, há atualização constante do conteúdo e as ações de comunicação começam a inserir a internet como meio de atingir o público-alvo e potencial dos museus, em especial, o público escolar.
O terceiro nível de presença online
No terceiro nível estão os sítios típicos da Web 2.0, em que o museu abre diversos canais de diálogo com seu público, incentivando-o a participar ativamente da construção do sítio, seja no registro de comentários para exibição pública, no cadastro para acesso a serviços personalizados e compartilháveis, na produção de conteúdo em formatos diversos, como áudio e vídeo.
Estes indicadores caracterizam o início de apropriação da web pelos museus. Se estas iniciativas limitam-se ao sítio oficial do museu são agrupadas no Tipo 3A, mas se extrapolam o domínio do sítio, e representam, portanto, um avanço em termos de estratégia de marketing online, os sítios são caracterizados como do Tipo 3B. Neste caso, os usuários da internet podem ter acesso ao conteúdo do museu em canais diversificados, como o Second Life, o Flickr e o iTunes, mesmo sem nunca terem estado no sítio do museu ou em uma visita presencial.
Esta prática revela uma ampliação na visão do que seja “presença online“ e “público”. A relação com o museu físico é mutualista, onde esforços conjuntos são empregados para integrar as duas instâncias reconhecendo suas potencialidades. Estas ações, viabilizadas pelas tecnologias digitais, em especial as de terceira geração, tornam possível a concretização de um museu ubíquo, onde os conteúdos produzidos por pessoal especializado ou leigo, em qualquer das instâncias museais, são disponibilizados em formatos diversos e acessíveis por vários dispositivos: computador pessoal, celular, aparelhos de MP3, quiosques etc, online ou/e in loco.
Do ponto de vista tecnológico, os dados desta pesquisa revelaram uma relação direta entre o uso de tecnologias web de 2ª e 3ª gerações e os estágios de desenvolvimento online. Concomitantemente, percebe-se que a ocupação do ambiente virtual pelos museus de ciências brasileiros limita-se, quase que em sua totalidade, ao modelo transmissionista de divulgação do museu físico e de fornecimento de conteúdo complementar às visitas, em um comportamento típico da web de primeira geração.
O estágio de desenvolvimento primário de ocupação da internet por nossos museus, torna-se também evidente por outros indicadores, como a aparência amadora dos sítios, o uso exaustivo de texto, a desatualização das informações, os erros de carregamento das telas, os endereços longos e complexos que comprometem a encontrabilidade dos sítios e a ausência aparente de presença online extra-sítio.
Como se sabe, muitas tecnologias de socialização são gratuitamente distribuídas na rede, o que pode ser utilizado experimentalmente antes de se decidir que tipo de prática online melhor pode responder às necessidades de cada instituição.
O quarto nível de presença online – os Museus-Fórum - será assunto do próximo artigo. [Webinsider]
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Referências:
PRIMO, A. Interação mediada por computador: comunicação, cibercultura, cognição. Porto Alegre: Sulina, 2007. 240 p.
Como citar este artigo:
ELER, Denise. Museus brasileiros estão em estágio inicial na web, 2008.
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1° Rodrigo Data: 17/10/2008 às 10:27 am
Atividade:
Cidade: Belo Horizonte
Museus brasileiros estão em estágio inicial em museus.