Informação demais é anti-informação?
06 de maio de 2008, 16:09Nosso amigo enxerga um fenômeno curioso, a glamurização da desinformação, onde ouvir falar é mais importante que realmente saber e o excesso assusta e desmotiva. Você concorda?
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Vivemos uma época de grande oferta de informação, visões diferenciadas de um mesmo tema e possibilidades de aprofundamento em qualquer assunto. Porém, ao mesmo tempo, percebe-se um desânimo diante de tanto conteúdo.
A informação, boa e quentinha, está em todo canto: bons blogs, sites de notícias, newsletters, rss, podcasts fresquinhos e saborosos. Diversos colaboradores, articulistas, jornalistas e blogueiros colaboram diariamente lotando a web de conteúdo, muitas vezes bom e relevante. Sem querer parecer redundante, nunca houve tamanho empenho em inserir conteúdo na web, por todos os cantos e meios possíveis e imagináveis. Basta querer e pronto: a informação estará ali, à sua disposição, muitas vezes disponível em diversos pontos-de-vista que enriquecem o conhecimento.
Porém, quando a oferta é demasiada, o santo desconfia (distorcendo o antigo ditado). Na economia capitalista, globalizada e neo-liberal, excesso de oferta significa desvalorização do produto oferecido, responsável por quedas e quebras nos casos mais extremos. Quando há muita oferta, a tendência é queda nos preços e aumento de promoções diferenciadas visando “escoar” o estoque (para quem ainda o tem) e “girar” o capital.
Em tese, ninguém discorda que a web, em seu formato atual, trouxe uma visão totalmente ampla, liberal e democrática do mundo, deixando-nos, realmente, a um clique de qualquer bom livro, de qualquer museu ou exposição, de qualquer boa biblioteca do mundo (ao menos daquelas que digitalizam seu acervo).
Assim, a passividade é uma opção, não mais uma imposição: só se mantém passivo quem quer ou não tem nenhuma opinião relevante a expressar.
Há no meio web um impulso natural de participação e interação, capaz de influenciar até mesmo a maneira como a mídia dita “tradicional” se relaciona com seu público, abrindo uma série de oportunidades de participação, desde os programas tipo “Você Decide”, enquetes nos sites das principais atrações da TV, passando por blogs de jornalistas nos portais de jornais e revistas.
A mídia tradicional também não quer “ficar de fora” (apesar de sua natureza original deixá-la “fora” e estigmatizada como modelo do que não deve ser seguido, por definição) da maneira atual e moderna de se fazer as coisas.
Se o acesso melhorou, por que as pessoas continuam tão desinformadas?
Mesmo que oferecidas às toneladas e por diversos meios, há pouco interesse em se manter informado, em se pesquisar e ampliar os horizontes. Ainda há quem diga, sem nenhum traço de vergonha, que é difícil se manter informado, mesmo tendo uma conexão de banda larga em casa, 24 horas conectada ao ambientes P2P, MSN e redes sociais. Bastariam alguns minutos para se informar sobre qualquer assunto do seu interesse.
Muitas vezes, a impressão que se tem é que o excesso desmotiva, desanima ou torna algo relevante em fútil, como se todo mundo soubesse do que se trata antes mesmo de ler. No final, temos um “círculo vicioso” de opiniões abalizadas baseadas no resumo do resumo do resumo, sugando, completamente, a essência e importância da informação original, jogando-a na vala comum das pequenas notas jornalísticas.
Nos tempos atuais, onde “ouvir falar” é mais importante que realmente saber, onde ter noções é mais do que conhecer a fundo; o excesso de oferta talvez assuste e desmotive a procura, trazendo uma sensação equivocada de “déjà vu” por antecipação, altamente letal para a cultura e para a sociedade, num momento seguinte, como conseqüência direta e sintoma mais pronunciado de uma glamurização da desinformação, ou algo que o valha. Você concorda? [Webinsider]
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1° Robson Chagas Data: 06/05/2008 às 4:40 pm
Atividade: Designer*
Cidade: Curitiba
Mas é claro que o excesso de informação serve a desinformação, não resta dúvidas, o povo em geral mal consegue discernir os engodos da propaganda, que dizer de um monte de informação não só meio digital, mas fora dele também.
Já escrevi um artigo sobre o assunto, dê uma olhada, vale a pena, segue o link: http://www.boxcuritiba.com.br/robson/artigos3.html
abrax
Robson Chagas