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Negócios - Games

Games digitais têm modelo de negócios analógico

02 de setembro de 2008, 12:14

O modelo em voga na indústria de jogos é um mercado comandado por poucas empresas. O relacionamento entre fabricante de console e produtoras prioriza poucos e grandes. Isso pode mudar, como aconteceu com a indústria fonográfica.

Por Ricardo Cavallini

A quantidade de empresas que fez burrada no mundo dos jogos é enorme. Apesar da arrogância de subjugar a complexidade desta indústria ser um denominador comum, até as gigantes Sony, Nintendo e Microsoft (as três grandes) já deram bola fora.

A Apple, uma das empresas que faz parte desta lista, parece pisar novamente neste mercado com o iPhone. A diferença é que agora, ela entra usando outro modelo de negócio.

O modelo em voga na indústria de jogos é matriarcal, castrador, ditatorial e rodeado por um histórico de ódios e conflitos. Normal em um mercado comandado poucas empresas. O relacionamento entre fabricante de console e produtoras prioriza poucos e grandes. Não é à toa que este mercado dependeu da esperteza de advogados para se tornar o que é hoje.

Mesmo com suas políticas, restrições e burocracias, o modelo Apple (iTunes e iPhone) caminha no formato oposto. Não quer dizer que a Apple não tenha sua veia de ditadora, mas o controle de qualidade, quantidade e preços se aproxima mais do programa de afiliados da Amazon do que da política para desenvolvedores da Nintendo.

As três grandes produzem console e ganham dinheiro com a venda de jogos de terceiros. A Apple também. Mas dizer que são iguais seria o mesmo que comparar o Google e a Rede Globo.

Embora ambos ganhem com publicidade, veículos tradicionais como a Rede Globo dependem dos milhões de reais de poucos anunciantes. Neste caso, quanto maior o anunciante, melhor. No modelo longtail do Google - como todo mundo já sabe - não importa muito o tamanho do anunciante. O acúmulo dos centavos trazidos por internautas pode ser muito mais interessante.

Como ficou bem claro na apresentação do Jobs, o modelo da Apple é baseado na distribuição de aplicativos. O mercado de jogos entra nesta história por tabela. Claro, as três grandes também estão provendo em suas redes a possibilidade da compra de pequenos jogos, mas este é um mercado pouco lucrativo para eles.

A Nintendo depende do Mario e do Zelda assim como a Microsoft depende do Office e do Windows. As três grandes ganham com a distribuição de jogos casuais assim como as agências tradicionais ganham com web. Dizer que eles têm capacidade para se adaptar rápido pode até ser fácil defender, mas sabemos que na prática as coisas não são bem assim.

Os jogos já são digitais mas seu modelo de negócio é analógico. A indústria de jogos terá os mesmos desafios e dúvidas que surgiram em outras indústrias. Se hoje não dependemos de estúdios para ter boa música ou editoras para ter um bom livro, também não iremos depender das produtoras para ter bons jogos.

Se está mais fácil distribuir e produzir jogos, vendê-los como é feito hoje poderá ter — em pouco tempo — a mesma falta de lógica que pagar dezenas de reais por um pacote de músicas grudado em uma bolacha de plástico.

Isso não quer dizer que grandes estúdios e grandes produtoras não terão seu papel e importância. A Amazon ganha dinheiro com o longtail, mas ainda não matou as produtoras (e talvez nunca mate), mas é provável que aquela ladainha e oportunidades perdidas da indústria da música e livros se repita na indústria de jogos.

Enquanto isso, quem diria, a Apple nada de braçadas. Aprendeu a ganhar dinheiro e se tornou as Casas Bahia do entretenimento. [Webinsider]

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Sobre o autor

Ricardo Cavallini é profissional de comunicação interativa, professor de marketing direto na ABEMD, autor do livro O marketing depois de amanhã e editor do Coxa Creme

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ usuário final ] [ Vendas ] [ microsoft ] [ música ] [ celular ] [ games ] [ apple, mac ]

Comentários

2 pessoas comentaram o artigo "Games digitais têm modelo de negócios analógico"

Rodrigo van Kampen Data: 03/09/2008 às 4:12 pm

Atividade:

Cidade: São Paulo

Acho que no mundo de games esta transição já está acontecendo, mas de uma forma mais suave do que com a indústria fonográfica.

Apesar de que hoje é fácil e barato criar um jogo, produzir um jogo “next-gen” é um processo incrivelmente caro. Por isso as “grandes” se dão bem no negócio. Mas ao mesmo tempo, não podemos nos esquecer da Live na Xbox, do Wiiware no Wii e do (não me lembro o nome do PS3).

Você pode comprar jogos de pequenas soft-houses, por preços camaradas, e todo mundo sai ganhando. A Apple não inovou tanto assim, não desta vez.

O cinema independente não veio para substituir e afundar holliwood. Assim como os jogos mais simples não vão afundar “Bioshock”, “Crisis”, ou “World of Warcraft”.

Marcelo Santos Data: 24/04/2009 às 8:47 pm

Atividade: consultor e professor

Cidade: Santiago do Chile

Muito interessante seu ponto de vista. a cultura digital veio para ficar e são muitos os indícios de que vai afetar sobremaneira a cultura de um modo geral. O caso “The Pirate Bay” pode representar um marco histórico independente do veredito final…

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