Jornalismo online oferece emprego ou trabalho?
01 de abril de 2008, 11:49Salário, emprego, estabilidade, carteira assinada... nesses novos tempos as oportunidades não estão prontas nos esperando. Elas podem e devem ser criadas. É fácil? Claro que não.
Por
O artigo de Bruno Rodrigues (Jornalismo online: me engana que eu gosto) suscitou uma reflexão acerca das noções de emprego e trabalho, que gostaria de compartilhar com os leitores.
Trata-se de prestarmos atenção para que, em nossas análises, não estejamos com os pés no século 21 e a cabeça no século 20 – o que pode acontecer com qualquer um de nós, com mais de quatro décadas de vida, e que nascemos e crescemos na sociedade industrial, da produção em série.
Em seu artigo, Bruno Rodrigues relata sua participação no seminário O mercado e o ensino do Jornalismo Online, no qual analisa as oportunidades de trabalho para jornalistas na web, buscando trazer para a realidade aqueles mais sonhadores ou otimistas, que consideram que vão encontrar o melhor dos mundos em sua vida profissional.
Toda sua fala, no entanto, pareceu calcada em elementos próprios do mundo do trabalho do século 20, tais como salários e vagas. À platéia de jovens adultos que o ouviu pintar um quadro entre realista e pessimista, foi sinalizado o emprego como caminho, e não o trabalho, deixando-se ali de convidar os ouvintes a entrar por uma porta que está escancarada no mundo digital.
De que mercado se está falando, afinal? Como bem define, entre muitos outros autores, Deisi Deffune e Lea Depresbiteris (Competências, habilidades e currículos de Educação Profissional, Senac, São Paulo), durante muito tempo, trabalho e emprego foram considerados sinônimos. Dizia-se que uma pessoa trabalhava quando tinha um emprego. Ter emprego significava estar ligado a uma organização, ocupar uma função claramente definida, com obrigações, horários, faixas de remuneração e de promoções, de forma padronizada. Uma realidade bastante diversa daquela que encaramos hoje.
Não se trata, aqui, de exaltar os novos contornos de nossa sociedade que, em nível mundial, vem extinguindo postos de trabalho, em uma realidade perversa na qual fica totalmente na mão do trabalhador a responsabilidade por sua formação, sua ascensão e seu futuro. Não se trata, tampouco, de se fazer uma apologia dos tempos (pós)modernos, nem de deslumbramento diante das maravilhas (ou nem tanto…) da tecnologia. Fato é que há que se ajudar as novas gerações a ver que existe um horizonte a ser explorado com a tecnologia, e fomentar entre esses jovens a noção de trabalho.
Nesses novos tempos, as oportunidades – ou, pelo menos, a maioria delas – não estão prontas nos esperando, onde quer que seja. Elas, hoje, mais do que nunca, podem e devem ser criadas. O contrário disso é dar inconveniente finitude ao grandioso e infinito muito da web.
É fácil? Claro que não. A batalha é árdua, mas tanto mais árdua – e infrutífera e frustrante – será, se buscarmos oportunidades do século 20 – salário, emprego, estabilidade, carteira assinada – em um mercado do século 21. Gostando-se ou não, é um caminho que não se pode ignorar e com o qual é preciso contar, se não quisermos bater de frente com a realidade, olhando em uma única direção, como cavalos que usam aqueles tapadores de olhos, quando há tanto mais para se enxergar..
Como costumo conversar com meus alunos, futuros jornalistas, é preciso estar preparado não só para conseguir uma vaga na Folha de São Paulo ou no Globonline, mas para virar expert em Prontidão para o novo. Pouco pragmático? Com certeza, mas, paradoxalmente, mais seguro – e muito mais próximo do real. [Webinsider]
.




1° Alec Duarte Data: 01/04/2008 às 3:37 pm
Atividade: Jornalista
Cidade: São Paulo
Eliane,
Mais do que isso, hoje já se pode trabalhar como jornalista sem necessariamente estar ligado a nenhum grupo de mídia. Essa revolução é pessoal e intransferível.