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Você é um evangelista de mídia social e não sabe?

22 de abril de 2008, 22:44

Existem muitas pessoas que atuam como evangelistas hoje. A grande maioria ainda não foi detectada pelos departamentos de recursos humanos das empresas que os empregam.

Por Juliano Spyer

“Eu mexo com internet.” Essa resposta é quase uma piada para quem não é nem programador nem webdesigner e nem por isso é menos essencial na criação e manutenção de projetos na web.

‘Evangelista de mídia social’ é uma designação ridícula, estranha, desengonçada, mal-traduzida do inglês. Mas por enquanto é a única que chega perto de nomear uma das atividades desse profissional.

Não se trata de um título aleatório ou modismo, como pode parecer. A importância desse nome é que ele responde a uma demanda real do mercado.

Será que você é um e não sabe?

Comportamento, não tecnologia

Muita gente acha que não consegue entender a internet por causa da tecnologia. É complicado demais decifrar termos como RSS, algoritmo ou tag. Mas a dificuldade é outra.

A tecnologia provocou uma mudança de comportamento.

Vou usar uma analogia para explicar a situação. Pessoas que viveram momentos de adversidade - guerra, pobreza - dificilmente se desprendem dessas experiências e mesmo sem precisar elas continuam economizando, guardando provisões.

As empresas e organizações em geral aprenderam a tratar a informação como se ela fosse um bem escasso. Mas com a internet, escassez virou abundância.

Um computador e uma linha telefônica

Antes do surgimento da internet, custava caro se comunicar com audiências. Havia poucos veículos, era necessário ter dinheiro para anunciar e força política para contornar uma crise.

Se um consumidor fosse prejudicado por utilizar um produto ou serviço, a tática era abafar a informação, tentar resolver silenciosamente, evitar a todo custo que a denúncia chegasse ao conhecimento público.

Mas em meados dos anos 90, em um período de tempo inexpressivo para a vida das corporações, a internet se tornou acessível a qualquer pessoa que tivesse um computador e uma linha telefônica.

O cenário mudou drasticamente. Agora, funcionários de empresas concorrentes conversam, consumidores insatisfeitos se manifestam, boas idéias se espalham.

Em um ambiente de abundância de informação, prejudicar a comunicação é um erro. As pessoas querem falar dos produtos e serviços que fazem parte da vida delas. E o que elas têm a dizer é relevante.

Isso pode acontecer de maneira difusa pela Rede, por e-mail, nas listas de discussão, nas comunidades formadas no Orkut ou em outros sites de relacionamento, chegar a milhares de pessoas pelo boca-a-boca. Ou a empresa pode escolher se tornar anfitriã dessa conversa.

Entra em cena o evangelista

Existem muitas pessoas que atuam como evangelistas hoje. A grande maioria ainda não foi detectada pelos departamentos de recursos humanos das empresas que os empregam. (Evangelizar não deixa de ser uma profissão de fé e requer entusiasmo.)

Apesar da novidade, já existem pessoas contratadas para desempenhar precisamente essa função. E a pessoa que possivelmente mostrou para o mundo o valor do evangelista de mídias sociais foi Robert Scoble, que se tornou conhecido por seu trabalho à frente do blog da Microsoft entre 2003 e 2006.

Seu segredo: além de saber se comunicar à maneira dos blogueiros, Scoble entendia a atividade da empresa, conhecia intimamente seus produtos, a concorrência e o mercado e por isso sabia diferenciar uma crítica fundamentada de uma provocação.

Essa composição de valores - compreensão da atividade e postura acessível - ajudaram a mudar a percepção negativa do público sobre a Microsoft, muito associada à tática monopolista da empresa e à resistência ao modelo de código aberto.

Atividades do evangelista

O ombudsman exerce uma função parecida com a do evangelista, no sentido em que ele é contratado por um órgão, instituição ou empresa para receber críticas, sugestões, reclamações da comunidade.

Existem muitas possibilidades do evangelista ser aproveitado dentro das corporações. O óbvio é que ele atue como o Scoble, sendo a voz do blog ou assessorando executivos a fazer isso para garantir que esse canal não seja decorativo.

Evangelistas também atuam no dia a dia da empresa ensinando e motivando seus colegas a melhorarem o desempenho profissional usando ferramentas de mídia social como RSS, Twitter e del.icio.us.

Uma maneira de testar o interesse da empresa em relação à mídia social é criar canais internos de comunicação. A empresa tem muito a aprender com seus funcionários, mas precisa estar preparada para aceitar críticas e dialogar.

Evangelistas atuantes

Pode parecer que estou falando de um cenário de ficção científica, que Scoble seja o nome de um E.T., mas não só existem evangelistas atuando profissionalmente como eles estão em empresas respeitáveis. Este artigo listou sete, vou apresentar alguns e você pode conhecer outros ainda aqui.

Sam Lawrence é executivo de marketing da empresa de software Jive.

Daniela Barbosa é gerente de novos negócios da Synaptica, uma divisão da Dow Jones Client Solutions.

Jeremiah Owyang é analista de mídia social da Forrester Research, empresa especializada em detectar e analisar tendências de mercado e de tecnologia.

Linda Skrocki é gerente da área de comunidades da Sun Microsystems, que inclui muitos dos blogs da Sun, além dos fóruns e agregadores de RSS.

Aceitamos sugestões

Saber o que você é, ter um nome para chamar essa função e valorizar o conhecimento sobre aplicação de ferramentas de mídia social deve nos ajudar a crescer profissionalmente.

Também deve simplificar o trabalho do pessoal de recursos humanos, que não vai precisar mais procurar gente que ‘mexe’ com internet.

Isso ainda pode melhorar encontrando um nome desvinculado do sentido religioso, que não seja estranho ao ouvido brasileiro, e que extraia o significado que interessa: evangelista é o cara entusiasmado por uma causa, neste caso, a da comunicação aberta, seja pela internet ou por outras plataformas.

Alguma idéia? [Webinsider]

.

Sobre o autor

Juliano Spyer (juliano@naozero.com.br), autor do livro Conectado e do blog NãoZero, é especialista em mídia social e projetos colaborativos na web.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ comunidades ] [ conteúdo colaborativo ] [ formação profissional ] [ Comunicação corporativa ]

Comentários

8 pessoas comentaram o artigo "Você é um evangelista de mídia social e não sabe?"

Tony Ferraz Data: 23/04/2008 às 9:50 am

Atividade: Gerente de Projetos

Cidade:

Acho que “Promotor de Tecnologia” é um nome mais adequado. Ou, “Evangelhista de TI”, que fica mais próximo da denominação em inglês: “Technology Evangelist”. Sua opção por “Mídias Sociais” deixa a nomeclatura menos assimilável.

Abraços

Juliano Spyer Data: 23/04/2008 às 10:10 am

Atividade:

Cidade:

Tony, essa discussão vai longe. Midias sociais vem sendo gradativamente adotado no lugar de Web 2.0, indicando a difusão feita por meio de ambientes sociais como chats, foruns, MSN, blogs, etc. TI dá a impressão de ser mais técnico, relacionado à adoção de programas, e não exatamente à comunicação em grupo. Não acha?

Alec Duarte Data: 23/04/2008 às 6:32 pm

Atividade: Jornalista

Cidade: São Paulo

Juliano,

Provando que o assunto realmente está em voga, o IGDNow falou sobre ele esta semana.

E eu tenho tentado convencer as pessoas de minha profissão de que um trabalho semelhante é altamente positivo para aproximar a agenda da mídia e a do leitor _mais até, talvez, do que a participação propriamente dita (quando sugerimos ao usuário que envie colaboração).

Vejo o “evangelista”, portanto, necessário não somente às grandes corporações, mas também às iniciativas individuais. Cada um de nós deveria aprender a sê-lo.

abs
ALEC
http://webmanario.wordpress.com/

Tony Ferraz Data: 24/04/2008 às 9:43 am

Atividade:

Cidade:

Juliano, concordo com você nesse aspecto, mesmo o IDG também considera “mídias sociais” como ideal.

Mas pra mim, corre o risco de se tornar um termo datado, como por exemplo, se tornaria “evangelista de web 2.0″.

Em inglês nós temos “Technical evangelist” ou “Technology evangelist” porque as primeiras funções destes profissionais eram estabelecer padrões tecnológicos. Tecnologia é um termo que nunca é ultrapassado.

Como a aplicação hoje está se disseminando pra qualquer produto ou segmento de mercado, acho que se poderia manter o Technology ou TI, não no sentido de ser “o que é promovido” (tecnologia), mas “por onde é promovido” (tecnologia).

A palavra tecnologia se enquadra na mesma posição semântica de “mídias sociais”, já que não são elas que são promovidas, mas “por onde” os valores são promovidos.

Forte Abraço

Robson Chagas Data: 28/04/2008 às 10:13 am

Atividade: designer

Cidade: curitiba

Essa lance de evangelizador me soa cristão demais, afinal de contas até o diabo é cristão.

Esse lance de impor crenças nas pessoas é algo muito baixo, chega ser diabólico, onde fica o livre abítrio?

Esse tipo de gente só estraga nosso mercado, esses caras são publicitários, vendedores na essência, na maioria das vezes inescrupulosos, sugando e buscando o lucro vil.

Esse caminho é negro, a história da publicidade prova isso, a publicidade vive crises seguidas e está cambaleando a tempos, ela mudou seu original objetivo.

Agora estão agonizando, e criam esses termos ridículos para ver se ganham espaço de quem já está desenvolvendo a web a tempos..

Abaixo ao publicitárismo!

Juliano Spyer Data: 28/04/2008 às 4:34 pm

Atividade:

Cidade:

Caro Tony, como está dito no começo do artigo, existem muitas pessoas que não sao webdesigners nem programadores e que também participam da criação de projetos na Web.

Coincidencia ou não, uma boa parte dessas pessoas é formado em cursos de Humanas.

Talvez mídia social não seja o nome final, mas o termo indica que o assunto está relacionado à área de comunicação.

Juliano Spyer Data: 28/04/2008 às 5:01 pm

Atividade:

Cidade:

Robson, é engraçado ler o seu comentário. Talvez se eu nao tivesse escrito o artigo, teria facilmente concordado com voce.

Acho que talvez nao tenha ficado claro no texto que o evangelista não é um profissional em si, apenas uma pessoa que promove a utilização dessa tecnologia no ambiente em que ele atua.

Como eu falei no começo do artigo, também acho esse nome muito ruim. Ele tem essa conotação religiosa que confunde quem não é da área.

A vantagem dele é ser uma etiqueta profissional que faz sentido para empresas. Não sei qual é a sua profissão. Eu não sei dizer rapidamente qual é a minha.

Com relação ao publicitarismo, acho que isso pode ser aplicado a qualquer profissao, pelo menos as ligadas à comunicação hoje.

Por que, por exemplo, os jornais não noticiam o problema de serviço da operadora TIM? http://www.coxacreme.com.br/2008/04/11/jornalistas-nao-usam-tim/

Acho o termo Web 2.0 muito pior que mídia social justamente pelo problema que voce aponta, dele nao significar precisamente nada. Mas me pegou frequentemente usando o 2.0 para me expressar.

As coisas não são tão simples algumas vezes.

rene de paula jr Data: 09/05/2008 às 3:11 pm

Atividade: User Experience Evangelist

Cidade: sao paulo

eu sempre fui evangelista de internet: desde 96 venho escrevendo a respeito em revistas e sites, palestrando a respeito, gravando videos e podcasts a respeito… estivesse eu na empresa que fosse, da Almap ao Yahoo! quem me conhece faz tempo há de reconhecer isso. juliano, desde quando a gente vem conversando sobre comunidades online? desde antes da web 2.0.

hoje sigo sendo evangelista aqui na Microsoft e continuo atuando no digimundo com a mesma paixão e fé de sempre. quem me acompanha no radinho ou em qqer outro lugar sabe disso.

esse nosso ofício vai sempre se beneficiar do esforço dos “missionários”, ainda temos muito chão pra semear essa planta fecunda da colaboração online.

abraços

rene

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