Webinsider

Mídia interativa - Branding

Uma nova forma de construir marcas

29 de abril de 2008, 23:32

Toda propaganda deve contribuir para o complexo símbolo que é a marca, disse o lendário publicitário David Ogilvy. A marca considerada a mais valiosa do mundo não anuncia na televisão, nem em jornais e revistas.

Por Rafael Andaku

Um levantamento feito pela consultoria Millward Brown, especializada em pesquisas de mercado, revela que a marca mais valiosa do mundo é o Google, com um valor de mercado de US$ 86 bilhões, o que representa uma alta de 30% em relação ao ano passado.

Para muitos publicitários, a construção da marca é um dos principais objetivos quando uma empresa investe em propaganda. Principalmente, quando levamos em consideração as campanhas institucionais, ou seja, as campanhas publicitárias que não divulgam preços, formas de pagamento ou promoções, mas sim valores e idéias compartilhadas por essa empresa.

Há décadas a indústria da propaganda vem lembrando o mercado a importância da construção das marcas. Desde o lendário David Ogilvy, que registrou a famosa frase “Toda propaganda deve contribuir para o complexo símbolo que é a marca”, até os dias atuais. Por isso,uma das principais formas de medir a eficácia de uma estratégia de comunicação continua sendo o recall, ou seja, a lembrança da marca.

Analisando os investimentos publicitários no Brasil, podemos observar que as principais marcas brasileiras investem a maior parte do seu budget em mídias tradicionais como televisão, revistas e jornais. Ou seja, as empresas brasileiras continuam apostando que essas mídias irão contribuir de forma mais relevante para a construção de suas marcas.

Esta não parece ser a mesma opinião do Google, a marca mais valiosa do mundo. Quem já assistiu um comercial de TV do Google? Ou um anúncio de jornal ou revista (não vale anúncio de empregos, só institucional)?

Entretanto, já tive contato várias vezes com a marca Google em reportagens de jornais, revistas, programas de TV e websites. Já li inclusive livros sobre a história da empresa. Também já recebi convites de meus amigos para participar do Orkut e fazer meu Gmail (era difícil conseguir um). Sei também que o Google promove feiras, concursos e outros eventos muito comentados no meio tecnológico e de marketing.

Outra forma com a qual me relacionei com a marca foi através de campanhas virais na internet. Todavia, nada me faz lembrar mais a marca do Google do que as inusitadas experiências que tive quando utilizei seus produtos. Como me marcou a primeira vez que vi minha casa no Google Earth.

Isso mostra que a estratégia de construção de marca do Google é bem diferente da maioria das empresas nacionais. Suas ações estão baseadas em novas disciplinas de propaganda e marketing como Mídias Digitais, Marketing Promocional, Relações Públicas, e, principalmente, em um produto inovador. E o pior, de acordo com o levantamento da Millward Brown, somos nós que estamos errados. [Webinsider]

.

Sobre o autor

Rafael Andaku (rafael@e-brand.com.br) é consultor da inbate e diretor de criação da e-brand

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ google ] [ propaganda ]

Comentários

9 pessoas comentaram o artigo "Uma nova forma de construir marcas"

Luigui Moterani Data: 30/04/2008 às 8:38 am

Atividade: Planejamento estratégico

Cidade: Londrina

Rafael,
As empresas não só continuam apostando nos velhos formatos como também se recusam a quebrar seus paradigmas, como por exemplo acreditar que é possível construir uma marca através de propaganda apenas.
Essa é uma visão ultrapassada de quando a demanda do mercado era superior à capacidade de produção das empresas, o que requeria pouco esforço por parte dos fabricantes para colocar seu produto no mercado.
Atualmente o cenário mudou muito, mas as empresas continuam a se comportar como se estivessem vivendo no mundo de 20/30 anos atrás.
Pode parecer que essa herança acompanha apenas empresas tradicionais, mas não é o caso. Vejo muitas empresas da era digital (agências web por exemplo) q

Luigui Moterani Data: 30/04/2008 às 8:38 am

Atividade: Planejamento estratégico

Cidade: Londrina

Rafael,
As empresas não só continuam apostando nos velhos formatos como também se recusam a quebrar seus paradigmas, como por exemplo acreditar que é possível construir uma marca através de propaganda apenas.
Essa é uma visão ultrapassada de quando a demanda do mercado era superior à capacidade de produção das empresas, o que requeria pouco esforço por parte dos fabricantes para colocar seu produto no mercado.
Atualmente o cenário mudou muito, mas as empresas continuam a se comportar como se estivessem vivendo no mundo de 20/30 anos atrás.
Pode parecer que essa herança acompanha apenas empresas tradicionais, mas não é o caso. Vejo muitas empresas da era digital (agências web por exemplo) que insistem na velha fórmula.
Desnecessário dizer que não funciona.
Parabéns pelo artigo.

Cesar Zeppini Data: 30/04/2008 às 9:09 am

Atividade: Publicitário

Cidade: Indaiatuba-SP

Muito bom artigo Rafael!
O Google está usando a mais nova mídia para agregar valor à sua marca, que é o Social Media. Hoje em dia, a maior parte das lojas virtuais possui um sistema de feedback e comentários em seus produtos, para que você possa saber de outras pessoas o que elas acharam deste produto e, assim, decidir se quer mesmo comprá-lo.

O mesmo funciona com o Google. Como suas ferramentas falam por si só e se integram, eles utilizam de suas próprias ferramentas de Social Media para divulgar sua marca. O próprio Google se tornou uma mídia e, o que poderia ser melhor do que divulgar sua marca para seu target sem gastar nada?

Para exemplificar, seria como a Globo faz, fazendo propaganda dela mesma e de seus produtos no seu próprio canal.

Mas o que discordo de você é que, na verdade, as maiores marcas do Brasil fazem SIM bom uso da internet para propagar sua marca. Até o ano retrasado o Itaú era a marca mais valiosa do Brasil e sempre utilizou da internet de um jeito bastante forte e inteligente. É que o Google se tornou um caso a parte, pois como eu disse, eles tem a vantagem de serem uma mídia forte onde seu target interage alí mesmo e eles podem fazer sua própria propaganda (direta ou indiretamente) em seu próprio espaço.

Rafael Andaku Data: 30/04/2008 às 9:54 am

Atividade: Diretor de Criação

Cidade: Vitória

Cesar,
Concordo plenamente que existem marcas brasileiras fazem um bom uso da Internet para propagar marcas. Entretanto, a grande maioria ainda utiliza as midias tradicionais como a principal ferramenta de construção da marca.

Thiago Valenti Data: 30/04/2008 às 10:31 am

Atividade: Designer gráfico

Cidade: Balneário Camboriú - SC

Rafael, ênfase no que você falou no final do artigo. O Google tem produtos inovadores, é nesse ponto que reside toda sua força de marca, nem no “social media” que eles fazem, nem nos eventos que eles promovem.

O que se perdeu nas décadas passadas (70/80/90) foi o investimento no produto, em um produto bom e inovador. Não adianta investir pesado em publicidade, se o produto é igual a tudo que já se viu, apenas maquiado.

Quando o produto é inovador de fato, não precisa de publicidade em grandes mídias, ele se aproveita de publicidade espontânea, e da repercursão que seu produto faz com os usuários (esse último é a grande sacada do Google).

Parabéns pelo artigo. É ótimo quebrar os paradigmas do marketing e do branding falando de uma marca que não está muito presente fisicamente no mundo real.

ViNA Data: 30/04/2008 às 4:03 pm

Atividade: Relações Públicas

Cidade: Curitiba

Excelentes observações Rafael.

Muitas empresas parecem acorrentadas às formas tradicionais de comunicar seus produtos e de construir suas marcas.

Mas hoje vemos que já faz parte da cultura da nova geração lidar com os ambientes virtuais o tempo todo. Números mostram que os jovens estão deixando de assistir a televisão para se conectarem à internet. Pergunto como é que uma empresa quer fixar sua marca sem não levar em conta que a tendência da audiência é permanecer online?

As formas tradicionais de comunicação por exemplo estão mudando rapidamente e levando em conta a importãncia da inteligência coletiva, onde um processo de cooperação mútua é premissa e não mais objetivo das organizações.

Abraços

Mauricio Biasotto Data: 05/05/2008 às 10:10 am

Atividade:

Cidade: Sorocaba

As grandes marcas aqui no Brasil acredito que estão tentando tirar o máximo de aproveito da ‘velha’ midia, eles não podem estar de olhos fechados para tendência que esta acontecendo que não vai ficar mais lembrada aquele marca que ‘fala’ mais, mas aquela que dará um beneficio real para ele, proporcionando facilidade no seu dia a dia.

silvio Data: 06/05/2008 às 2:03 pm

Atividade: Publicitário

Cidade: Fortaleza

Gente, e as Casas Bahia, onde se encaixa nessa equação? Ela faz tudo o que o Google não faz e é primeira na lembrança das pessoas, conforme atesta sucessivas pesquisas da Meio&Mensagem. Como equacionar essas informações todas se vivemos um mundo e extremos como esse?

Rafael Data: 06/05/2008 às 4:33 pm

Atividade: Diretor de Criação

Cidade: Vitória

Silvio,
Você está utilizando o recall,como fórmula para medir o valor da marca. Essa não é mais o principal item para se construir uma marca.

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Google lança hosting grátis para aplicativosApp Engine é um serviço gratuito para desenvolvedores que podem hospedar seus projetos e usar a infra-estrutura do Google. Trabalha com aplicativos em Python e concorre com serviço similar da Amazon. Você usaria? Por Gilberto Alves Jr.

Clientes, não agências, movem a inovaçãoRicardo Cavallini, diretor de mídia da F/Nazca, notou que nos últimos anos os clientes têm sido mais insistentes nas cobranças por campanhas diferenciadas. Por Juliano Spyer

Links patrocinados: vale comprar marcas dos outros?E se um concorrente resolver comprar um termo que é marca de empresa concorrente - como anunciantes, agências e buscadores agem, ou deveriam agir nesta situação?

Por JC Rodrigues

A visibilidade das marcas no século 21Identificar onde o público-alvo está e colocar a marca lá. Esta é a essência. O problema é que a forma tradicional de pensar marcas e promoção considera quase sempre um contexto apenas semi-atualizado. Por Ricardo de Bem

Letrista do Grateful Dead iniciou o Orkut no BrasilQuando o Orkut nasceu e estava vazio, John Barlow recebeu 100 convites para o site de relacionamento e achou por bem enviar todos eles a conhecidos no Brasil. Por Juliano Spyer

O marketing precisa ser útil às pessoasA idéia de publicidade como interrupção e marketing como um mero vendedor está morrendo. Surge o conceito de marketing como um prestador de serviço, útil ao consumidor. Veja alguns exemplos. Por Daniel Souza

Alexandre Kavinski

Os diferentes robôs do GoogleCada um pode ter uma influência diferente na maneira como o Google vê, indexa e dá relevância para seu site. Por Alexandre Kavinski

Fernand Alphen

A propaganda e o sufrágio do povoA propaganda de meias verdades ou mentiras superlativas, excessivamente explícita, dramaticamente primária, martelando palavras de ordem e crenças laboratoriais tem os dias contados. Por Fernand Alphen

Pagamentos do Google AdSense sem problemasGoogle mudou a forma de pagamentos do AdSense aos donos de sites e blogs. Em vez de enviar cheques, deposita em uma conta de banco. Veja como receber sem problemas. Por Manuel Lemos

Webinsider