Design é arte? E por que se importar com isso?
24 de agosto de 2008, 23:53A sociedade só consegue avançar quando algo de diferente é lançado e consegue causar uma ruptura num sistema estabelecido. Alguns exemplos: Cubismo, Sex Pistols e iPod. Você concorda?
Por
Olá amigos entusiastas da profissão. Trago à tona uma das maiores e mais chatas discussões do mundo do design: a eterna polêmica entre arte e design. Vou arriscar meu pitaco.
Arte é uma atividade que sempre esteve relacionada à necessidade do homem de se expressar. Talvez daí venha a resposta para a toda a frustração de um criativo ao ver seus trabalhos recusado por um cliente.
Dessa forma, atividades como moda, arquitetura, gastronomia, música, literatura, fotografia, teatro, cinema, design gráfico, design de produto, ilustração, artes plásticas, publicidade, todas podem ser consideradas atividades artísticas.
Não quero entrar em discussões como manufatura e indústria, forma e função, estética e linguagem, arte pura e arte aplicada, individual e coletivo, comercial e não-comercial. Gostaria de avançar para o destino disso tudo: o trabalho e como ele é percebido. O músico Brian Eno definiu arte como “gatilhos para experiências”. Você pode ter ou não. Eu concordo com ele.
Desde o momento que nascemos, somos bombardeados de informações. O que forma nossa capacidade de interpretação sobre as coisas é o conjunto de todas as informações que nos vieram até o nosso momento atual. E no caso, arte é o que fica marcado na sua vida. Se num determinado momento você se apaixonou e a pessoa usava tal perfume, certamente esse cheio vai significar mais para você do que para outra pessoa.
Uma roupa pode trazer muito mais lembranças do que um quadro. Uma capa de disco pode significar muito mais do que o próprio disco. Somos fruto do que experimentamos, daí a importância de estarmos sempre de olho aberto para coisas novas, já que nunca saberemos realmente quando algo pode ou não nos marcar.
Assim sendo, tudo pode ser considerado arte. Um design. Um comercial de TV. Um discurso político. Até o atentado às torres gêmeas. Depende de como enxergamos as coisas.
O designer Philippe Starck uma vez falou que o único motivo dele fazer design é para abrir caminho a novas gerações inovarem a partir do que ele criou. Eu concordo com ele. Acho que a sociedade só consegue avançar quando algo de diferente é lançado e consegue causar uma ruptura num sistema estabelecido. Alguns exemplos: Cubismo, Sex Pistols e iPod. Desse ponto de vista, vivemos apenas para garantir a evolução da espécie humana. Daí a importância do estudo da história da arte e da sociologia. Para saber o que já foi feito antes de arriscar o novo.
Beleza. Então lá vem a minha opinião:
1. A arte é uma definição pessoal, onde cada um vai ter para si mesmo o que é arte ou não. (Lembre-se: um poste de rua pode significar muito mais que um simples poste de rua. Principalmente para quem bebeu demais.)
2. Ao criar algo, deve-se sempre ter como objetivo romper barreiras, porque somente o que é novo e diferente possibilita o avanço na sociedade, a evolução e talvez a revolução. Portanto, a discussão não gira mais em torno do que é arte ou não. Gira em torno do que é original ou não.
Ou não.
Curtiu? Não? Comente aqui ou mande um e-mail para leoehrlich@gmail.com e vamos nos conhecer. [Webinsider]
.




1° Kenny Maicon Data: 25/08/2008 às 9:23 am
Atividade: Diretor de Arte
Cidade:
Concordo! Temos definições de arte diferentes, vai depender de cada pessoa, o que é novo pra mim pode não ser novo para você… Enquanto uma sente um “orgasmo” por um determinado trabalho para outra pode ser algo comum.