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Mídia interativa - Carreira

Entrevista: Ana Maria Nubié, VP da AgênciaClick

22 de setembro de 2008, 8:54

Executiva da agência que se transformou no braço da Isobar no Brasil na propaganda especializada no ambiente digital comenta o mercado, a formação profissional e o investimento em produção própria.

Por Adriana Azevedo

Conversamos com Ana Maria Nubié, uma das fundadoras da AgênciaClick onde iniciou sua carreira há 14 anos, à frente da área de negócios da MidiaLog.

AnaMaria.JPGAna Maria tem especialização em marketing e finanças e se tornou vice presidente de Atendimento da AgênciaClick há seis anos. Durante sua trajetória, munida de bons argumentos, soube convencer os clientes a acreditar na força de negócios da interatividade.

Há quinze anos atuando como agência de propaganda especializada no ambiente digital, a AgenciaClick é uma uma referência para o mercado e hoje faz parte da Isobar, rede internacional de serviços de comunicação digital pertencente ao grupo inglês Aegis. Possui escritórios em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília e uma equipe com mais de 350 colaboradores.

Neste momento de crescimento e consolidação, Ana Maria comenta características deste mercado em amadurecimento, a visão da agência sobre os objetivos do cliente e a construção de carreira em um ambiente onde predominam os mais jovens.

Webinsider - A internet como mídia, no Brasil, já se mostrou rentável para os clientes? Cite exemplos se for o caso.

Ana Maria Nubié - Sim, como ferramenta de vendas, sem dúvida, já se mostrou muito rentável, inclusive para clientes como o Submarino e Lojas Americanas. Já como ferramenta rentável de branding, também temos clientes como Fiat, Sadia e Brastemp que usam os meios digitais como canal de construção de suas marcas.

- É importante para qualquer marca manter uma presença online forte?

- Sim, dado que o universo brasileiro hoje é de 40 milhões de internautas; 124 milhões de linhas de celulares; 25 milhões de pessoas que jogam por meio da internet. Com certeza, esse cenário digital contribui para que as marcas estejam sistematicamente presente nos meios online. Isso sem contar que este público é economicamente ativo.

- Como as agências e os clientes estão se preparando para a inclusão das pessoas das classes C e D no mercado de consumo online?

- Na verdade, as agências precisam se preparar para os meios digitais como um todo, sempre trabalhando com pesquisa, suporte, criação, tecnologia. Já do ponto de vista do cliente, depende da estratégia e do negócio. Se fizer sentido falar com os públicos da classe C e D, isso vai implicar no planejamento conjunto – agência e cliente – tanto para mídia online quanto para off-line.

- Há tantos jovens na área… faltam profissionais experientes para a internet?

- Primeiro, o mercado é muito carente de profissionais experientes - fato conhecido de todas as agências. Justamente por essa característica, tantos jovens estão atuando na área. É uma decorrência da falta de profissionais experientes no setor.

- Falta maturidade e profissionalismo ao mercado de propaganda interativa como um todo?

- É um mercado jovem que está se modificando diariamente. A experiência de 15 anos da AgênciaClick nos traz uma vantagem competitiva indiscutível, porém acredito que ainda falta um longo caminho a ser percorrido, mas isso já está sendo feito a passos largos.

- Estamos caminhando para o fim da era analógica no Brasil ou o impacto da TV digital é ainda muito distante?

É imprevisível, acho que não é uma coisa que se possa dizer agora, acaba passando por uma restrição de caráter econômico.

- Qual o conselho que você daria aos estudantes de propaganda e marketing que ainda estão na faculdade e não decidiram que caminho seguir dentro da propaganda?

- No período de estágio, os estudantes devem conhecer todas as áreas de uma agência. Dentro deste processo, recomendo que ele passe por mais de uma agência e, principalmente, trabalhe em uma digital. Esses modelos de agências têm uma importância cada vez maior no futuro. Por conta disso, é fundamentalmente importante que eles conheçam o máximo de formatos possíveis, e, inclusive, mantenham-se o mais próximo possível dos clientes.

- Métricas é um terreno ainda distante para a grande maioria dos profissionais de comunicação. O que seria mensurar uma campanha? E qual seria a melhor métrica para isso?

- Não existe melhor métrica. Na verdade, a melhor forma de medir é a que faz mais sentido para o cliente. Mensurar, no caso, é entender como funciona aquela ação para o anunciante e o seu objetivo. Por exemplo, se o interesse do cliente é que a campanha venda, as métricas terão que ser de acordo com esse planejamento. Outro exemplo é se o objetivo daquele cliente é fazer o internauta participar de forma dinâmica de uma ação específica e interagir com a marca pelo maior tempo possível.

- Quais são os ingredientes que fazem uma agência de propaganda ter sucesso?

- Planejamento, criatividade e renovação. Além de compreender muito bem o negócio do cliente.

- O viral veio para ficar? Cite um campanha viral que cumpriu sua função?

- Sim, o marketing viral veio para ficar. Na minha opinião, a ação que mais cumpriu esse papel foi a criada pela AgênciaClick no ano passado para o Novo Palio, da Fiat. O conceito diferenciado de usar uma vaca apática às emoções como personagem na campanha, mas que mudava radicalmente ao dirigir um Novo Palio, interagindo com os internautas em redes sociais como Orkut, Blogs, Second Life, YouTube, foi um grande sucesso. A ação revelava os conceitos de emoção e aventura do carro. O resultado obtido foi acima do esperado, e, em apenas quatro semanas, a ação registrou mais de 125 mil impactos.

Fiat_Causadores_de_Emocao1.jpg

.

- Cite uma campanha que a tenha emocionado de alguma forma?

- Eu tenho uma campanha que marcou a minha adolescência: foi a ação da marca Ellus em que as pessoas se jogavam na piscina e se beijavam, com a música “Mania de Você”, da Rita Lee, de fundo. Achei uma campanha bem original.


- Por que é importante uma marca existir nas redes sociais como o Orkut e o Second Life?

- Porque grande parte da audiência da internet hoje está localizada nas redes sociais.

- Qual o futuro do Second Life? Sabemos que a agência mantém uma área somente para trabalhar no ambiente.

- A AgênciaClick não tem só uma área para trabalhar no Second Life, isso faz parte do mix de mídia da agência. O Second Life é um metaverso e está no composto de mídias interativas. É um espaço para as pessoas se relacionarem, usado dentro da estratégia dos clientes quando for adequado e fizer sentido dentro da campanha. Desenvolvemos um planejamento específico e direcionado para cada cliente.

Posicionamento

- Pedro Cabral é um profissional mais de negócios; Abel Reis é mais técnico. Podemos esperar mudanças na forma de conduzir a AgênciaClick?

- Pedro, Abel e eu estamos envolvidos diretamente no negócio e no desenvolvimento da AgênciaClick. São 15 anos trabalhando lado a lado e, por conta disso, não haverá mudança na forma de conduzir a agência.

- Em 2006, a AgênciaClick, tipicamente online, ganhou o prêmio Colunistas Brasil como agência do ano, um marco na história da publicidade brasileira. Como foi ganhar esse prêmio para vocês?

- Foi maravilhoso. Com certeza absoluta foi o reconhecimento do trabalho de muitos anos e isso mostra a constante inovação da agência.

- A AgênciaClick mudou a forma de ser de uma agência típica de propaganda?

A AgênciaClick nunca foi uma agência típica de propaganda tradicional. Esse modelo existe lá fora, mas a AgênciaClick não se espelhou em formato algum, fomos os pioneiros, e, hoje dentro do grupo Isobar percebemos que já somos referência citada em diversas partes do mundo.

- A agência produz tudo. Como está se preparando para a propaganda em dispositivos móveis? E como funciona o núcleo de TV Digital que abriu?

A AgênciaClick já faz campanha para mobile há dois anos. A campanha do Fiat Punto, por exemplo, foi pioneira em lançar um carro no Brasil primeiramente no celular. Na seqüência da ação mobile, deu início uma segunda etapa com hotsite e test-drive virtual em 3D. Desde que a campanha virtual do Fiat Punto foi ao ar, mais de 280 mil internautas experimentaram as inovações do novo carro da montadora italiana. As visitas do site bateram a casa de um milhão e meio. Isso mostra a importância do celular como mídia, já que foi o celular que convidou o internauta a visitar primeiramente o site.

Hotsitemobile_FiatPunto.JPG

O núcleo de TV Digital da AgênciaClick funciona integrado simultaneamente aos departamentos de criação, tecnologia e de mídia. Existe um laboratório digital dentro da agência preocupado também em buscar oportunidades referente a TV Digital para todos os clientes.

- Como é a AgênciaClick de Belo Horizonte e Brasília? Qual a proposta delas?

- A proposta está alinhada à AgênciaClick, com a vantagem de conseguir dar um atendimento mais próximo aos clientes dessas regiões. Os escritórios locais também nos sinalizam detalhes sobre a cultura da região. Essas características são fundamentais na criação de comunicação regional. [Webinsider]

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Sobre o autor

Adriana AzevedoAdriana Azevedo (adriana@webinsider.com.br) é jornalista, PR e subeditora do Webinsider.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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Comentários

3 pessoas comentaram o artigo "Entrevista: Ana Maria Nubié, VP da AgênciaClick"

Carlos Eduardo Fernandes Data: 25/09/2008 às 9:16 pm

Atividade: Consultoria gráfica

Cidade: sãoPaulo

Seus olhos são lindos, e como são a principal porta do nosso conhecimento, belos são seus pensamentos e conhecimentos…..

Tiago Celestino Data: 20/10/2008 às 6:21 pm

Atividade: Designer de Interfaces

Cidade: Salvador

Pra onde eu mando o meu curriculum? :D

Uma entrevista rápida, mas que mostra o quanto a AgênciaClick tem nome e todo o Brasil, sem contar fora do país.

Acho que é experiência pra qualquer jovem que pensa em crescer na área de Web.

Daniela Data: 01/12/2008 às 8:44 am

Atividade: vendedora

Cidade: Londres

A entrevista foi excelente, mas se voces querem experiencia num mercado , no qual temos um mercado concorrente, e pouquissimas oportunidades, tendo assim que trabalhar em qualquer trabalho sem poder fazer o verdadeiro estagio, onde supoe-se praticar o que voce aprende na Universidade, acho que o mercado deve deixar as portas abertas para o trabalhador com mais idade, porque ai sim voces terao um trabalhador com experiencia, a experiencia se quer tempo e tempo nao nos e dado.

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