Webinsider

Design

O design e o acesso à informação sem sobressaltos

31 de agosto de 2008, 21:41

Ao procurar algo e não achar, a sensação de perda de tempo é cada vez menos tolerada. Não exatamente porque temos mais pressa, mas porque temos cada vez mais dispositivos para utilizar.

Por Fabio Camargo

Situação comum: ao mesmo tempo em que você recebe um e-mail pela enésima vez reiterando a urgência de um projeto, o telefone toca e enquanto abaixa o volume da rádio online, minimiza as janelas dos aplicativos abertos e deixa seu editor de texto à frente caso precise anotar algo que seja conversado no telefonema, você pensa “preciso ler aquela crítica que deixei nos meus favoritos”, pois gosta de assistir seus filmes munido de várias opiniões. E olha que nem citei o MSN…

Pois bem: parando para pensar, como lidar com essa carga de informação sem enlouquecer ou deixar algo de lado? Fica a sensação que nem tudo cabe nas suas 24 horas de cada dia ou mesmo dentro de seu cérebro, para que ele seja capaz de processar tamanho volume de dados.

Mesmo com o aparente excesso, o que se observa é que as pessoas não querem abrir mão de tanta informação, pois perceberam que isso dá a elas algo que não é nem um pouco descartável: senso crítico, discernimento e socialização. O que se deseja é mais facilidade e simplicidade no acesso à informação.

E simplificar tampouco significa produzir experiências simplórias ou pensar em Homer Simpson (onde o seriado, a despeito do personagem, é sofisticado em sua simplicidade): significa dar às pessoas a oportunidade de gastar suas massas cinzentas no que interessa, ou seja, com o teor da informação, e não em como ter acesso a ela.

Quer coisa mais irritante do que procurar algo e não achar, seja objeto, site ou interface? Essa sensação de perda de tempo é cada vez menos tolerada, e não exatamente porque temos mais pressa, mas porque temos cada vez mais dispositivos para utilizar. É preferível abrir mão de algo que não entregue o desejado do que insistir sem certeza de êxito.

Google, iPhone, last.fm, Twitter, Wordpress — para ficar apenas em alguns exemplos — corroboram com o pensamento deste artigo; são ferramentas que nos fazem esquecer do processo para focar na realização: a complexidade não precisa estar em como a ferramenta se apresenta, mas no que ela é capaz de produzir a partir de nossa intenção e — por que não? — imaginação.

Para qualquer aparelho, objeto ou peça gráfica, online ou offline, físico ou virtual, o que se deseja é uma comunicação eficiente e que permita ser desfrutada sem sobressaltos, seja verbal, não-verbal, estática, tridimensional, tátil, auditiva etc. E antes que se faça a pergunta, finalizo com esta: e não é para isso que o design existe? [Webinsider]

.

Sobre o autor

Fabio CamargoFabio Camargo (fc@rpressdesign.com.br) é designer gráfico, sócio-diretor de criação da RPress Design.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ Comunicação corporativa ]

Comentários

1 pessoa comentou o artigo "O design e o acesso à informação sem sobressaltos"

Roberto Silva Data: 03/09/2008 às 11:23 pm

Atividade: Webdesigner

Cidade: Rio de Janeiro

Fábio :

Excelente e instigante seu artigo.

Mesmo com todas essas pequenas tarefas concomitantes incomodando um pouco, sinto falta de tudo isso quando estou fora da rede.

São vício e fascínio coletivos.

O ritmo com que as coisas à nossa volta avançam
agora é espantoso. Há 20 anos, não havia internet
nem celular, e o ritmo de vida era muito diferente. Mas estavam todos adaptados. Imaginem nos anos 40 ou 20 passados.

A adaptação necessária ao ser humano pensante de lá para cá foi impressionante. E o ritmo aumenta a cada semana.

Para onde vamos ? os processos estão sempre sendo recriados e readaptados.

De uma hora para outra o Google lança um browser que promete ser um sistema operacional e, quem sabe, vir a desbancar o Windows. Pasmem.

Isso importa ? Não, se ajudar em meus objetivos e facilitar minha vida cada dia mais atribulada.

Não é fascinante esse mundo novo ?

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Site corporativo? Não, prefiro estratégia onlineO modelo de site de empresa que conhecemos perdeu a validade. Ele não oferece ao usuário conteúdo realmente relevante e não privilegia o lado social da web. É hora de repensar e traçar uma estratégia online. Você concorda? Por Diego Gomes

Ricardo Saldanha

Intranets e portais corporativos avançadosA soma de integração com conteúdo e colaboração. Por Ricardo Saldanha

O que as marcas procuram fazer para fidelizar vocêPara obter fidelidade e margens maiores de lucro, o branding procura oferecer mais do que o cliente espera de determinado produto ou marca. Por Paulo Peres

O cenário atual do design e algumas perspectivasQual o comportamento padrão em relação aos projetos: apagar incêndios, feitos às pressas, a toque de caixa? É o que acontece, não? Será possível sair dessa roda viva? Por Fabio Camargo

Juliano Spyer

Twitter é para semear conversasMuita gente desencanou do Twitter por não ter pego a finalidade da ferramenta. Por Juliano Spyer

O que torna boa a comunicaçãoAlguns requisitos básicos para que a comunicação possa acontecer incluem fatores subjetivos como paixão, preparação, clareza, estilo, presença, criatividade e motivação. Por Eduardo Zugaib

Design é arte? E por que se importar com isso?A sociedade só consegue avançar quando algo de diferente é lançado e consegue causar uma ruptura num sistema estabelecido. Alguns exemplos: Cubismo, Sex Pistols e iPod. Você concorda? Por Leo Ehrlich

Princípios de design para a internet (sem dogmas)Uma “salada de conceitos” com ingredientes produzidos nos últimos dez anos pelos nossos raros e jovens gurus. Vamos ficar com os princípios e deixar os dogmas no passado. Por Marcelo Gluz

Marcos Nähr

A hierarquia das necessidades no designPrimeiro vêm as necessidades básicas de funcionalidade e confiabilidade. Por Marcos Nähr

Conceitos de design: função, letras, cores e formasNão sabe bem o que é design, mas tem simpatia? Leia para ter uma compreensão mais clara da função do design e um roteiro para iniciar estudos. Se entendeu e empolgou, é isso mesmo. Por Agni

Webinsider