Web 2.0 e 3.0 subsidiam novas práticas museológicas
02 de outubro de 2008, 21:02Se no início do surgimento da web, muitos temiam que o domínio virtual eclipsasse o museu físico, hoje se fala em um museu híbrido, reintegrado por uma variedade de técnicas e tecnologias.
Por
Na década de 1980, os computadores pessoais despontavam como uma tecnologia que revolucionaria o modo do ser humano lidar com a informação. Se em um primeiro momento, o interesse dos museus pela tecnologia deu-se pelas possibilidades de preservação e recuperação documental, logo viria sua exploração como suporte para os simulacros do acervo, passíveis de manipulação pelo público.
Na década seguinte, o advento da web representaria, para muitos, uma oportunidade de ampliar o número de visitantes presenciais. A tímida ocupação online limitava os conteúdos dos sítios a informações básicas para que usuário visitasse o museu físico, como localização, horários e programação.
Como sabemos, nos últimos quatro anos uma série de tecnologias tem facilitado o uso e a apropriação da web pelas pessoas, caracterizando a sua segunda geração de serviços, a chamada web 2.0. Embora a questão tecnológica não esclareça isoladamente o fenômeno das diversas formas de uso e apropriação da internet pelos museus, seu papel no processo de desenvolvimento museológico na internet não é secundário.
Dentre as práticas emergentes utilizadas pelos museus online em países desenvolvidos destacam-se o podcasting, o tagging (classificação de conteúdo por usuários) e a estruturação semântica da informação (Web 3.0).

.
Na filosofia web 1.0, foram agrupados o redesign de sítios orientados a manter uma presença online básica, ou seja, ter um endereço na internet, com informações sobre o museu físico, tratadas ou não de forma multimidiática.

.
A geração de conteúdo é exclusiva do pessoal do museu, cabendo ao usuário, acessar as informações disponíveis, caracterizando uma estrutura “top down” (de cima para baixo), hierarquicamente fechada. Não há nenhuma preocupação com a formação de comunidades virtuais ou outro tipo de interação social. São sítios orientados a transmitir informação aos usuários.
Sítios que procuraram se apropriar do ambiente virtual, e não apenas utilizar a internet como mais uma mídia para divulgação de informações institucionais, ocupam a categoria 2.0. São sítios que já passaram pelo primeiro nível descrito, e começam a aplicar a filosofia e as tecnologias web de segunda geração para realizar a missão do museu.
Estes sítios, pela forma como são projetados, procuram não só ampliar a experiência do visitante do museu físico, como oferecer uma experiência per si ao usuário da internet. São ambientes orientados à interação dos usuários entre si e com o pessoal do museu, no sítio institucional e/ou em outros sítios estratégicos, como blogs, Second Life, Flickr, Youtube etc.
Por último, a filosofia web 3.0 pode ser notada em sítios que levam em consideração a estruturação semântica da informação e a interoperabilidade, nome dado à habilidade de troca de serviços e dados entre sistemas distintos.
Estes projetos prevêem a reutilização da informação em várias mídias e formatos, realizando a visão do museu ubíquo, onde o que é produzido no domínio físico pode ser reutilizado na internet e vice-versa, reduzindo custos e facilitando a gestão da informação (GUTIEEREZ, 2007; BUCKLAND at al 2007; OSSENBRUGGEN et al, 2007). São sítios orientados ao reaproveitamento e recuperação dos dados e à personalização da experiência.
Se no início do surgimento da web, muitos temiam que o domínio virtual eclipsasse o museu físico, hoje se fala em um museu híbrido, reintegrado por uma variedade de técnicas e tecnologias. Mas o que dizer da situação dos museus brasileiros na internet? Falaremos disso no próximo artigo. [Webinsider]
……………………………………………………………….
BUCKLAND, M., et al., Access to Heritage Resources Using What, Where, When, and Who. In: Museums and the Web 2007, 2007, San Francisco, California. Museums and the Web 2007: Proceedings. Toronto: Archives & Museum Informatics. Toronto, Canadá : Archives & Museum Informatics, 2007. Disponível aqui. Acessado em: 07/04/2007
GUTIERREZ, H. e HEIMBERG, J. Dallas Museum of Art Presents The ARts Network. . In: Museums and the Web 2007, 2007, San Francisco, California. Museums and the Web 2007: Proceedings. Toronto: Archives & Museum Informatics. Toronto, Canadá : Archives & Museum Informatics, 2007. Disponível aqui. Acessado em 10/04/2007.
OSSENBRUGGEN, J., et al. Searching and Annotating Virtual Heritage Collections with Semantic-Web Techniques. In: Museums and the Web 2007, 2007, San Francisco, California. Museums and the Web 2007: Proceedings. Toronto: Archives & Museum Informatics. Toronto, Canadá : Archives & Museum Informatics, 2007. Disponível aqui. Acessado em 13/05/2007.
Como citar este artigo:
ELER, Denise. Web 2.0 e 3.0 subsidiam novas práticas museológicas. 2008. Disponível aqui.
O artigo acima é parte da dissertação de mestrado intitulada Museus na Web – mapeamento, potencialidades e tendências.
.


1° João César de Lima Data: 02/10/2008 às 11:39 pm
Atividade: Design Gráfico
Cidade:
Excelente artigo, Denise!
É incrível como a web está mudando até o modo da sociedade preservar sua história.