O que são as flags
03 de maio de 2008, 22:45Entenda melhor os jargões de áudio e vídeo: a flag é geralmente um código que sinaliza para o aparelho reprodutor de áudio e vídeo a presença de um dado codec ou quantidade de quadros por segundo.
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Flag é um termo usado em programação - na realidade um comando de sinalização, com uma quantidade enorme de aplicações.
Porque este termo foi parar na tecnologia de áudio e vídeo é o que eu me proponho a explicar nas próximas linhas. E se o leitor pensa que ele não terá nenhum impacto nas decisões de compra de algum equipamento, poderá estar enganado. Tudo irá depender se a pessoa quer saber ou não sobre coisas que influenciam o desempenho e a qualidade de um dado equipamento.
Antes é preciso contextualizar o termo “flag”: em informática, flag é uma espécie de marcação de uma dada condição ou de um status. Quando se usa uma flag em um programa, na maioria das vezes ela indica uma sinalização de interesse do programador, ou então ela pode ser usada como um interruptor, parecido com esses que ligam ou desligam um circuito. Mais detalhes sobre isso podem ser lidos neste link.
A flag é geralmente um byte, ou um código, se quiserem, que pode ser usada para indicar a presença ou ausência de um determinado status.
Em microprocessadores, a flag é também usada para indicar ou controlar uma condição de operação. E, em última análise, ela serve para deflagrar um conjunto de operações associado a ela, como, por exemplo, o uso de uma parte do decodificador.
A coisa fica de fato interessante quando flags são usadas como sinalizadores da presença de um dado codec ou de valores de cadência (número de quadros por segundo), dentro de um determinado bitstream.
Aqui, é sempre bom lembrar que a transmissão de dados em sistemas de áudio e vídeos é feita por uma corrente de bits, por cabo ótico, coaxial, HDMI ou DVI-D, entre leitores e reprodutores. Eu pretendo usar esses dois exemplos, como forma de mostrar como as flags funcionam:
1. As flags de áudio
Quando um disco DVD, por exemplo, é lido, e o sinal digital de áudio é transmitido para um decodificador externo (A/V receiver, etc.), como é que este último sabe qual o codec que está entrando? Através de uma flag apropriada, e acreditem, existem flags para todos os codecs de áudio existentes. A tabela a seguir mostra alguns deles:

Nota: o sinal Dolby Digital prevê variantes com 3 ou 4 canais, acompanhadas ou não de LFE; o sinal DTS tem também algumas variantes, todas elas em 5.1, que nem todos os decoders conseguem identificar, mas usam o core do DTS original no seu lugar.
2. O erro na flag do Dolby Digital EX
A transposição do Dolby-EX para o home vídeo veio acompanhado de uma flag que a maioria dos primeiros decoders não entendia.
A própria Dolby Labs corrigiu o problema, mas muitos dos discos até então autorados com a flag errada já haviam sido vendidos. A solução foi sugerir aos fabricantes implementar uma opção nos decodificadores, para “forçar” a reprodução em 6.1, ao invés de simplesmente obedecer à presença da flag correta.
Acontece que esta sugestão acabou por beneficiar os ouvintes, porque o Dolby-EX é baseado no princípio de que sinais fora de fase entre os canais surround direito e esquerdo são derivados para o sexto canal (surround back). Um número enorme de trilhas não originalmente produzidas em Dolby-EX tem esses sinais e a sua presença nos canais traseiros melhoram significativamente a qualidade da mixagem, ou seja, 5.1 passam para 6.1, sem prejuízo algum para a reprodução do áudio.
Na realidade, foi um erro que acabou dando certo!
Eventualmente, a flag Dolby-EX foi corrigida. Um dos primeiros discos a mostrar isso foi a edição em DVD do filme “Jurassic Park 3” (Universal). Alguns modelos de receivers permitem identificar o sinal de entrada, e ai fica fácil saber se a flag 6.1 correta existe.
3. As flags de cadência
Com o avanço para os displays de alta resolução, modificou-se a forma de exibir sinais de vídeo nas telas. Uma dessas modificações refere-se ao uso da varredura progressiva, em oposição ao vídeo convencional, que é entrelaçado. Este assunto é razoavelmente complexo, exige tempo e espaço para ser explicado, mas isto pode ser resolvido com a leitura de um monte de artigos na internet sobre isso, se desejável for. No nosso caso, basta dizer que os tubos de imagem convencionais compõem um quadro completo em duas varreduras distintas, enquanto que no processo progressivo um quadro completo é construído antes que a imagem seja exibida.
Na construção desse quadro, entretanto, é importante saber a cadência (número de quadros por segundo) da fonte de vídeo a ser exibida. Filmes de cinema e vídeo oriundo de uma câmera de TV convencional têm cadências diferentes. Na diferenciação entre ambas, existe a base que vai permitir o desentrelaçador de vídeo (em inglês, deinterlacer, programa que converte vídeo entrelaçado em vídeo progressivo) saber como a imagem vai ser composta. Para isso, existem as flags de cadência, que estão contidas no bitstream de vídeo do disco DVD ou Blu-Ray.
Mas este não é o único método para compor imagens progressivas. Existem algoritmos desenhados para “adivinhar” a cadência, na medida em que o sinal de vídeo é enviado ao seu destino. Um dos mais usados é o Natural Motion, desenvolvido pela Philips, para uso em seus televisores de alta definição.
Muitos desentrelaçadores são programados para ler as flags de cadência e simultaneamente usar os sensores de movimento, do tipo do Natural Motion. O objetivo desta união é permitir que o desentrelaçador desempenhe a sua tarefa corretamente, na presença de flags de cadência erradas (resultantes de uma autoração incorreta), ou com a mistura delas dentro do mesmo programa, o que às vezes “confunde” o desentrelaçador: é o caso, por exemplo, dos programas em vídeo convencional, contendo clipes de filmes de cinema.
Um bom desentrelaçador justifica o preço do equipamento de leitura ou reprodução, e este foi o motivo pelo qual os primeiros testes de vídeo progressivo, feito pelo site Secrets of Home Theater and High Fidelity chamaram a atenção dos entusiastas, na escolha dos equipamentos com este recurso. Sem ele, a imagem pode apresentar diversos artefatos de movimento e distorções na imagem.
Ubiqüidade das flags no áudio e no vídeo digitais
As flags de áudio e vídeo são programadas, principalmente na função de interruptores para “ligar” ou “desligar” uma função do equipamento de reprodução. Elas exigem que a sua leitura correta seja seguida do desempenho da função correspondente pelo decodificador em questão, conforme anteriormente comentado.
Todo e qualquer bitstream de áudio ou vídeo contém flags de natureza variada, e na prática nem todas elas são corretamente interpretadas pelos decodificadores disponíveis. Em princípio, será a atualização de firmwares a única opção de corrigir isso. Em alguns casos, a não obediência de uma determinada flag não acarreta maiores prejuízos na operação ou desempenho do equipamento, mas em outros casos ocorre exatamente o contrário, e um dos melhores exemplos onde este tipo de problema se situa é quando um leitor de alguma mídia não consegue reproduzir parcial ou totalmente a mesma.
Em tempos de blu-ray, a presença da flag per se não é suficiente: é preciso também ter o equipamento capaz de reproduzir os codecs desses discos. E como, aparentemente, nem todas as flags foram ainda introduzidas, nós ainda vamos testemunhar novas gerações de equipamentos de leitura ou reprodução para resolver isso. [Webinsider]
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1° Bernardo Kremer Diniz Data: 04/05/2008 às 1:19 pm
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Parabens pelo artigo muito elucidativo aguardo outros que sejam capazes de “traduzir” termos tecnicos frequentemente usados pelos fabricantes e pouco conhecidos.