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Mídia interativa - Comportamento

Fernand Alphen
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A propaganda e o sufrágio do povo

17 de março de 2008, 17:21

A propaganda de meias verdades ou mentiras superlativas, excessivamente explícita, dramaticamente primária, martelando palavras de ordem e crenças laboratoriais tem os dias contados.

Por Fernand Alphen

Pergunta: O que é um trilobita?

(Segundos de espera.)

Resposta: “Trilobites are extinct arthropods that form the class Trilobita, blalablá”.

Para que serve saber, em tempos de acesso universal e democrático à internet? Para que serve armazenar o saber em tempos de Wikipedia?

Ainda que cautelosos ludistas desconfiem das definições democraticamente construídas, antes o saber bocejava na ponta dos pés das bibliotecas. Hoje, fustiga na ponta dos dedos, na ponta da língua.

É que a tese é simples: além de orgânicas, definições são o referendo do infinito coletivo. A mentira não resiste muito tempo ao sufrágio de milhões. A manipulação, tampouco.

A propaganda manipula. E manipulará cada vez menos.

As enciclopédias elaboradas por doutos especialistas falharam irremediavelmente nas suas missões de divulgação do conhecimento e atualização.

A propaganda, criada por sensíveis profissionais, pode falhar dramaticamente na sua missão de sedução e convencimento.

A propaganda de meias verdades ou mentiras superlativas, excessivamente explícita, dramaticamente primária, gritando, cantando e martelando incessantemente com palavras de ordem, crenças laboratoriais e repetição massificada, tem os dias contados.

Essa é a velha propaganda, uma propaganda que insiste em manipular, da forma mais básica, um consumidor cada vez mais arredio, disperso, crítico e com capacidade própria de exponenciar sua opinião.

Se ontem a gente tinha que crer a priori por falta de possibilidade de expressão, hoje a gente desconfia a priori, porque a gente tem o poder de denunciar publicamente e sem intermediários. E isso derruba reputações, como uma bola de neve pequeninha no cume da montanha aniquila uma aldeia no vale.

O prazo de validade da propaganda é proporcional à velocidade de popularização das opiniões. Ou seja, muito curto. Se a mensagem agradar, sua eficiência é retumbante. Se desagradar, seu fracasso é desastroso.

Mas a propaganda tem mais animadores rumos, apesar dos tropeços, das inseguranças e da caretice.

Propaganda deve ser conteúdo, entretenimento, manifestação cultural ou pura informação. Sempre que ela for percebida de uma forma ou de outra, ela será apreciada na medida de sua qualidade, sem o risco do opróbrio.

E sempre que ela raciocina pelo parâmetro do mais tapado, ignorante e passivo dos consumidores, vira piada e vexame. [Webinsider]

.

Sobre o autor

Fernand AlphenFernand Alphen (falphen@fnazca.com.br) é diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da F/Nazca S&S e mantém o Fernand Alphen’s Blog.

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Comentários

4 pessoas comentaram o artigo "A propaganda e o sufrágio do povo"

Jerônimo Strehl Data: 18/03/2008 às 3:33 pm

Atividade:

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Caro Fernand, seus comentários foram muito pertinentes, além do texto estar muito bem escrito. Mesmo assim, gostaria de tecer dois comentários.

1) Eu AINDA acredito haver uma grande distinção entre propaganda e publicidade. Por mais que em grande parte do texto haja ambigüidade para abranger as duas concepções, me deste o entender que, na realidade, estavas a se referir à publicidade.

2) Não sei até que ponto é verossímil, no caso da publicidade e propaganda, acreditar em manipulação. Por outro lado, é perfeitamente aplicável o termo persuasão. Note que, por mais semelhantes que possam parecer, existe um enorme hiato entre elas:
a) Manipular pressupõe incitar e conduzir uma solução ou situação convincente e satisfatória a alguém, mesmo que isto não faça parte do seu desejo, gosto ou aspirações mais íntimas, não trazendo possíveis vantagens.
b) Persuadir pressupõe incitar e conduzir uma solução ou situação convincente e satisfatória a alguém, porque este percebe que o mesmo faz parte do seu desejo, gosto ou aspirações mais íntimas, trazendo possíveis vantagens.

Se existe manipulação? Existe sim. Mas em 99% dos casos é “pura e simples” persuasão, de um povo ávido por se diferenciar, por ter facilidades, por uma busca incessante em “ser mais”, e não apenas igual.

Fernand Data: 18/03/2008 às 5:09 pm

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Jerônimo,

Persuasão vira manipulação muito rápido em se tratando de mídia de massa, você não acha?

Fernand

Jerônimo Strehl Data: 19/03/2008 às 7:33 pm

Atividade: Designer

Cidade:

Fernand,

Touché para você.

Em se tratando de Meios de Comunicação de Massa, isso é verossímel.

Mas como seu artigo nos informa, isso está acontecendo cada vez menos - presumidamente devido ao grande avanço do que os teóricos classificam como Meios de Comunicação Midiáticos.

Talves neste meio, de comunicação dialógica e polisêmica, que permite feedbacks instantâneos, a Persuasão venha apenas a ficar nesse limiar.

Parabéns pelo artigo, e é sempre bom ter estas oportunidades para compartilhar diálogos.

Jerônimo

Fernand Data: 20/03/2008 às 9:36 am

Atividade:

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Excelente, Jerônimo!

Mas tudo é ainda um grande talvez, e é isso q é tão excitante.

Na minha opinião ainda mais polêmica, deveríamos abolir de vez a palavra mídia do nosso vocabulário e subsitituí-la por conteúdo. Ao invés de dizer “eu assisto TV” deveríamos dizer “eu assisto seriado ou novela”. Ao invés de dizer “leio blogs” deveríamos dizer “leio opinião de especialistas”.

E mais: ao invés dos planos de mídia serem organizados por tipo de mídia, deveriam ser por tipo de conteúdo. Isso não significa q iríamos descartar dados técnicos de audiência, target, alcance, impacto, etc. Mas em tempo de convergência e fragmentação simultânea - isso é maluco porq contraditório - classificar mídias pelo tipo de dispositivo de recepção (como é o caso hoje) não faz mais nenhum sentido.

Valeu!

Fernand

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