Ampliando o contexto: até quando seguir as regras
01 de outubro de 2008, 15:39O design tem a força de garantir a identificação e diferenciação necessárias para a infinidade de experiências a que nos submetemos diariamente.
Por
Vivemos numa profusão de novidades ao mesmo tempo que outras coisas parecem engessadas, não saem do lugar. Como oferecer algo novo e com substância para não ficar para trás? Onde o design e suas regras se encaixam nisso? Design e suas regras? Até quando segui-las?
O design que sempre segue regras é aglutinador, pois anda em terreno conhecido. Ele se torna uma ferramenta de reconhecimento pela semelhança: ao caminhar junto com seus pares, é daí que extrai sua força e corrobora com o famoso argumento “em time que está ganhando não se mexe”. É o correto, mas quanta gente certinha que você conhece que é muito chata?
Ao quebrar regras — não apenas regras projetuais, podem ser de qualquer tipo: culturais, institucionais, políticas, artísticas etc. — o design se torna multiplicador, pois amplia o sentido do objeto projetado, lançando-o em outro patamar: é uma possibilidade de misturar referências, linguagens e técnicas, oferecendo uma experiência mais rica.
É uma ferramenta de identificação e diferenciação. Deixa de ser mais um para se tornar único: se isso já era desejado desde sempre, hoje em dia nem se fala, não é?
Há a velha história que não aceitamos muito bem as novidades ou coisas diferentes, mas não é sempre assim: tudo depende de como isso se apresenta e como chega até nós. Uma abordagem mal feita pode colocar uma negociação a perder. Mas uma abordagem certeira para algo até então indiferente nos coloca a pensar e levar em consideração o que foi apresentado.
A moda costuma usar desse expediente muito bem, até quando nos causa estranhamento — ou quando não entendemos absolutamente nada. Mesmo que produza resultados distintos, a cada edição das principais semanas de moda, sempre é possível observar com o tempo as referências diluindo-se em diversos objetos, além do vestuário. A moda alimenta a cultura visual e alimenta-se da produção de outras áreas para se recriar indefinidamente. Ela amplia seu próprio contexto.
Muitas vezes confunde-se o seguir regras com o “sempre assim”: sempre assim que foi feito, sempre assim que fizeram, sempre assim que me ensinaram… é sempre assim que você deseja ser visto?
Para terminar, nem é preciso lembrar que sair quebrando tudo só para ser diferente, sem substância, adequação e contexto adequado é um tiro n’água, certo? [Webinsider]
.


1° Márcio Duarte Data: 02/10/2008 às 10:13 am
Atividade:
Cidade:
Interessante, mas penso que, por definição, o design não deve se deixar influenciar por nenhuma “regra”, mas sim, metodologias. Até mesmo a discussão da validade das condicionantes do projeto – que seria o equivalente a essas regras – deve ser promovida. Se há algo que deva ser regra em design é abstrair o problema, ou seja, deixar regras ou pré-definições de lado, embora a prática acabe por derrubar esse fundamental princípio e elas se tornem até mesmo a própria solução.