Privacidade é um conceito que caiu por terra sozinho
21 de junho de 2008, 20:12Cena de cinema: você está na rua e acha que está sendo seguido por um criminoso que viu sua foto no Orkut, o seguiu pelo Twitter e agora tem um mapa com uma seta que mostra exatamente onde você está.
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De um lado iniciativas de marketing valorizam dados sobre seu público e investem em iniciativas que privilegiem o cadastro – desde o simples formulário com nome, idade e sexo até fichas mais completas com a personalidade, gostos pessoais, currículo etc.
Ao mesmo tempo, a cibercultura valoriza mais a comunicação que a própria mensagem – o importante é interagir. O usuário cria, então, um personagem virtual, um avatar que espelhe a sua individualidade, a fim de participar da sociedade.
As redes sociais concentram inúmeras informações de milhões de pessoas: preferências musicais, melhores filmes, estado civil, idade, personalidade, opção sexual, hábitos, formação profissional, fotos, vídeos e por aí vai. Tudo disponibilizado pelo próprio usuário. O sistema de filiação em comunidades completa a personalidade de forma indireta, porém satisfatória.
Nos micro-blogs o usuário coloca por livre e espontânea vontade a sua rotina – o que está fazendo naquela hora. Na página do perfil de cada um é possível descobrir vontades, manias, desejos, hábitos e paixões.
Com informações no Orkut e no Twitter qualquer um consegue traçar o perfil de alguém. Há pessoas que até disponibilizam contatos (telefone, endereço, e-mail). Se não bastasse tantos dados pessoais, um aplicativo criado pela fusão entre o Apontador e o Maplink será integrado às redes sociais e serviços de mapas com o recurso “onde estou” – os usuários poderão informar onde estão naquele momento e o mapa indicará a localização quase precisa.
É praticamente um convite para ser abordado no meio da rua, à parte um pequeno problema adicional, a segurança. Uma pessoa má intencionada sabe como você é (viu sua foto no Orkut), sabe o que está fazendo (seguiu pelo Twitter) e agora sabe exatamente onde está! E quem deu as informações necessárias foi você mesmo.
Diante disso, o uso destes dados pessoais por empresas, como bancos e lojas, para criação de um cadastro de mala direta não pode ser considerado ilegal porque o próprio detentor dos dados disponibilizou o conteúdo abertamente. A financeira de cartão de crédito não precisa mais violar cadastros em bancos ou assinatura de revistas. É só entrar no Orkut que está tudo lá! Nós estamos passíveis de receber cada vez mais spam e correspondências, principalmente porque as empresas estão certas do que você gosta.
Nunca o direito à inviolabilidade da vida privada, intimidade, honra e imagem citados no art. 5º, inciso X da Constituição Federal foi tão fácil de ignorar.
Obviamente, o poder de aproximação que a criação dos perfis possibilita é notável; as pessoas têm a chance de agrupar-se em comunidades específicas, feitas sob medida (o viver em comunidades virtuais – se são ou não anti-sociais – é uma outra discussão que merece atenção exclusiva). O que não podemos esquecer é o fato de que qualquer um tem a possibilidade de acessá-las. A cautela não pode ser deixada de lado por modismos.
A preocupação com a violação de privacidade deu lugar ao consentimento – a um convite sem destinatário para que sua vida seja totalmente escancarada. [Webinsider]
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1° Giovanni Giazzon Data: 23/06/2008 às 12:16 pm
Atividade: Gerente de Projeto
Cidade: Brasília
Olá Gustavo,
Acredito que o caminho é realmente de mão única: temos que nos adaptar aos novos conceitos de privacidade (Privacidade 2.0, ha!). Ou isso ou fechamos completamente qualquer atuação na Internet, uma opção praticamente impossível para qualquer um que tenha algum tipo de atividade online. O Google eventualmente vai mostrar qual a sua opinião sobre um determinado assunto quando você se expressar em alguma página (ex, google: giazzon + privacidade vai te indicar esta página).
Os pontos preocupantes são relativos. Por exemplo, ativistas de assuntos polêmicos podem facilitar a ação de extremistas ao informar aonde vão estar em um determinado momento do dia. Ao invés dele esperar você sair de casa (informação pública) e te seguir, ele gasta menos tempo indo no horário certo aonde o mapa indica.
Grande parte das informações divulgadas nos sites sociais são de fácil acesso por outros meios. É uma exposição voluntária com efeitos colaterais e oportunidades das mais diversas, para o bem ou para o mal. Vale o bom senso no que se divulga e o quão exposto você quer estar.
Grande abraço,
Giovanni Giazzon dos Santos.