O firmware
18 de setembro de 2008, 23:09Cuidados na atualização do firmware, o software que habilita comandos que melhor exploram as qualidades do chipset usado no leitor de DVD.
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O firmware nada mais é do que um software (programa de computador), gravado num microchip chamado de EEPROM (Electrically Erasable Programmable Read-Only Memory), que é um circuito dotado de memória capaz de ser apagada e regravada sucessivas vezes.
Ela é também uma memória classificada como “não volátil”, isto é, não apaga quando o circuito é desligado. Este tipo de memória é também chamado de memória Flash, que talvez seja a maneira como a maioria dos usuários a conhecem, por causa da disseminação das memórias de câmera, pen-drives, MP3 players, etc. Na realidade, a memória Flash é apenas um tipo de EEPROM, mas isto a gente deixa de lado, para explorar um pouco mais o lado prático dessa coisa.
A minha experiência com firmwares vem de longa data e foi marcada por incidentes que eu vou me dar a liberdade de contar para o leitor.
O assunto, até uns anos atrás, era tabu para a maioria dos fabricantes de drives e principalmente de leitores de DVD e foi com estes últimos que eu comecei a minha própria débâcle. Tudo aconteceu porque eu havia resolvido comprar um leitor de DVD dotado de saída com vídeo componente. Pode hoje até parecer estranho, mas naquela época esses aparelhos eram raros e muito caros. A Philips havia lançado no Brasil o modelo Q50, na faixa de dois mil reais mais ou menos, e eu, a princípio, achei um exagero e não comprei. Mas depois saíram os modelos Q40 e Q35, este último já pela metade do preço, e então eu fui à luta.
Dali para frente, o resumo da ópera foi o seguinte: o Q35 nunca funcionou direito, engasgava com vários discos, não lia menus, travava quando menos se esperava, em suma era um desastre. Alguém abre um aparelho desses e só acha três componentes importantes lá dentro: um drive de leitura, uma placa decodificadora de áudio e vídeo e uma fonte de alimentação. E quando se leva numa autorizada, o técnico troca um desses módulos, de acordo com o defeito.
Ora, depois de várias visitas à autorizada, trocando o que era possível, nada mudou e então a Philips jogou a toalha: me ofereceu para trocar por um Q50, a preço subsidiado. Eles achavam (e eu também) que o Q50 era muito superior (embora houvesse relatos pela internet, dizendo que ele travava com alguns discos), e eu então paguei para receber um.
No dia que o Q50 chegou à minha casa, a primeira coisa que eu notei é que ele não obedecia aos comandos do teste THX Optimode, e aí eu comecei a temer pelo pior. Mas, durante a madrugada que se seguiu, eu achei na internet uma alma caridosa, um cidadão australiano, que havia passado pelo mesmo problema e, generosamente, ensinava a identificar o processador do Q50 e trocar o firmware do mesmo. A seguir, dava um link para a versão do firmware correta para cada leitor e eu baixei e atualizei o meu. Resultado: problema resolvido e nunca mais eu precisei atualizar mais nada!
A Philips é uma dessas empresas que fabrica o mesmo aparelho, com versões distintas para cada país, e elas são identificadas no modelo com uma barra seguida de um número. O leitor pode reparar que as versões montadas no Brasil terminam quase sempre com a numeração “/78”, como, por exemplo, DVP-5980K/78. Dentro do aparelho, o processador principal pode ser diferente, motivo pelo qual nunca se deve atualizar a versão do firmware, sem saber que tipo de processador é usado lá dentro.
O firmware é um programa, e como tal ele pode perfeitamente conter bugs (erros) de programação. Idealmente, o firmware habilita comandos que melhor exploram as qualidades do chipset usado no leitor de DVD ou congênere, assim como os drivers da placa-mãe do nosso computador pessoal otimizam a performance do sistema operacional em uso. Quando um aparelho dotado de firmware não funciona como pretendido, a troca de versão do firmware é o procedimento mais recomendado.
Na época em que os eventos que eu descrevi acima aconteceram, a palavra “firmware” sequer era conhecida nas autorizadas, e empresas como a Philips fugiam do assunto como o diabo foge da cruz. Se a postura tivesse sido outra, alguma solução para o Q35 teria eventualmente sido achada. Trocar peças, como eles trocaram, não resolveu nada e eventualmente a própria Philips abandonou o modelo.
Hoje em dia, é muito comum os sites de fabricantes já darem o firmware mais atual para download, e na grande maioria dos casos, a atualização é recomendável. A atualização é fácil de fazer (mais embaixo eu dou algumas dicas), mas a operação em si não é desprovida de riscos, e por causa disso é normal o fabricante oferecer a atualização gratuitamente ou a preço combinado com o cliente, nas autorizadas.
Fazendo-se a atualização em casa, alguns cuidados devem ser tomados: primeiro, seguir as orientações do fabricante quanto à mídia a ser usada. Caso haja omissão desta informação, eu recomendo queimar um CD-R/RW (este último é melhor porque pode ser apagado depois) em modo ISO 2 - Extended Architecture (ISO 9660 Mode 2/XA no menu de opções) e para o nome de arquivos usar o padrão ISO 9660 + Joliet.
Geralmente, o número de caracteres usado é o padrão do DOS (8 no nome e 3 na extensão), mas se necessário pode-se mudar para nível 2, com um máximo de 31 caracteres. A tabela de caracteres também deve obedecer ao padrão ISO 9660.
Antes de levar o disco gravado para o seu destino, use um desses utilitários gratuitos, para conferir se a mídia e a gravação estão corretas. Quem usa o Nero, por exemplo, pode usar o Nero DiscSpeed, ou baixá-lo do site, mesmo sem usar o programa.
Depois de gravar o CD e colocá-lo no leitor de mesa, siga as orientações do fabricante de forma fanática. Estas, geralmente, falam que o usuário não deve interferir no processo de atualização, ou seja, não acione nada nem toque em tecla alguma enquanto a atualização não terminar! Se for possível, ligue o leitor em um no-break, porque falhas de energia durante a atualização costumam tornar o leitor inoperante. Mas, se isso acontecer, não entre em pânico: tente atualizar de novo e se não der certo, leve na autorizada, que eles regravam o firmware usando métodos aos quais o usuário não tem acesso.
A atualização do firmware comporta riscos. É possível que uma versão mais recente seja pior do que a anterior, mas, via-de-regra, é exatamente o oposto, e por causa disso, eu sou um que me acostumei a atualizar o firmware sempre. Recentemente, eu fiz isso com o meu Panasonic BD-10A umas três vezes.
A não atualização de leitores de Blu-Ray implica em não conseguir tocar vários tipos de discos e por isso a maioria dos estúdios coloca uma nota dentro do disco chamando a atenção do comprador para a possibilidade do disco não tocar por conta do firmware desatualizado.
Por outro lado, a velha máxima “se não está quebrado não conserte!” também se aplica aos firmwares. É possível que o usuário compre um aparelho já devidamente atualizado, portanto é importante verificar a versão do firmware antes de qualquer outra medida. Os fabricantes mais conscientes com o usuário final têm por hábito fazer uma lista dos problemas consertados por versão.
A atualização do firmware, se corretamente feita, evita aquela tradicional dor de cabeça de levar o aparelho para as oficinas autorizadas, pagar (se for o caso) e ficar esperando por alguma coisa que o usuário pode fazer em casa. Mas, como sempre, existem oficinas que entendem o problema e são competentes para fazer isso de forma transparente, quando o usuário não souber fazer ou tem receio de fazer errado. [Webinsider]
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1° Paulo Roberto Elias Data: 19/09/2008 às 6:38 am
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Prezados leitores,
Desde que esta coluna foi escrita, até a data de sua publicação (que aconteceu ontem), alguns fatos novos, parcialmente referidos no texto, aconteceram, o que me compele a atualizá-los, de forma a beneficiar quem de direito:
Algumas edições novas, todas da Universal Pictures, lançadas em Blu-Ray, e com trilha sonora codificada com DTS HD Master Audio, não tocam corretamente em alguns leitores de Blu-Ray.
O problema é causado pela incapacidade de decodificação da trilha DTS-HD MA, produzindo um som alto e bastante distorcido.
No caso específico do Panasonic DMP-BD10A, que eu uso atualmente na minha casa, é necessário atualizar o firmware para a versão 2.5. Esta versão foi disponibilizada logo após a saída dos discos. Ela pode ser baixada neste link:
http://panasonic.jp/support/global/cs/bd/download/bd10/index2.html
Os discos afetados são, no momento, “The Mummy” e “The Mummy Returns”.
Já li alguns relatos pela Internet, que dão conta do mesmo problema, afetando o PS3, mas eu não sei dizer se existe alguma solução para o mesmo.
De qualquer forma, se não for possível atualizar o firmware, existe ainda a solução temporária, de desabilitar a decodificação dos leitores, para este codec. Para fazer isso, deve-se alterar os ajustes no setup do leitor, na parte de saída digital, passando, por exemplo, de PCM para bitstream. Com isso, apenas o “core” do codec, que é na realidade DTS convencional, é reproduzido, e sem problemas.