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Mídia interativa - Métricas

Pago pelo clique, mas os falsos eu não quero

17 de abril de 2008, 18:11

O anunciante quando paga só pelos cliques que recebe tem a sensação de um investimento mais seguro. Mas e se milhares de robôs clicarem no anúncio para gastar a verba à toa?

Por Marcelo Mattei

Muitos dos anúncios que vemos nos sites são pagos apenas quando alguém clica no banner - é a modalidade pay-per-click (1).

Significa que os donos dos sites recebem mais quando os banners são mais clicados. Muitos clientes preferem pagar por este critério. Consideram mais seguro em termos de vendas do que pagar apenas para o site exibir os banners, independentes de serem clicados ou não.

Neste caso o anunciante transfere para o site parte do risco e se propõe a pagar apenas pelo número de visitantes que conseguir atrair a seu site.

O anunciante de links patrocinados também paga só pelo clique.

Mas quantos destes cliques pagos são realmente eficientes? Nem todos os cliques interessam ao anunciante, pois nem todos são de clientes verdadeiros. Alguns cliques vêm de testes para verificar o desempenho da própria campanha, outros de curiosos que não fazem parte do público alvo. Representam uma pequena parte do total de cliques e não influem muito, apenas geram um custo calculado sem a possibilidade de retorno.

Vamos chamar de clique falso aquele feito em um anúncio cobrado por clique e que resulte em custo para o anunciante, sem gerar a possibilidade de uma oportunidade real de negócio.

Basicamente há dois tipos de cliques falsos: um deles é o clique feito pelo próprio website que vendeu a publicidade, com o intuito de gerar pagamento por parte do anunciante, além de mascarar o real retorno proporcionado pelo veículo em questão.

O outro tipo é o clique provocado pelo concorrente do anunciante, com o objetivo de fazer com que o anunciante gaste a verba e/ou a quantidade de cliques diários e tenha pouco retorno. Servem para atrapalhar a campanha do concorrente.

O problema é se isto for feito em quantidade. Cliques falsos podem ser provocados manualmente ou automaticamente. Manualmente é quando um ser humano clica várias vezes sobre um anúncio e os danos em volume são pequenos.

Já a forma automática pode ser perigosa e impactante se utilizar bots ou programas robôs (2) que simulam cliques nos anúncios.

Não são números que se aplicam ao Brasil, mas segundo a Click Fraud Network (3), 16% dos cliques efetuados em anúncios pay-per-clique são falsos. A situação é pior se a mesma pesquisa for feita apenas em sites de busca, como Google e Yahoo. Nesse caso, o índice de cliques falsos atinge estrondosos 28%, ou seja, a cada 10 cliques, quase 3 só geram custo ao anunciante, sem nenhuma chance de retorno.

Se tomarmos como base o mercado americano de SEM (Search Engine Marketing, ou marketing para sites de busca) (4), que corresponde a US$ 8 bilhões/ano (fonte: SEMPO) (5) significa US$ 2 bilhões por ano jogados no lixo, desperdiçados.

Quando chegam a esse patamar, são números que atrapalham o retorno sobre investimento das campanhas e prejudicam todos que dependem deste mercado, como as agências e os websites sérios que vendem publicidade na internet e o anunciante, que paga a conta. Por isso é importante que os anunciantes auditem suas campanhas, através de ferramentas e serviços de terceiros, para que possam negociar junto aos websites o ressarcimento em caso de cliques falsos.

Por parte do websites que vendem publicidade pouco vem sendo feito de concreto, pois recebem dinheiro por cada clique, seja bom ou ruim.

Já os grandes vendedores do mercado, como Google e Yahoo, utilizam ferramentas e processos para identificar e eliminar cliques falsos. O resultado efetivo dessas ações ainda deixa a desejar. Um exemplo disso foi a indenização de US$ 90 milhões paga pelo Google a alguns anunciantes, o que demonstra que cliques falsos existem e são reconhecidos pelos websites que vendem publicidade.

Não custa nada seguir estas sete dicas para evitar os cliques falsos, segundo a Click Forensics (6):

  • 1) Evite anunciar em websites de qualidade ou idoneidade duvidosas;
  • 2) Diariamente monitore quem clicou em seu anúncio e qual foi o índice de conversão (7). Existem diversas ferramentas gratuitas na internet que podem ajudar nessa tarefa;
  • 3) Defina muito bem o perfil geográfico de quem deve ver o anúncio. Evite anunciar em regiões que não são atendidas pela sua empresa.
  • 4) Monitore quais os horários que o anúncio recebe a pior qualidade de cliques e altere os horários de exibição dos anúncios para otimizar a conversão.
  • 5) Encontre as palavras que mais geram cliques de baixa qualidade e retire os anúncios dessas palavras. Palavras mais procuradas normalmente são as que mais sofrem com cliques falsos.
  • 6) Identifique IPs de concorrentes e bloqueie para que não sejam aceitos em caso de clique nos seus anúncios.
  • 7) Trabalhe em conjunto com um consultor ou empresa de auditoria. Eles possuem ferramentas e serviços que podem ajudar na prevenção e comprovação de cliques falsos junto aos websites que vendem publicidade.

O problema existe e deve ser combatido pelos sites que vendem publicidade e pelas agências e anunciantes, para evitar que um enorme mercado de publicidade online corra o risco de cair em descrédito e prejudique uma economia promissora e crescente. [Webinsider]

(1) Pay-per-click: modalidade de publicidade na internet onde o anunciante paga por cada clique que o seu anúncio receber.
(2) Spiders: programas de computador que “varrem” a rede mapeando e indexando páginas de websites.
(3) Click Fraud Network: uma comunidade de anunciantes, agências e sites de busca que trabalham juntos no desenvolvimento de soluções para o problema de cliques falsos.
(4) Marketing para sites de busca: comunidade que envolve anunciantes, agências e sites que vendem publicidade.
(5) SEMPO: Search Engine Marketing Professional Organization, associação sem fins lucrativos que trata de assuntos relacionados ao marketing em sites de busca.
(6) Click Forensics: empresa americana especializada no estudo e combate de cliques falsos.
(7) índice de conversão: indica quantas vezes um determinado anúncio foi clicado com relação as vezes que o mesmo anúncio foi exibido.

.

Sobre o autor

Marcelo Mattei (marcelo@lund.com.br) é especialista em gerenciamento de produtos eletrônicos, com foco no desenvolvimento de estratégias de marketing para internet (web marketing). É autor do Marketing para Internet.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ buscadores ] [ banners ] [ Vendas ] [ direito ] [ Links patrocinados ] [ e-mail marketing ] [ publicidade ]

Comentários

13 pessoas comentaram o artigo "Pago pelo clique, mas os falsos eu não quero"

Thiago Luiz Torquato Data: 18/04/2008 às 10:23 am

Atividade: Suporte TI

Cidade: São José

Muito bom o artigo. Só não entendi esta conta: “A situação é pior se a mesma pesquisa for feita apenas em sites de busca, como Google e Yahoo. Nesse caso, o índice de cliques falsos atinge estrondosos 28%, ou seja, a cada 10 cliques, mais do que 4 só geram custo ao anunciante, sem nenhuma chance de retorno.”

Marcelo Mattei Data: 18/04/2008 às 11:19 am

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Caro Thiago,

Obrigado pelo elogio e pela correção.

Realmente o texto está errado e já estou solicitando a correção.

O correto é:

“A situação é pior se a mesma pesquisa for feita apenas em sites de busca, como Google e Yahoo. Nesse caso, o índice de cliques falsos atinge estrondosos 28%, ou seja, a cada 10 cliques, quase 3 só geram custo ao anunciante, sem nenhuma chance de retorno.”

Abraços,

Marcelo

Ricardo Data: 18/04/2008 às 5:57 pm

Atividade:

Cidade:

“Vamos chamar de clique falso aquele feito em um anúncio cobrado por clique e que resulte em custo para o anunciante, sem gerar a possibilidade de uma oportunidade real de negócio.”

Não parece muito objetivo. Alguém que clica no anúncio por curiosidade pode ter uma chance mínima de gerar negócio, mas é impossível anunciar exatamente para o target, ou receber 100% de retorno. Seria como prever o futuro. Assim, esses cliques não podem ser chamados de “falsos”. É apenas uma exposição fora do target, assim como acontece com qualquer outra mídia.

(que é essa interrogação no botão de enviar???)

Ricardo Data: 18/04/2008 às 5:57 pm

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(ah, ignore a pergunta sobre o botão, não estou acostumado com o Safari e achei que fosse a imagem mesmo…)

Marcelo Mattei Data: 28/04/2008 às 11:05 am

Atividade:

Cidade:

Ricardo,

Bom dia.
Obrigado por seu comentário.

Conforme o trecho que você extraiu do artigo, eu defini clique falso como sendo aquele que não tem a menor possibilidade de gerar negócios. Depois, ao longo do texto, eu cito alguns exemplos, como cliques de concorrentes e cliques de sites que vendem a publicidade. Entenda clique falso como o clique malicioso, o clique para prejudicar o anunciante.

Na minha definição, cliques por curiosidade não são cliques falsos, pelo contrário, usuários curiosos que clicam são fortes candidatos a gerarem negócios.

Abraços,

Marcelo Mattei

Priscilla Data: 30/04/2008 às 11:56 am

Atividade:

Cidade:

Parabéns pelo artigo, muito bom.

Gostaria de saber se não é possível detectar o número do IP que clicou no banner, assim inibindo os “cliques falsos”.

Atenciosamente
Priscilla

Marcelo Mattei Data: 30/04/2008 às 4:26 pm

Atividade:

Cidade:

Priscilla,

Muito obrigado pelo comentário.

Quanto a sua pergunta, é possível detectar o número IP, mas a maioria das conexões hoje utiliza IPs dinâmicos, ou seja, que são alterados a cada novo acesso, por isso, bloquear o IP não é satisfatório.

Espero ter respondido. Se tiver mais alguma dúvida, por favor não deixe de perguntar.

Um abraço,

Marcelo Mattei

Gilberto Data: 01/05/2008 às 10:47 pm

Atividade: Suporte

Cidade: Curitiba

Boa noite,
Concordo com os que dizem que clique que não retorne como negócio não pode ser considerado clique falso, e também o clique de curioso. Quando o Anunciante inclue seu anúncio, sabe que terá essa margem, então você usa uma estatística pois nunca haverá total retorno, como diz o amigo: seria prever o futuro, há risco em todo e qualquer negócio, então você anuncia consciente.
As dicas são ótimas, mas acredito que motores de busca não trazem muitos usuários maliciosos e também não acredito que um usuário clique em anúncio apenas por curiosidade esse clique é valorizado mesmo que não volte com negócio, pois o objetivo do clique foi alcançado.

Marcelo Mattei Data: 06/05/2008 às 3:58 pm

Atividade:

Cidade:

Caro Gilberto,

Agradeço sua mensagem e seguem meus comentários:

Como disse na mensagem anterior, considero clique falso aquele clique malicioso, ou seja, o clique que é dado para gerar custo ao anunciante apenas e inclusive cito duas formas desse clique no artigo. O clique curioso é muito bem vindo, pois indica que existe um apelo que leva ao clique e depois, cabe ao anunciante, através de uma página de destino bem construída, tornar o clique curioso em negócio.

Quanto ao número de cliques maliciosos gerados pelos motores de busca, essa informação foi extraída da organização Click Fraud Network que é uma organização composta por vários segmentos do mercado de publicidade on-line, inclusive motores de busca como Google, Yahoo, etc, o que dá credibilidade aos números apresentados nesse artigo.

Mais uma vez agradeço e fico aberto a discussões sobre o tema.

Um abraço,

Marcelo

10° nau Data: 20/05/2008 às 8:47 am

Atividade: todas

Cidade: city

gostei muito deste texto ….
I don’t

11° Fernanda Data: 11/09/2008 às 12:16 pm

Atividade:

Cidade: São José do Rio Preto

Gostei muito do seu artigo e gostaria que me tirasse uma dúvida:

“2) Diariamente monitore quem clicou em seu anúncio e qual foi o índice de conversão (7). Existem diversas ferramentas gratuitas na internet que podem ajudar nessa tarefa”.

- Onde posso encontrar essas ferramentas? Como devo buscar (com que nome)?

Obrigado

12° Marcelo Mattei Data: 12/09/2008 às 1:57 pm

Atividade:

Cidade: São Paulo

Cara Fernanda,

Agradeço seu contato.
Já enviei a resposta em PVT para seu e-mail.

Um abraço,

Marcelo Mattei

13° Alaf Data: 08/10/2008 às 10:39 pm

Atividade:

Cidade:

Onde posso encontrar essas ferramentas? Como devo buscar (com que nome)?

Avisos
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