Webinsider

Mobile - Negócios

Portabilidade, por que algumas não querem?

28 de agosto de 2008, 14:06

As operadoras não terão problemas técnicos com a chegada da portabilidade, prevista em contrato há dez anos. Terão custos a mais e maior concorrência, que vai atrapalhar as menos capacitadas.

Por José Antonio Milagre

A portabilidade é o recurso que permite que um assinante mude de operadora e leve consigo o número da linha. Recentemente a Anatel recebeu pedido de algumas operadoras pelo adiamento do cronograma da portabilidade para janeiro de 2009. Porém o prazo foi mantido pela Agência. A portabilidade gera uma relação jurídica de propriedade entre o usuário e sua linha telefônica, relação esta que agora é oponível a todos.
 
Único requisito é que se mantenha o usuário no mesmo DDD, devendo-se destacar que as mudanças estarão sujeitas à cobrança de taxa de instalação. Pelo cronograma da Anatel, o Brasil todo deverá contar com a portabilidade até março de 2009. Portabilidade já é uma realidade no mundo há muito tempo. No Reino Unido, desde 1996 existe este benefício ao consumidor. Não precisa ir longe - nossos vizinhos porto-riquenhos contam com a tecnologia desde 2006.
 
Mas por que será que no Brasil algumas operadoras “emperraram”?
 
Aqui, com o regulamento da portabilidade, nascem as figuras da prestadora doadora e prestadora receptora. Porém, o estranho é a criação de uma “entidade intermediadora”, cuja finalidade e imprescindibilidade questiono seriamente, denominada “Entidade Administradora”. Esta irá gerir uma chamada Base de Dados Nacional de Referência da Portabilidade (BDR), um banco de dados com as informações completas sobre os “portáveis”.
 
Mas quem pagará este “ente místico”? Como o usuário não pode ser onerado, caberá as operadoras pagarem a Entidade Administradora, proporcionalmente.
 
Neste “cobra-cobra” é preciso ficar claro: a prestadora receptora pode cobrar do usuário um valor pela facilidade na rede (pelo ingresso deste em sua rede). Quem não pode cobrar nada é a operadora doadora, ou seja, aquela cujo usuário não quer ver mais na sua frente por um bom tempo!

Isso não significa dizer que carências não devam ser respeitadas: aquele cidadão que sonha com um celular de R$ 2 mil no plano pré-pago e aceita pagar R$ 1 por ele em um plano pós-pago por doze meses, não pode no dia seguinte simplesmente ignorar o contrato. A dívida ou multa rescisória poderá ser cobrada.
 
O prazo para portar é de 5 (cinco) dias úteis. A partir do segundo ano, as operadoras tem 3 (três) dias úteis para finalizar o serviço solicitado.  Por segurança, o pedido de portabilidade pode ser indeferido em três situações: dados incorretos ou incompletos, código de acesso inexistente ou já em andamento solicitação para o mesmo número.
 
O usuário que quiser fazer a portabilidade deve se dirigir à operadora receptora diretamente, informando que quer fazer uma habilitação mas mantendo seu número. Ou seja, nem para cancelar com a antiga operadora é preciso que o usuário a contate.

Basta ir até a nova prestadora e deixar que a velha a nova e a tal “Entidade Administradora” se entendam, tudo em no máximo 5 (cinco) dias para não violar direitos de consumidor.
 
Todas estas regras estão previstas no regulamento geral de portabilidade, anexo à Resolução Anatel 460/2007.  Ainda, nos termos do art. 8o. do Regulamento, a portabilidade se aplica tanto à troca de planos quanto à troca de prestadoras.
 
Em tal cenário, pode-se entender porque algumas operadoras reagiram inclusive judicialmente contra o Regulamento da Portabilidade: custo! A operadores pagam para se adaptarem à nova tecnologia, pagam à Entidade Administradora, não podem mais cobrar pela saída do cliente de sua base e ainda devem investir como sobrevivência em qualidade e promoções, já que agora, se existe uma amarra que segure o cliente na operadora, esta não é mais o número que usa há anos e anos, mas só poderá ser a efetiva qualidade dos serviços prestados. [Webinsider]

.

Sobre o autor

José Antonio MilagreJosé Antonio Milagre (jose.milagre@legaltech.com.br) é advogado em São Paulo especializado em Direito Eletrônico e IT and Environmental Compliance e mantém o blog José Milagre.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ usuário final ] [ celular ] [ direito ] [ contratos ]

Comentários

7 pessoas comentaram o artigo "Portabilidade, por que algumas não querem?"

Marco Data: 28/08/2008 às 5:38 pm

Atividade:

Cidade:

Se as empresas de telefonia não ligam para o consumidor, cobram taxas altíssimas por seus serviços, pq deveríamos nos preocupar com os custos a mais que eles terão e não poderão repassar ao consumidor?
Veja o custo das ligações, é ridículo pagarmos o que pagamos tanto em telefonia fixa quanto em telefonia móvel.
Essa lei será ótima para o consumidor que não assinar contratos de fidelidade com a operadora. E servirá para as operadoras tentarem enganar cada vez mais os clientes, tanto nos contratos como no telemarketing enganativo que elas praticam, empurrando produtos e serviços pros desatentos.

Marta Regiane Data: 29/08/2008 às 11:23 am

Atividade:

Cidade:

Excelente abordagem. Não conhecia o aspecto econômico e regulatório. Alguém sabe qual a operadora que entrou na justiça?

Vinicius Assef Data: 03/09/2008 às 6:35 pm

Atividade: Analista de sistemas

Cidade: Brasília

Trabalho para uma empresa de Telecom e entendo perfeitamente o motivo da resistência à portabilidade.

Na verdade, tem pouco a ver com o lado econômico e muito mais com o lado da concorrência do mercado.

Quem nunca enfrentou concorrência séria, agora vai ter que rebolar.

Erni Data: 23/09/2008 às 3:10 pm

Atividade:

Cidade:

Saiba tudo sobre Portabilidade no site www.portabilidade.com.br

ANA Data: 25/09/2008 às 10:00 pm

Atividade:

Cidade:

Mas será que existe um limite para a portabilidade!?

André Ricardo Rios Data: 27/09/2008 às 9:54 pm

Atividade: Mobile

Cidade: sp

Interessante, estes são os bastidores… mas graças a DEUS agora vai! aliás foi! o que é interessante é que agora, todas as operadores divulgam propaganda tipo “trouxemos a portabilidade para você”….rs lamentável.

Ataide Soares ferreira Data: 12/02/2009 às 4:05 pm

Atividade: vendedor e reporter de rádio

Cidade: Rio de Janeiro

Gostaria de receber informações sobre o fixo movel. telefone em casa e na rua, celular.
Perguntas:
1.tem cobertura no Rio de Janeiro?
2. tem Cobertura na zona oeste, Bairro de Campo Grande?
3.Nas ruas, qual é a distancia máxima da base central, Com cobertura?
4. Se alguem ligar para mim, vai pager como celular, ou residencial?
5. o número muda quando está nas ruas?
6. qual preço da assinatura e plano de minutagem?
7. quando recebe ligação na rua pago como celular ou fixo?
Preciso com urgencia
por favor!

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Nimbuzz leva VoIP para celular e fala com messengersAplicativo permite falar no celular, de graça, com seus contatos dos messengers e usar tarifas VoiP para outros telefones. É um avanço em direção à redução de despesas e integração do celular com notebooks e desktops. Por Adriana Azevedo

Site corporativo? Não, prefiro estratégia onlineO modelo de site de empresa que conhecemos perdeu a validade. Ele não oferece ao usuário conteúdo realmente relevante e não privilegia o lado social da web. É hora de repensar e traçar uma estratégia online. Você concorda? Por Diego Gomes

Liberdade móvel depende de custos razoáveisA maioria dos usuários de celular sofre com contas altas e busca formas mirabolantes de economizar. O acesso banda larga ilimitado a custos controlados que temos hoje nos PCs deve chegar aos dispositivos móveis. Por Marcelo Calbucci

TV digital e o desafio de monetizar um mercado novoAnunciantes e agências procuram descobrir novas maneiras de lidar com o vem por aí. O desafio é mudar velhos hábitos e qualificar profissionais para essas novas tecnologias. Por Ronaldo Melo

O que as marcas procuram fazer para fidelizar vocêPara obter fidelidade e margens maiores de lucro, o branding procura oferecer mais do que o cliente espera de determinado produto ou marca. Por Paulo Peres

Paulo Rebêlo

Telefonia brasileira, os custos mais altos do mundoReembolsos retroativos são uma ninharia perto dos lucros líquidos bilionários. Por Paulo Rebêlo

Paulo Rebêlo

Daniel Dantas, Opportunity e os investimentos em internetForam milhões de reais, boa parte a fundo perdido, em empresas novatas, incubadas ou estreantes no setor de tecnologia pelos últimos dez anos. Por Paulo Rebêlo

Pontos ainda obscuros em velocidades e tarifas 3G Letrinhas miúdas nos contratos: ao utilizar serviços 3G em modems e telefones, o usuário aceita bem menos velocidade do que pensa e não sabe direito quanto custam os chamados serviços adicionais.
Por Cristiano Scandura

Vicente Tardin

A internet sem fio da ClaroO que os leitores querem saber sobre o modem banda larga 3G. Por Vicente Tardin

Marcelo Sant'Iago

2007, o ano em que a internet saiu do computadorA consolidação da internet fora do computador - no celular, no painel eletrônico dos elevadores, no cinema e, claro, na TV. Por Marcelo Sant’Iago

Webinsider