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Inovação exige que a inteligência se mobilize

16 de setembro de 2008, 20:52

A inovação nos leva para a frente. Ela acontece quando abrimos uma variante na trilha mental até então percorrida. E quando não se ajoelha diante do conhecimento existente ou de uma tecnologia consagrada.

Por José Leão de Carvalho

Se já é conhecido, é passado.

Inovação é resultado de processos e atitudes no pensar. Embora essa afirmação seja aceita nos diversos círculos que se envolvem com inovação, a práxis tem se mostrado totalmente desconectada desse fato conhecido.

As propostas que pretendem desenvolver inovação investem apenas em máquinas e equipamentos, em conhecimentos, em aquisição de tecnologias, em títulos acadêmicos, ou seja, em insumos importantes mas já-existentes. Não se cogita do Ainda-Não.

Sequer se menciona os processos e atitudes da inteligência que acrescentam diferenças a esses insumos. Omite-se exatamente o que gera inovação. Mas esses insumos não fazem parte do conhecimento existente? Fizeram. Cada inovação exige que a inteligência se mobilize e se mova.
   
Para que a inteligência não se ajoelhe diante do conhecimento existente ou de uma tecnologia consagrada, é preciso que o sujeito pensante (individual ou coletivo) se permita processos mentais que abrem outras possibilidades. Ao proceder assim, terá de lidar com atitudes mentais que possam estar brecando ou desmobilizando a intervenção transformadora.

Quem quer que tenha inovações de qualquer natureza em seu crédito, terá percebido que o “salto inovador” resultou de uma variante na trilha mental que então percorria. Há quem atribua essas variantes ao acaso, isso não importa agora. Na maioria dos casos, a mídia e a comunidade profissional se encarregaram de alimentar-lhe a imagem de genialidade.

O que cabe destacar é o persistente desprezo aos fenômenos cognitivos que desenvolvem inovação em qualquer campo.

O foco das “materialidades visíveis” não constitui uma miopia exclusiva da cultura norte-americana, muito ao contrário. Ela está presente na idolatria professada por algumas culturas “em desenvolvimento”, inclusive ou principalmente em nosso país. [Webinsider]

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Sobre o autor

José Leão de CarvalhoJosé Leão de Carvalho (ilace@ilace.org.br) é presidente e diretor metodológico do Ilace – Instituto Latino-Americano de Ciências Cognitivas e Estratégia.

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ formação profissional ]

Comentários

4 pessoas comentaram o artigo "Inovação exige que a inteligência se mobilize"

Cristiano Chaussard Data: 16/09/2008 às 9:54 pm

Atividade: Desenvolvimento de Software

Cidade: Florianópolis

Parabéns pela publicação.
Tenho um blog especificamente sobre o tema.

http://blog.inovaideia.com.br

Diego Mac Data: 17/09/2008 às 1:52 am

Atividade:

Cidade:

Não sei em que medida o “novo”, no sentido de ineditismo, é interesse de um corpo-coletivo em épocas em que tudo já está e já é… Talvez o “novo” deva ser trado no sentido de como se agencia e se reconfigura os transbordamentos do mundo contemporâneo. Quer dizer, me parece que “as novidades” não se dão mais por pura e simples vontade de apresentar o inédito, como se pensava nos tempos modernos, mas sim de ressignificar o tanto que já existe.

Pedro Data: 17/09/2008 às 2:02 pm

Atividade:

Cidade:

A palavra inovação não é bem entendida, as pessoas falam em inovação, em inovar, mas acham que inovar é fazer algo que eles nunca fizeram achando que essa coisa “nova” é inovar, mesmo sendo algo já bem conhecido.

As empresas “normais” não permitem a verdadeira inovação, pois isso leva mais tempo, gasta mais dinheiro e o retorno não é certo.

René Data: 17/10/2008 às 6:41 pm

Atividade: Funcionário Público Municipal - SP

Cidade: S. Paulo

Cara, adorei sua “definição”:

Inovação, ela acontece quando abrimos uma variante na trilha mental até então percorrida. E quando não se ajoelha diante do conhecimento existente ou de uma tecnologia consagrada.

Fantástica e Poética!!!

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