Processadores de vídeo
02 de julho de 2008, 16:11Entenda melhor os jargões de áudio e vídeo: o chip dentro dos aparelhos de TV.
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Uma das características técnicas mais importantes dos atuais painéis de televisão, seja LCD ou plasma, é um microchip que está encerrado dentro dos aparelhos, e que leva o nome genérico em inglês de “video engine”, mas no que nos concerne, nós poderíamos chamá-lo simplesmente de “processador de vídeo”.
Este processador adquiriu uma transcendental importância, depois que a imagem que nós assistimos passou a ser digitalizada, e hoje é literalmente indispensável, em função de ajustes de escala necessários para adaptar o sinal de entrada à resolução nativa das telas.
Esses processadores adquiriram, ao longo do tempo, uma importância tão grande, que hoje em dia não é mais aconselhável a quem quer investir altas somas de dinheiro numa TV, sem parar primeiro para conferir que tipo de processador é usado, qual a sua versão de software, se ele é atualizável, e, em última análise, se ele tem recursos e qualidade suficiente para justificar que a compra seja feita.
O fabricante de painéis sabe disso e costuma desfilar na sua propaganda nomes de fantasia e detalhes técnicos ilustrados, para dar ênfase à performance do seu processador de vídeo. Os nomes variam muito de um fabricante para outro, os mais comuns sendo:
- Philips: Pixel Plus (agora com as versões 2 e 3); HD Perfect Pixel; Crystal Clear.
- LG: XD engine (LCD, Plasma); Flatron f-engine (monitores LCD).
- Sony: Bravia engine; DRC (Dynamic Reality Creation).
- Samsung: DNIe (Digital Natural Image enhancer).
Cada processador destes faz verdadeiros malabarismos com a imagem. Alguns não têm bom desempenho, mas em geral o resultado é estupendo, e a explicação é simples: todo o processamento ocorre em ambiente digital, ou seja, a imagem, se analógica, é digitalizada e mantida assim até o momento da reprodução na tela, e se digital, apenas o circuito de conversão é a etapa que costuma não ser usada.
Em ambiente digital, o processamento é muito mais sofisticado e permite a implementação de algoritmos de cálculo com grande precisão de resultados. É claro que, em se tratando de um programa a ser executado poderão ocorrer erros de processamento ou rotinas mal escritas, mas idealmente as diferentes versões do mesmo software são passíveis de atualização, via porta de serviço dos painéis. E é a precisão do resultado final o grande trunfo de cada processador.
As tarefas do processador são várias, todas elas com o objetivo de adaptar a imagem ao painel e corrigir limitações ou distorções da imagem original. Geralmente o processador de vídeo é um chip com alto grau de integração, e assim a maioria, senão todas as tarefas são executadas em um único local.
Entre as tarefas mundanas dos processadores podemos achar as seguintes:
1. Remapeamento de pixels, com o objetivo de adaptar a resolução da imagem que entra para a resolução nativa do painel;
2. Análise e realce de cores, com o aumento de palheta, de acordo com a fonte;
3. Análise e realce de detalhes da imagem: o chamado “low-level detail” consiste de informações na sua maioria contida nas zonas intermediárias de contraste e têm uma tendência a ficarem obliteradas, dependendo da maneira como o usuário regule o contraste e o brilho. Neste caso, o processador ajuda a realçar detalhes que de outra forma ficariam perdidos;
4. Análise e ajuste do contraste (contraste dinâmico), de modo a melhor adequar a imagem da fonte à capacidade da tela;
5. Desentrelaçamento da imagem e transformação da mesma em imagem de varredura progressiva (“progressive scanning”). A TV normalmente não é dotada de capacidade de ler as flags do sinal da fonte, assim a saída é implementar um detector de cadência, porque, dependendo dessa detecção (3:2, 2:2, etc.), o algoritmo usado vai ser diferente, Esses algoritmos levaram historicamente o nome de “Natural Motion”, nome que é usado até hoje pela Philips, por exemplo;
6. Eliminação do chamado “film judder”, que é uma trepidação natural da imagem, constatada habitualmente quando o filme é rodado a 24 quadros por segundo, caso de todos os filmes atuais de cinema;
7. Análise das relações entre brilho e tom de cor com o restante da imagem, e a alteração momentânea da imagem, de forma a melhorar o que se chama de “claridade”, na percepção visual da mesma.
Nos casos ainda dos painéis LCD, onde a luz traseira (“backlighting”) pode ter influência no desempenho do processador, é possível controlar a amplitude da mesma, de maneira a não deixar que a imagem se deteriore por conta disso.
Embora os nomes dos processadores e os seus recursos sejam diferentes, o que a maioria deles faz é mais ou menos a mesma coisa: realçar e melhorar a qualidade da imagem. E o escopo para isso é tão grande que mesmo a chamada “alta definição” pode e deve ser beneficiar do processador, mesmo que seja por uma margem relativamente pequena.
Não é incomum o usuário se deparar, dentro das lojas, com um sinal de alta definição em telas de diferentes fabricantes com pouca ou nenhuma diferença, mas chegando com a tela em casa, é possível comparar com calma o resultado final com e sem processamento, e então ver que as diferenças existem!
Muita gente purista por aí ainda é capaz de não aceitar o efeito dos processadores disponíveis pelos fabricantes; de fato, há algum tempo, as limitações dos processadores poderiam sugerir sua desativação, no sentido de obter a melhor imagem possível.
Acontece que, em termos dos painéis mais antigos (os retroprojetores são o exemplo que me ocorre agora), a maior parte dos realces de imagem era conseguida através de calibração especializada. A Image Science Foundation (ISF) durante anos formou técnicos especializados em calibração de projetores, nos Estados Unidos. Hoje em dia a própria instituição oferece produtos para o usuário leigo, caindo, portanto, na realidade do mercado.
Com o uso dos atuais processadores, pouco ou quase nada precisa ser feito pelo usuário doméstico - e me arrisco a dizer que a calibração pode ficar restrita apenas aos profissionais que trabalham com imagem ou aficionados.
A atualização da velocidade e da capacidade dos processadores mais modernos, aliados à melhoria ou novas descobertas de rotinas de cálculos, vem tornando os modelos atuais cada vez mais capazes de tornar a intervenção do usuário uma coisa do passado.
Isto não quer dizer que ajustes convencionais como brilho e contraste, por exemplo, não devam ser feitas na tela recém adquirida, pelo contrário. Os ajustes de fábrica costumam ser destinados ao uso delas dentro das lojas, com a iluminação que lhes é peculiar.
Na instalação de um home theater, entretanto, o usuário deve estar ciente da iluminação do ambiente, da cor da parede do fundo, etc., antes de escolher o melhor local da instalação do seu painel. De qualquer forma, os painéis de melhor relação custo/benefício costumam dar resultados que compensam o investimento, e isso, sem dúvida, se deve aos processadores de imagem, na sua maior parte. [Webinsider]
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1° Nolan Leve Data: 03/07/2008 às 8:29 pm
Atividade:
Cidade: Rio de Janeiro
Cada vez mais acho que deverias publicar um livro com teus artigos.Acho eles muito bons.Parabens!