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Negócios - Tecnologia

Empresas brasileiras de TI querem o exterior

23 de junho de 2008, 20:27

Embora tenha um bom mercado interno de tecnologia, ou por isso mesmo, o Brasil nunca conseguiu se posicionar mundialmente como exportador de serviços.

Por Martin Hackett

O Brasil tem chamado bastante atenção do mercado internacional de outsourcing. Seu potencial não passou despercebido para CIOs de grandes corporações, analistas, players globais e locais, todos procurando uma alternativa à Índia como destino de offshoring e também de olho em um mercado com um potencial global de mais de US$ 100 bilhões.

Ferramentas inovadoras, desenvolvimento permanente e experiência em consultoria são itens que garantem exposição ao País lá fora quando o assunto é a terceirização da Tecnologia da Informação (TI).

A mão-de-obra continua a ser o fator decisivo dessa exposição, uma vez que se aperfeiçoou muito, resultando na melhoria da qualidade e da produtividade do serviço, assim como na redução do tempo de entrega do trabalho.

Empresas de seguro, instituições financeiras, companhias aéreas, manufatura, varejo e energia são os segmentos internacionais que estão de olho na experiência brasileira de terceirizar serviços de TI e na sua contratação.

Basicamente, o Brasil tem três vantagens principais na oferta de serviços terceirizados ao exterior:

  • fuso horário quase semelhante aos dos Estados Unidos e da Europa, os maiores mercados consumidores de serviços de TI do mundo, o que permite realizar funções que requisitam interação em tempo real entre os países de maneira muito mais efetiva;
  • um mercado consolidado de TI, de mais de US$ 20 bilhões, com larga experiência em funções diversas para setores variados da economia;
  • e uma situação de estabilidade econômica, liberdade de mercado e democracia consolidada.

Em suma, a indústria nacional de TI e as multinacionais presentes no Brasil têm uma grande oportunidade para atender projetos globais de qualquer empresa.

A mão-de-obra em grandes capitais do Brasil – notadamente São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba – já comprovou ter experiência semelhante à de outras cidades, com forte atuação na oferta de serviços de tecnologia para mercados externos, como Nova Dhéli e Bangalore, ambas na Índia.

Frente a estas alternativas surgem novos pólos no Norte, Nordeste e interior dos estados mais ricos do País.

A gestão remota de infra-estrutura, incluindo servidores, banco de dados, redes e segurança, assim como serviços de desenvolvimento e suporte a aplicações, poderão ser alavancadores da oferta de outsourcing do País mundo afora.

A recomendação de analistas da área é clara: o Brasil tem enorme potencial para concorrer com a Índia, em especial em serviços de TI de maior valor agregado. Os desafios a enfrentar, porém, ainda são grandes: falta de massiva mão-de-obra qualificada, legislação trabalhista, elevada carga fiscal e falta de profissionais com domínio de vários idiomas — há, por exemplo, mais de 70 milhões de indianos que falam fluentemente inglês.

As companhias de TI com presença no Brasil, assim como os governos federais e estaduais, estão engajados num esforço para superar esses desafios.

Por fim, a terceirização de gestão de infra-estrutura já é uma realidade mundial. Empresas e governos devem focar em uma iniciativa-chave e aprender a partir da experiência na área de outras nações, como Índia, Malásia, República Tcheca e Romênia.

Compô-la dentro do conjunto brasileiro de ações relativas ao comércio internacional dependerá de uma acertada política de atração de compradores do serviço e de incentivo fiscal para exportar. Tudo o que os outros países citados anteriormente já possuem. [Webinsider]

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Sobre o autor

Martin Hackett é vice-presidente de Serviços de Infra-estrutura e Outsourcing da Unisys Brasil.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ programação ] [ formação profissional ] [ trabalho a distância ]

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