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Desenvolvimento - Tecnologia - Gestão

Um modelo híbrido para gerenciamento de projetos

04 de setembro de 2008, 12:04

Não é para seguir tudo ao pé da letra: grandes consultorias do mercado adotam mais de um modelo. Estudam diversos modelos de gerenciamento e criam uma metodologia própria, adequada à realidade de seus projetos e de seus profissionais.

Por Guilherme Schneider

PMI, ITIL, CMMI e Prince2 são só alguns exemplos de metodologias e padrões utilizados atualmente nas empresas para o controle e gerenciamento de projetos. Mas como saber qual o modelo, framework ou processo que mais se adequa à sua realidade?

Muitas empresas adotam um dos modelos acima e seguem fielmente todos os processos e premissas adotadas na teoria dessas metodologias. Porém, muitas vezes os responsáveis pela implantação da metodologia se esquecem de fazer estudos de casos na prática de como essas metodologias foram adotadas com sucesso.

O resultado da adoção dessas metodologias de forma ortodoxa e sem uma análise prévia em boa parte dos casos é o engessamento de processos e a insatisfação de quem lida com a metodologia no dia-a-dia. Há casos, inclusive, em que as equipes passam a boicotar a metodologia, ao invés de colaborar para a sua melhoria.

Em um caso que presenciei na prática, a adoção integral de um desses modelos onerou tanto a operação de uma fábrica de software que o número de horas gastas em documentação chegou a ficar 15% maior do que o número de horas gastas no desenvolvimento propriamente dito.

A causa detectada do problema foi que os responsáveis pela implantação da metodologia forçaram a equipe a adotar todos os modelos de documentação existentes no “catálogo”. A maneira correta teria sido escolher os modelos de documentação que mais se assemelhavam ao processo de construção já existente.

Grandes consultorias do mercado, como a Accenture, a EDS e a IBM, não adotam apenas um modelo; estudam diversos desses modelos e criam uma metodologia própria adequada à realidade de seus projetos e de seus profissionais.

Um bom início, então, para a adoção de um modelo ou metodologia seria estudar os diversos modelos existentes e separar o que melhor se adequará aos seus processos existentes. Ou mesmo, quais melhorarão seus processos de forma a reduzir tempo e custos em seus projetos.

Após isso você estará apto a criar um modelo híbrido e único, aderente integralmente à sua empresa.

Lembre-se que se a prática ou método não gerar ganho de nenhuma natureza, não tem porque ser adotado. Ele poderá apenas deixar seu processo mais pesado e oneroso.

Se sua empresa atualmente não adota nenhum modelo ou metodologia, vale também ressaltar a grande importância do trabalho de gestão da mudança que deve ser adotado com a sua equipe. Não basta fazer com que engulam a mudança de uma vez só, sem a ajuda de “algo para digerir”!

Uma boa preparação da equipe (psicológica e técnica) é essencial e um dos fatores críticos para o sucesso desse tipo de implantação. O “patrocínio” das esferas superiores da empresa e a comunicação de cima para baixo também se revelaram elementos essenciais.

Passado o impacto inicial, mostrar às pessoas que as mudanças serão para melhor e fazer com quem participem da nova realidade, com sugestões de melhoria e ajustes, fará com que a adoção de qualquer que seja o modelo seja menos traumática e reduzirá muito o tempo de implantação e os problemas que poderão aparecer com a nova realidade.

Por fim, a adoção da melhoria contínua (também conhecida como “Kaizen”) fará com que qualquer modelo adotado fique melhor aderente aos processos da sua empresa e da sua equipe. [Webinsider

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Sobre o autor

Guilherme SchneiderGuilherme Schneider é diretor da consultoria InQ.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ programação ] [ formação profissional ]

Comentários

5 pessoas comentaram o artigo "Um modelo híbrido para gerenciamento de projetos"

Rafael Xavier Data: 04/09/2008 às 3:46 pm

Atividade: Analista Web

Cidade: Rio de Janeiro

Ótimo post Guilherme.

Presencio a forma tradicional de gerência na empresa que trabalho e que bate de frente com a forma dada em um curso de extensão na PUC RJ. Estudos a parte, acredito que a melhor forma seja a híbrida, ou seja, liderar com empenho onde o gestor tem que ser o mentor da equipe, ter visão, focar nos resultados, na interação, na troca, na comunicação e principalmente em gastar o início do projeto com briefing e requisitos.

Realmente a forma atual está decadente e olhar para o mercado exterior, ler artigos de revistas como IEEE está sendo muito importante para abrir a minha mente. Espero um dia aplicá-la e obter sucesso.

Abraços e parabéns pelo artigo!

Diego Gomes Data: 04/09/2008 às 4:42 pm

Atividade:

Cidade:

Guilherme, parabéns!
Você falou em um post algo que muitas consultorias e GPs precisam ouvir. Se uma delas conseguir entender que padronizar e criar metodologias são para ganhar produtividade e qualidade e não para burocratizar, já valeu o artigo.

Não existe metodologia 100% eficaz, e defender cegamente qualquer uma das diversas abordagens é um erro que muitos ainda comentem…
SCRUM vs PMI, XP vs RUP, ou qualquer outra discussão neste aspecto não faz sentido e não contribui.

Parabéns,
Viva uma gestão de projetos mais flexível e menos engessada.

Ocappuccino Data: 04/09/2008 às 6:28 pm

Atividade: Comunicação

Cidade: Porto alegre

‘mostrar às pessoas que as mudanças serão para melhor e fazer com quem participem da nova realidade, com sugestões de melhoria e ajustes’.
Isto é a visão ideal, mas não podemos esquecer que a realidade de muitas empresas, principalmente públicas, é de adoção de novas práticas por imposição.

Cordialmente,
ocappuccino

Giovanni Giazzon Data: 04/09/2008 às 6:59 pm

Atividade: Gerente de Projeto

Cidade: Brasília

Olá Guilherme,

Ótimo assunto para discussão. Gostaria de apontar um pequeno detalhe: PMI - Project Management Institute é um instituto sediado nos EUA que mantém e publica um conjunto de boas práticas chamado PMBoK - Project Management Body of Knowledge (literal: Corpo de Conhecimento em Gerenciamento de Projetos). Não é uma metodologia em si, mas um conjunto de atividades, ferramentas e técnicas que podem ser aplicadas/incluídas na metodologia de Gerenciamento de Projetos da sua organização. O PMBoK não lhe derá o caminho das pedras, mas poderá lhe fornecer uma boa forma de tratar cada passo.

Grande abraço,
Giovanni Giazzon.

Nicholas Data: 05/09/2008 às 5:05 pm

Atividade:

Cidade:

Em casa de ferreiro o espeto é de pau… Essas empresas podem até propor as soluções que mais de adequam aos clientes mas, internamente sempre existe a imposição ao padrão que deve ser utilizado independente da cultura do setor afetado.
E concordo com o Diego no que ele diz sobre os conflitos que envolvem metodologias “tradicionais” e “ágeis”. No lugar de defender uma ou outra, a melhor solução é buscar as melhores praticas de cada uma para que a equipe possa fazer seu trabalho no lugar de estar engessada com pilhas de formulários.
Muito bom o artigo! Fonte de ótimas discussoes sobre o assunto.

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