Webinsider

Mídia interativa - Redes sociais

Mídia social é uma tradução capenga que não diz tudo

29 de agosto de 2008, 16:54

Mídia social pressupõe olhar a relação mensagem-consumidor-produto de forma radicalmente diferente. O consumidor sai da ponta da cadeia produtiva para estar presente de ponta a ponta. Vale para todos os "P" do marketing.

Por Roberto Cassano

É verdade. Não gosto. Do nome. Cansa a quantidade de vezes em que temos que explicar que mídia social não tem nada a ver com ONGs, abraçar árvores ou apoiar a pastoral do menor. E social tem, pra nós brasileiros, essa eterna associação humanitária-assistencialista.

E o problema não termina aí. Mesmo quando as pessoas entendem o social pelo lado de “fazer social”, ou seja, de coisas que se faz junto de outras pessoas, há quem interprete o “mídia” como sinônimo de “aquilo que os profissionais que trabalham com Excel fazem para publicar ou veicular em revistas ou TV a criação dos criativos”. Há muita gente que entende mídia social simplesmente como uma opção barata e moderna ao banner. Ou ao quadradinho no jornal. Ou à meia página. Ao spot de 30 segundos.

Não vou dizer que a mídia social não ajude nesse sentido. As ações de seeding, que a cada dia chegam mais, são isso. Alguém cria um produto ou campanha e recorre às agências de mídia social para escoar essa mensagem como parte do plano de mídia. Já fiz isso pelos dois lados (pela agência que cria e pela que escoa) e a coisa existe e, quase sempre, funciona.

Mas mídia social é mais que isso. Muito mais.

Pra começar, mídia social é uma tradução meio capenga. Melhor seria “meio social”, no sentido de ecossistema social. Ou mesmo de sistema social, porque as redes sociais nada mais são do que sistemas onde todo mundo é administrador. Onde as conexões são feitas entre pessoas e não máquinas. O meio social é a matrix.

Mídia social pressupõe olhar a relação mensagem-consumidor-produto de forma radicalmente diferente. Matricial e complexa no lugar de linear. Pressupõe, portanto, repensar o lugar do consumidor na cadeia produtiva. Ele sai da ponta para estar presente de ponta a ponta. Isso vale pra publicidade, é claro, mas também para tudo quanto é “P” do marketing.

Mídia social pressupõe repensar o papel dos veículos. Repensar o papel do mídia. E também da criação. Como é que você quer que a agência de mídia social propague um conceito ou produto que tem problema? Ou que é ótimo, só não foi pensado de forma a ser facilmente propagável?

Montar uma estratégia de mídias sociais é botar na equação uma complexa soma de fatores (quem serão os vetores, em que contexto, por que motivos) e criar uma rede de canos. Aí você fica prontinho, com seus canos a postos, esperando as esferas que o cliente ficou de entregar. Então o boy da empresa chega com um pacote cheio de cubinhos e fala “propaga aí”. Não rola.

Os cubinhos vão ficar paradinhos entupindo teu cano e, depois, é você que entra por ele (e entala). Quando a estratégia de mídia social permeia desde o início da campanha, é melhor. Desde o início do produto, é ótimo.

Isso é mais que abraçar árvore. É mais que panfletar mensagens. Adoraria se tivéssemos um outro nome para “mídia social”. Um que fosse digno do tamanho daquilo que ele representa. [Webinsider]

.

Sobre o autor

Roberto Cassano (rcassano no Twitter) é blogueiro e diretor de estratégia da Agência Frog.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ comunidades ] [ publicidade ] [ Comunicação corporativa ]

Comentários

3 pessoas comentaram o artigo "Mídia social é uma tradução capenga que não diz tudo"

Silvio Scarpignato Data: 02/09/2008 às 2:53 pm

Atividade: Coord. mkt de mídias sociais

Cidade: São Paulo

Sabe Cassano, tivemos esta mesma dúvida aqui na agência a um tmepo atrás. Como denominar o trabalho que realizamos? Começamos como Guerrilha marketing, passamos para mkt de sinergia até chegarmos a mkt em mídias sociais. ja realizamos esse trabalho aqui desde maio de 2006, mas até hoje encontramos dificuldade de explicar para o nosso cliente o que realmente é o trabalho em mídias sociais, quais as vantagens de se investir uma parte da verba nesse nicho. Sempre explicamos que essa estratégia em mídias sociasi vem acompanhada de outras, como a mídia normal, links patrocinados, palavras-chave, e faz parte de uma comunicação integrada.Mídias sociais ainda não é o salvador da patria, mas sim o marechal que leva á vitória.

Niva Data: 02/09/2008 às 5:53 pm

Atividade: Planejamento

Cidade: Santos

É verdade. Essa confusão com serviço social sempre aconteçe. Acho o termo mais esquisito ainda porque é um tanto redundante: toda forma de comunicação é um ato social, ninguém se comunica sozinho…

Goste de nomes como:

Comunicação horizontal - por deixar claro que é oposto à comunicação vertical, típica dos meios de massa.

Mídia Participativa - porque mostra que ela é projetada para se participar, não para simplesmente consumir.

Mas bom mesmo é falarmos a mesma língua. Vale a pena adotar o termo mais usado, e trabalharmos na construção de seu significado.

Luiz Canet Data: 03/09/2008 às 9:56 am

Atividade: Desenhador

Cidade: Curitiba

Será que simplesmente usar a tradução correta, “meio social”, já não ajuda a melhorar esta visão?

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Sou um jogador de handebol, trabalho com internetQuem trabalha com criação online tem uma dificuldade muito grande em explicar o que faz para os habitantes nos galhos mais altos de sua árvore genealógica. Você já tentou? Por Eco Moliterno

Campanhas virais no You Tube cada vez melhoresFabricante de game EA Sports transforma um bug apontado por usuário em oportunidade para chamar mais atenção sobre o produto de forma muito positiva. Tiger Woods caminha sobre a água sim, e daí? Por Douglas Tokuno

Dicas rápidas de sobrevivência na internetFaça de conta que sua empresa é uma pessoa que acaba de chegar em uma festa e não conhece quem já está lá. Se souber agir com elegância e uma certa sabedoria, vai acabar se entrosando bem. Por Roberto Cassano

O Twitter e as redes sociais efêmerasO Twitter é um iceberg desgovernado pilotado por um mamute míope, mas tem uma qualidade peculiar: é uma rede social diferente na estrutura, na mecânica e nos vínculos que unem seus membros. Por Roberto Cassano

Juliano Spyer

Profissionais defendem ação da Coca com blogueirosEntrevistados consideram a ação legítima e a crítica em torno do caso descabida. Por Juliano Spyer

A rede mundial de pessoas e essa coisa internetA cada dia, avalanches de novos brasileiros entram na internet. Nunca ouviram falar do Cadê?, desconhecem IRC, Napster, guerra dos browsers. E os mais velhos na coisa se sentem como petistas no poder.
Por Roberto Cassano

Como financiar a produção onde o consumo é livre?Quando se compra um imóvel na planta, paga-se menos. Seria possível emular um modelo parecido para a economia digital? As pessoas que desejam algum software comprariam daquele que for capaz oferecê-lo ao menor custo. Você concorda?

Por Raphael Lullis

Privacidade é um conceito que caiu por terra sozinhoCena de cinema: você está na rua e acha que está sendo seguido por um criminoso que viu sua foto no Orkut, o seguiu pelo Twitter e agora tem um mapa com uma seta que mostra exatamente onde você está. Por Gustavo Audi

A social media pode mudar a educação?Educação em um mundo conectado: nas redes sociais pode estar o grande diferencial de uma estratégia de aprendizado via e-learning. E o ponto de mutação pode acontecer este ano. Por Alexandre Bobeda

Fábio Fernandes

A língua patrocinada. Sinal dos tempos?A nova campanha viral da Coca-Cola pega firme na coisificação. Por Fábio Fernandes

Você sabe o que é um Community Evangelist?Líder em comunidades, consumidor, cliente, porta-voz informal, representante, divulgador. O evangelista corporativo precisa ser um pouco de tudo, sem perder o foco no público-alvo e com olho no futuro. Por Diego Cox

O valor de quem é empreendedor do conhecimentoEm gestão do conhecimento o empreendedor é um multiplicador. Ele vai desencadear e conduzir o processo de criação e disseminação de conhecimento em novas unidades produtivas. Por Tibério da Costa Mitidieri

Webinsider