O que falta para os negócios online decolarem
30 de junho de 2008, 23:49O Brasil avançou no comércio eletrônico mas ainda não atingiu o ideal em relação ao uso da internet. Quase metade dos usuários pesquisa produtos mas só 16% efetuam a compra. Qual será o futuro desse modelo de negócios?
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Na nova divulgação do ranking do e-readiness, que avalia a predisposição de setenta países a exercerem negócios pela internet, o Brasil avançou uma posição e passou a ocupar o 42º lugar. Apesar desse crescimento, nota-se que o aumento da demanda de compras ainda não é o ideal quando comparado ao uso da internet no país.
Segundo o relatório TIC domicílios 2007, das pessoas que utilizam a internet, 45% pesquisam preços e produtos na rede, e apenas 16% efetuam a compra. Esses dados demonstram, de certo modo, uma curiosidade que os internautas têm nesse novo mercado.
No entanto, revelam também certa desconfiança por parte dos usuários ao investirem nesse veículo. Assim, surge uma questão: qual será o futuro desse modelo de negócios?
Segurança
Considerada um dos principais obstáculos, esse item atinge tanto os clientes quanto os vendedores. Na hora de anunciar seu produto ou serviço, as empresas têm receio das reais intenções de seus potenciais clientes. De um lado estão os consumidores, que sempre estão desconfiados quanto à idoneidade dos sites, e do outro lado estão os portais, que têm seus dados constantemente ameaçados por invasores cibernéticos.
Estimo que, para quebrar essa barreira, será preciso criar novos certificados de segurança e leis que fiscalizem mais de perto o e-commerce, pois a falta de profissionalismo de alguns sites reflete negativamente em todos os outros, o que, por conseqüência, diminui a confiabilidade da mídia como um todo.
Pesquisar preços X realizar a compra
Outro aspecto importante é que a distância entre pesquisar preços e efetuar a compra ainda é muito grande. Ao se comparar os negócios online com outras formas de compra, como por exemplo as lojas de shopping, percebe-se uma segurança maior por parte dos consumidores em investir nesse segundo modelo.
Uma das razões para esse fato é que boa parte dos usuários necessitam da atenção de um vendedor, para sentir o produto, realizar testes de qualidade e analisar diferentes modelos, oportunidade que a internet não oferece.
Porém, a tendência é que essa situação mude com o tempo. Hoje, a maioria dos usuários pesquisa informações sobre os produtos na internet para comprá-los nas ruas. No futuro, será o contrário: o usuário testará a mercadoria em uma loja, escolherá o produto certo, mas, no final, efetuará toda a negociação pela internet, onde os custos com comissão nas vendas e os gastos com vendedores são menores.
Logo, como a internet apresentará um crescimento médio de aproximadamente 2,5% ao ano até 2012, segundo dados do instituto Kelsey Group, quem apostar nas vendas online colherá bons frutos, pois as expectativas são favoráveis tanto pelo baixo custo quanto pela flexibilidade desse mercado.
Infra-estrutura
No momento nota-se uma infra-estrutura precária, tanto nos portais que oferecem serviços e produtos, quanto na própria internet. Porém, os investimentos são maciços em ambas as partes. Além disso, a internet aumenta sua velocidade de conexão e de acessibilidade em grandes proporções.
Dados do IAB (Interactive Advertising Bureau) estimam que, para 2008, a parcela de acessos por rede banda larga seja de 85%. Já com relação aos sites e portais, devido ao “refinamento” feito pelos próprios clientes, só sobreviverão os mais sérios e competentes. Igualmente às lojas de shoppings e ruas, a tendência é que valores sejam agregados, ou seja, haverá maior diversidade de mercadorias em um único lugar, e mais clientes serão conquistados.
Para o Brasil, diferente de alguns países europeus, o crescimento dos negócios online está longe de estagnar. As expectativas são que o aumento passe a ser exponencial nos próximos anos, já que a internet no Brasil apresenta uma flexibilidade ímpar e os empresários e consumidores estão sempre abertos a novas idéias, fato que ajuda a solidificar a imagem de uma mídia segura e eficaz.
Cabe à sociedade quebrar alguns “preconceitos” e apostar um pouco mais nessa mídia, pois assim como todo bom negócio, a internet tem seus prós e contras, mas todos os indícios apontam que, em pouco tempo, os pontos positivos serão bem mais evidentes, e isso consolidará essa mídia como um ótimo mercado. [Webinsider]
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1° Vinicius Barbizani Data: 01/07/2008 às 4:18 pm
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Olá Dominic, Muito legal o texto, é interessante sabermos da realidade da maioria das empresas brasileiras de e-commerce.
Realmente o brasileiro tem pesquisado muito mais do que efetuado compras, mas acredito que isso se deve ao fato de que além da cautela do brasileiro sobre uma prática ainda não muito conhecida, a cultura Brasileira é mais calorosa e, espera uma atenção do vendedor, como você mesmo disse. Por isso ainda muita gente compra em Shoppings, o que não vai deixar de existir, mas com o tempo as pessoas vão passar a consumir tanto no ambiente físico quanto no virtual. Porém a própria web interativa é o segredo dessa questão. As pessoas interagindo dentro de fóruns, blogs e comunidades fazem com que essa “frieza” da internet seja quebrada. E ai os vendedores, ou quem esta prestando o serviço de venda pode interagir diretamente com os consumidores. Essas relações consumidores – vendedores gera maior confiança por parte dos internautas.
Falando de segurança, acredito que as empresas de ponta estão perdendo esse receio das reais intenções dos potenciais clientes e dando voz a eles, as companhias estão notando o poder do consumidor. A partir disso fica óbvia a necessidade das empresas em revisar suas interfaces e suas tecnologias, para oferecer um serviço seguro e profissional aos clientes. Uma maneira de identificar essa preocupação talvez seja observar o quanto uma empresa cria mecanismos de interatividade e da chance aos consumidores de participarem de decisões da companhia.
Hoje o conceito de interatividade e colaboração na web têm sido fundamentais para as mudanças no pensamento das pessoas, opiniões em blogs, informações em páginas oficiais, a imprensa online, os comentários e resenhas de consumidores sobre produtos, entre outros exemplos têm sido fundamentais para uma nova cultura de compra online, que gera e impulsiona um crescimento do setor e, cada vez mais uma maior interação e aprendizado para os envolvidos. Naturalmente esses movimentos tornam os processos na web mais baratos e adaptáveis, em parte é a resultabilidade que o Douglas falou no webinsider.
Acredito que o Brasil e os brasileiros estão propensos a esse movimento de crescimento devido, como você disse, a flexibilidade e a abertura a novas idéias que vemos hoje em empresários e em consumidores.
Por isso a inteligência coletiva tem sido um conceito inevitável na internet. A mudança para uma nova sociedade parte das empresas, mas principalmente dos consumidores, que estão unidos. Apostar na união do consumidor é justamente o que o Compra3 tem feito hoje. A empresa é um sistema de compra coletiva e esta criando um espaço onde as pessoas interagem dentro do grupo de compra, as lojas podem interagir com os consumidores, os fabricantes também, as pessoas podem contribuir com resenhas de produtos e serviços, etc. Esse é o futuro do e-commerce, é um modelo de negócios onde o poder do consumidor em rede é a força motriz dos negócios.
Abraços