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Carreira - Pequenas empresas

Em busca do contrato perfeito 6: como cobrar

18 de março de 2008, 2:17

É hora de colocar no papel os prazos, as regras para as despesas extras e quanto você vai cobrar. Calcule bem o valor das suas horas e de seu pessoal e defina quanto deseja (ou pode) lucrar além dos custos.

Por Carlos Nepomuceno

Você já pode redigir o contrato e precisa detalhar itens importantes como prazo, cronograma, valores, custos variáveis e o detalhamento do contrato.

Prazos

Determinar prazo é fundamental.

É bom contabilizar que existem prazos no projeto que não dependem apenas do desenvolvedor, mas também do cliente, pois existem partes em que o cliente precisa dar retorno.

Vejamos:

Prazo previsto para entrega do serviço: 40 dias corridos.

Aqui você pode optar por dia útil ou corrido, o mais comum seriam os dias corridos. É importante prever nessa data o prazo para a aprovação do cliente, que deve estar bem definido.

Veja na tabela abaixo:

fases_pagamentos.jpg

Cronograma

Cronograma do projeto de cinco semanas para website simples, só com páginas HTML:

Note que na semana da aprovação, você estará recebendo sugestões e críticas, ajustando para que o cliente possa aprovar o projeto.

Se esse período se estender a mais tempo, ficará claro em que momento ele teve problemas.

É comum desenvolvedores não preverem um período de tempo para a aprovação do cliente. Esse tempo, inclusive, deve constar em uma das cláusulas do contrato, veremos adiante, pois se o cliente passa dois meses para aprovar determinada etapa, isso acarreta prejuízos para o fornecedor, que deve se precaver.

Valores

A questão de quanto cobrar daria outro livro, mas vamos tentar pincelar algumas dicas.

O importante, antes de tudo, é ter a noção exata de duas coisas:

  • 1) quanto você gasta para operar?
  • 2) quanto você quer e pode lucrar com cada projeto?

Uma tabela interessante a ser feita para responder a primeira pergunta é dividir dois tipos de gastos da sua firma ou autonomia:

Custos fixos

Telefone, aluguel, condomínio, IPTU, pessoal de carteira assinada (incluindo impostos, férias e 13º), impostos fixos (IPTU), pró-labore dos sócios, etc;

Custos variáveis

Autônomos contratados para determinado projeto, táxi, tinta de impressora, papel, impostos sobre nota fiscal, etc.

Assim, é importante nesse processo, você definir quanto custa o preço hora da sua empresa de maneira geral e quanto você gasta por cada tipo de profissional envolvido.

Exemplo:

Você gasta para passar o mês e “ficar aberto”, com os custos fixos acima citados:

R$ 5.000.00.

E consegue trabalhar durante o mês, 8 (oito) horas por dia, todos os dias da semana, que seria, em média, 40 (quarenta) por semana e 160 (cento e sessenta) por mês.

Assim, você tem o custo fixo por hora do escritório de R$ 31,25.

Note que em cima deste valor você tem que aplicar as variáveis de cada projeto.

Os impostos a serem pagos, os custos envolvidos para atender cada contrato, como táxi, material, autônomos, etc.

Suponhamos que você calcule que para o cliente “x” você terá custo hora de R$ 40,00 reais para cobrir as despesas, caso o escritório fique 100% empenhado naquele projeto.

Assim, você só irá começar a ganhar dinheiro com o cliente, a partir de R$ 40,00 a hora. Ou seja, cobrando R$ 44,00 a hora, a sua margem de lucro é de 10%. E se R$ 48.00 sobe para 20%.

Obviamente, que o projeto pode não ocupar 100% o tempo do seu escritório e você poderá flexibilizar estes valores.

Ou num projeto você pode aumentar a margem de lucro, quando o cliente não tem grandes perspectivas de continuidade de novos projetos, por exemplo.

E no outro por estratégia diminuir para conseguir um cliente que vai agregar no currículo da empresa, ou que serve para fechar o mês.

De qualquer forma, é fundamental que você calcule quanto custa o preço hora do seu escritório. Quanto quer lucrar e evitar, ao máximo, pagar para trabalhar. Calculado o preço hora do escritório, você poderá começar a criar tabelas para diferentes tipos de projetos.

Assim, pode chegar ao preço hora de R$ 50,00 reais para o cliente “x”, com margem de lucro de 20%.

E imaginar que aquele projeto vai consumir algo em torno de 30 (trinta) horas do escritório.

Assim, o preço do projeto sairá R$ 1.500,00 reais, desde que você consiga realmente entregar dentro das horas previstas, o que justifica bastante a importância de um bom escopo e a “amarração” final do contrato.

Se “estourar” a sua previsão, você pode pagar para trabalhar!

Veja na parte final o detalhamento, uma forma de esmiuçar ao máximo a proposta baseada em experiências anteriores.

[Webinsider]

…………………
A série toda:
Em busca do contrato perfeito: um livro em capítulos
Em busca do contrato perfeito 1: tipos de contrato
Em busca do contrato perfeito 2: a entrevista
Em busca do contrato perfeito 3: a minuta
Em busca do contrato perfeito 4: o escopo
Em busca do contrato perfeito 5: itens do documento
Em busca do contrato perfeito 6: como cobrar
Em busca do contrato perfeito 7: o detalhamento
Em busca do contrato perfeito 8: nomear a entrega
Em busca do contrato perfeito: considerações finais

.

Sobre o autor

Carlos Nepomuceno (nepomuceno@pontonet.com.br) é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da Pontonet.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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Comentários

1 pessoa comentou o artigo "Em busca do contrato perfeito 6: como cobrar"

Marcos Antonio Rodrigues Pinheiro Data: 17/04/2008 às 2:12 pm

Atividade: Advogado

Cidade: Rio de Janeiro

Li sobre a obra “Em busca do contrato perfeito” e gostaria de adquirir todos os exemplares.

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Em busca do contrato perfeito 8: nomear a entregaPronto para fechar o contrato: só falta nomear e delimitar itens como os sistemas a serem entregues, browser contemplados, regras para treinamento, viagens e reuniões. E conte com os adendos.
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Em busca do contrato perfeito 7: o detalhamento Calculados os prazos e os valores, vem o detalhamento, uma forma de esmiuçar ao máximo a proposta e descrever o que foi combinado. Baseado em experiências anteriores, seu contrato se aperfeiçoa. Por Carlos Nepomuceno

Em busca do contrato perfeito 6: como cobrarÉ hora de colocar no papel os prazos, as regras para as despesas extras e quanto você vai cobrar. Calcule bem o valor das suas horas e de seu pessoal e defina quanto deseja (ou pode) lucrar além dos custos. Por Carlos Nepomuceno

Em busca do contrato perfeito 5: itens do documentoAprovada a minuta, você já pode redigir o contrato, que começa com os detalhes de quem assina, o escopo detalhado e a definição das etapas e correspondentes pagamentos. Por Carlos Nepomuceno

Em busca do contrato perfeito 4: o escopoTenha em mente que você não está fazendo um site ou um sistema, mas cumprindo um contrato. O escopo define bem o que será entregue ao cliente, na maior quantidade possível de detalhes. Por Carlos Nepomuceno

Em busca do contrato perfeito 3: a minutaA minuta serve para não perder tempo: é uma espécie de rascunho do contrato a ser firmado e serve para cliente e fornecedor terem mais firmeza se estão no caminho certo. Por Carlos Nepomuceno

Em busca do contrato perfeito 2: a entrevistaDo abstrato ao concreto: o contrato começa a ser definido na entrevista inicial, com um questionário completo que ajuda a avaliar mais precisamente o que deve ser feito. É a sequência do livro “Em Busca do Contrato Perfeito”. Por Carlos Nepomuceno

Em busca do contrato perfeito 1: tipos de contratoNa prestação de serviços em tecnologia é preciso delimitar claramente o que vai ser entregue. Na primeira parte do livro, leia a introdução e o que fazer para transformar a idéia abstrata em um produto ou serviço definido.
Por Carlos Nepomuceno

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