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Paulo Roberto Elias
Áudio e vídeo

Processadores de vídeo

02 de julho de 2008, 16:11

Entenda melhor os jargões de áudio e vídeo: o chip dentro dos aparelhos de TV.

Por Paulo Roberto Elias

Uma das características técnicas mais importantes dos atuais painéis de televisão, seja LCD ou plasma, é um microchip que está encerrado dentro dos aparelhos, e que leva o nome genérico em inglês de “video engine”, mas no que nos concerne, nós poderíamos chamá-lo simplesmente de “processador de vídeo”.

Este processador adquiriu uma transcendental importância, depois que a imagem que nós assistimos passou a ser digitalizada, e hoje é literalmente indispensável, em função de ajustes de escala necessários para adaptar o sinal de entrada à resolução nativa das telas.

Esses processadores adquiriram, ao longo do tempo, uma importância tão grande, que hoje em dia não é mais aconselhável a quem quer investir altas somas de dinheiro numa TV, sem parar primeiro para conferir que tipo de processador é usado, qual a sua versão de software, se ele é atualizável, e, em última análise, se ele tem recursos e qualidade suficiente para justificar que a compra seja feita.

O fabricante de painéis sabe disso e costuma desfilar na sua propaganda nomes de fantasia e detalhes técnicos ilustrados, para dar ênfase à performance do seu processador de vídeo. Os nomes variam muito de um fabricante para outro, os mais comuns sendo:

  • Philips: Pixel Plus (agora com as versões 2 e 3); HD Perfect Pixel; Crystal Clear.
  • LG: XD engine (LCD, Plasma); Flatron f-engine (monitores LCD).
  • Sony: Bravia engine; DRC (Dynamic Reality Creation).
  • Samsung: DNIe (Digital Natural Image enhancer).

Cada processador destes faz verdadeiros malabarismos com a imagem. Alguns não têm bom desempenho, mas em geral o resultado é estupendo, e a explicação é simples: todo o processamento ocorre em ambiente digital, ou seja, a imagem, se analógica, é digitalizada e mantida assim até o momento da reprodução na tela, e se digital, apenas o circuito de conversão é a etapa que costuma não ser usada.

Em ambiente digital, o processamento é muito mais sofisticado e permite a implementação de algoritmos de cálculo com grande precisão de resultados. É claro que, em se tratando de um programa a ser executado poderão ocorrer erros de processamento ou rotinas mal escritas, mas idealmente as diferentes versões do mesmo software são passíveis de atualização, via porta de serviço dos painéis. E é a precisão do resultado final o grande trunfo de cada processador.

As tarefas do processador são várias, todas elas com o objetivo de adaptar a imagem ao painel e corrigir limitações ou distorções da imagem original. Geralmente o processador de vídeo é um chip com alto grau de integração, e assim a maioria, senão todas as tarefas são executadas em um único local.

Entre as tarefas mundanas dos processadores podemos achar as seguintes:

1. Remapeamento de pixels, com o objetivo de adaptar a resolução da imagem que entra para a resolução nativa do painel;

2. Análise e realce de cores, com o aumento de palheta, de acordo com a fonte;

3. Análise e realce de detalhes da imagem: o chamado “low-level detail” consiste de informações na sua maioria contida nas zonas intermediárias de contraste e têm uma tendência a ficarem obliteradas, dependendo da maneira como o usuário regule o contraste e o brilho. Neste caso, o processador ajuda a realçar detalhes que de outra forma ficariam perdidos;

4. Análise e ajuste do contraste (contraste dinâmico), de modo a melhor adequar a imagem da fonte à capacidade da tela;

5. Desentrelaçamento da imagem e transformação da mesma em imagem de varredura progressiva (“progressive scanning”). A TV normalmente não é dotada de capacidade de ler as flags do sinal da fonte, assim a saída é implementar um detector de cadência, porque, dependendo dessa detecção (3:2, 2:2, etc.), o algoritmo usado vai ser diferente, Esses algoritmos levaram historicamente o nome de “Natural Motion”, nome que é usado até hoje pela Philips, por exemplo;

6. Eliminação do chamado “film judder”, que é uma trepidação natural da imagem, constatada habitualmente quando o filme é rodado a 24 quadros por segundo, caso de todos os filmes atuais de cinema;

7. Análise das relações entre brilho e tom de cor com o restante da imagem, e a alteração momentânea da imagem, de forma a melhorar o que se chama de “claridade”, na percepção visual da mesma.

Nos casos ainda dos painéis LCD, onde a luz traseira (“backlighting”) pode ter influência no desempenho do processador, é possível controlar a amplitude da mesma, de maneira a não deixar que a imagem se deteriore por conta disso.

Embora os nomes dos processadores e os seus recursos sejam diferentes, o que a maioria deles faz é mais ou menos a mesma coisa: realçar e melhorar a qualidade da imagem. E o escopo para isso é tão grande que mesmo a chamada “alta definição” pode e deve ser beneficiar do processador, mesmo que seja por uma margem relativamente pequena.

Não é incomum o usuário se deparar, dentro das lojas, com um sinal de alta definição em telas de diferentes fabricantes com pouca ou nenhuma diferença, mas chegando com a tela em casa, é possível comparar com calma o resultado final com e sem processamento, e então ver que as diferenças existem!

Muita gente purista por aí ainda é capaz de não aceitar o efeito dos processadores disponíveis pelos fabricantes; de fato, há algum tempo, as limitações dos processadores poderiam sugerir sua desativação, no sentido de obter a melhor imagem possível.

Acontece que, em termos dos painéis mais antigos (os retroprojetores são o exemplo que me ocorre agora), a maior parte dos realces de imagem era conseguida através de calibração especializada. A Image Science Foundation (ISF) durante anos formou técnicos especializados em calibração de projetores, nos Estados Unidos. Hoje em dia a própria instituição oferece produtos para o usuário leigo, caindo, portanto, na realidade do mercado.

Com o uso dos atuais processadores, pouco ou quase nada precisa ser feito pelo usuário doméstico - e me arrisco a dizer que a calibração pode ficar restrita apenas aos profissionais que trabalham com imagem ou aficionados.

A atualização da velocidade e da capacidade dos processadores mais modernos, aliados à melhoria ou novas descobertas de rotinas de cálculos, vem tornando os modelos atuais cada vez mais capazes de tornar a intervenção do usuário uma coisa do passado.

Isto não quer dizer que ajustes convencionais como brilho e contraste, por exemplo, não devam ser feitas na tela recém adquirida, pelo contrário. Os ajustes de fábrica costumam ser destinados ao uso delas dentro das lojas, com a iluminação que lhes é peculiar.

Na instalação de um home theater, entretanto, o usuário deve estar ciente da iluminação do ambiente, da cor da parede do fundo, etc., antes de escolher o melhor local da instalação do seu painel. De qualquer forma, os painéis de melhor relação custo/benefício costumam dar resultados que compensam o investimento, e isso, sem dúvida, se deve aos processadores de imagem, na sua maior parte. [Webinsider]

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Sobre o autor

Paulo Roberto EliasPaulo Roberto Elias (miragem.prpelias @yahoo.com) é professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFRJ, Departamento de Patologia, M SC pelo Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da UFRJ e PhD em Bioquímica pela Cardiff University no Reino Unido e mantém o site Miragem

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ TV, vídeo ] [ música ]

Comentários

4 pessoas comentaram o artigo "Processadores de vídeo"

Nolan Leve Data: 03/07/2008 às 8:29 pm

Atividade:

Cidade: Rio de Janeiro

Cada vez mais acho que deverias publicar um livro com teus artigos.Acho eles muito bons.Parabens!

Paulo Roberto Elias Data: 04/07/2008 às 6:36 am

Atividade:

Cidade:

Oi, Nolan,

É sempre um prazer ver o amigo, tão competente, vivido e conhecedor, prestigiando o meu esforço do dia-a-dia. E, novamente, eu te reforço o pensamento de que, de anos para cá, qualquer projeto literário mais ambicioso foi devidamente descartado aqui em casa, por um monte de motivos.

Em qualquer campo de conhecimento (e nesse caso, ainda pior, pois sou apenas um hobbyista ou entusiasta, se você quiser), é muito difícil conciliar o lado técnico das informações com o acesso didático da mesma para os não iniciados, e tem sido este o meu objetivo com essa coluna, desde que eu comecei a escrever para o Webinsider, a convite do Paulo Rebêlo, ele mesmo tendo feito um significativo esforço nesta direção.

Já devem fazer uns vinte anos da minha extinta vida profissional que eu comecei a ficar indignado com o misticismo e o mistério com que a coisa científica e técnica é tratada neste país. O lado correto disso, que eu aliás vivi lá fora, e existe em profusão pela Internet, é dar às pessoas acesso à informação e não o oposto. Por isso, enquanto eu tiver forças, eu pretendo atingir esta meta, se Deus quiser, esperando, é claro, que os leitores nunca se sintam frustrados comigo!

Grande abraço do
Paulo Roberto.

Gabriel Linthelf Data: 09/07/2008 às 12:52 pm

Atividade: Engenheiro Civil

Cidade: Florianópolis

Paulo, primeiramente parabéns pela qualidade de seus textos. Tenho uma dúvida, possuo dois paineis flat, um plasma e outro lcd.
O lcd possui uma gama de configurações bem maior que o plasma, indo desde configurações básicas como contraste e brilho, como nível de backlight e redutor de ruído. No entanto não consigo atingir o mesmo nível de preto e suavidade de movimentação da plasma.
Existe algo a ser feito ou são características de cada televisor? Uma possível atualização de firmware seria uma solução? Desde já obrigado.

Paulo Roberto Elias Data: 09/07/2008 às 1:45 pm

Atividade:

Cidade:

Prezado Gabriel,

Primeiramente, obrigado pela leitura e pelo elogio.

Sem saber que modelos a que você se refere, prefiro fazer comentários mais amplos:

Muita gente se queixa do nível de preto das LCD, mas eu já fiz vários testes (todos empíricos, porque não tenho medidor), com displays que eu comprei para o meu uso pessoal, e não me pareceu um problema tão grande assim. Mas isso sou eu, que me baseio em cinema, principalmente.

No caso de uma insatisfação como o sua existem algumas saídas: uma delas é verificar com o fabricante a possibilidade de atualização do software (firmware), e se por acaso o nível de preto não depende de ajustes, ou se a tela em questão não tem o nível de preto que você busca.

Esta questão toda passa principalmente pelo projeto da TV e do tipo de tela usado. Algumas das telas recentes que eu tive chance de ver, no meu entendimento, não deixam em nada a desejar, comparada a uma TV de plasma, mas mesmo assim eu entendo que o usuário final é quem vai dizer se isso é verdade ou não.

Quanto ao movimento, qualquer tela hoje com 8 ms ou menos de tempo de resposta não deveria produzir nenhum artefato, deixar rastros, fantasmas ou qualquer outra coisa nesta direção. Antes de ir adiante, porém, eu acho que seria importante verificar se o problema não está na sua fonte de reprodução, coisas como por exemplo, que tipo de sinal está sendo enviado à TV, se é progressivo ou entrelaçado, qual a resolução original, etc. E, em última análise, se o problema persiste, quando se muda de uma fonte de sinal para outra.

É possível que, se a tela tem artefatos de movimento, o próprio processador possa ser culpado. No momento, a maioria dos processadores deveria ter capacidade suficiente para não produzir este efeito. Você pode inclusive fazer testes desabilitando partes específicas do processador, para ver se o problema diminui ou desaparece.

Um abraço, esperando ter ajudado,
Paulo Roberto Elias.

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